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A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) é um procedimento de emergência fundamental para a sobrevivência de pacientes em casos de paradas cardíacas. São manobras de compressão torácicas que visam restabelecer a circulação sanguínea e a oxigenação dos órgãos vitais, podendo ter um melhor desempenho se auxiliadas por dispositivos de feedback.
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Pensando nisso, uma pesquisa realizada no Hospital Alemão Oswaldo Cruz mostrou que o uso de um smartwatch com aplicativo de feedback, desenvolvido especialmente para o estudo, aumentou em até 18% a qualidade das manobras de RCP.
Os resultados, divulgados em 24 de novembro e publicados na revista científica Resuscitation Plus, trazem evidências de que a alternativa prática pode efetivamente ser aplicada em situações de emergência.
Auxílio em procedimentos emergenciais
Há três fatores cruciais que contribuem para um paciente sobreviver a uma parada cardíaca: o reconhecimento rápido, o uso precoce do desfibrilador e o bom desempenho das compressões torácicas. Porém, condições variadas e a disponibilidade de dispositivos de feedback em ambientes clínicos podem limitar o procedimento de ressuscitação.
“Mesmo pessoas treinadas podem perder o rendimento por causa da fadiga ou do estresse da situação. O smartwatch funciona como um orientador em tempo real, ajudando o socorrista a manter o padrão de compressões recomendado”, explica Leandro Costa, cardiologista no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e principal autor do estudo, em comunicado.
Um total de 90 profissionais da saúde foram submetidos a sessões de 2 minutos de compressões torácicas em manequins de treinamento. A primeira sessão era realizada sem o auxílio do dispositivo, enquanto a segunda utilizava o aplicativo de feedback VIMO integrado a um Apple Watch Series 9. Durante as RCPs, o relógio oferecia orientações visuais e sonoras sobre o ritmo e a profundidade ideais a serem aplicados.
O uso do sistema de feedback integrado ao smartwatch resultou em compressões muito mais precisas do que aquelas feitas sem a ajuda do dispositivo. Segundo o estudo, o desempenho geral aumentou de 82% para 97%, enquanto o ritmo correto subiu de 62% para 94%. Como resultado, a profundidade adequada das manobras chegou a atingir 100% dos casos.
Potencial dentro e fora do hospital
Conforme pesquisa de 2014 publicada na revista Circulation, da Associação Americana do Coração, cada aumento de 5 milímetros na profundidade média das compressões está relacionado a um ganho de 29% nas chances de sobreviver, elevando em 30% a probabilidade de se recuperar bem das funções neurológicas após a parada cardíaca. Já uma publicação de 2019 da revista JAMA Cardiology apontou que compressões realizadas com cerca de 4,7 cm de profundidade e em ritmo de 107 por minuto aumentam em 40% as chances de alta hospitalar.
“Esses números mostram o impacto que pequenas diferenças de técnica têm no desfecho clínico. Quando um dispositivo ajuda o socorrista a manter o ritmo e a força ideais, o ganho potencial é enorme, especialmente fora do hospital, em que acontecem 80% a 90% das paradas cardíacas”, considera Costa.
O novo estudo no Hospital Alemão Oswaldo Cruz marca um novo passo na integração de tecnologias vestíveis e procedimentos médicos de emergência. Ainda que mais pesquisas sejam necessárias para avaliar a eficácia da abordagem em ressuscitações reais, o avanço está associado a ganhos consideráveis de chances de sobrevivência por atendimentos de RCP.
“O futuro está em capacitar o leigo. A ideia é que o mesmo relógio usado para monitorar a atividade física também possa orientar quem presencia uma emergência, até a chegada do socorro especializado”, afirma o médico.

há 1 mês
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