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Parlamentares dos EUA divulgaram imagens inéditas da ilha de Jeffrey Epstein, parte dos arquivos oficiais sobre o caso. O material mostra áreas da propriedade usada pelo financista e marca um novo avanço nas investigações e na pressão por transparência do governo Trump.
Nesta quarta-feira (3), deputados do Partido Democrata dos Estados Unidos divulgaram uma série de imagens inéditas da chamada “Ilha da Pedofilia”, propriedade do empresário Jeffrey Epstein. O material faz parte dos “Epstein Files”, um compilado de provas reunidas pelo governo norte-americano que detalha a atuação do financista como líder de uma rede internacional de tráfico sexual, além de processos por estupro, abuso e outros crimes.
A publicação das imagens ocorre após meses de debates no Congresso dos EUA. O governo Trump — que teve ligações diretas com o bilionário e é mencionado em alguns dos documentos — resistia fortemente à abertura dos arquivos. No entanto, sob intensa pressão política, Trump assinou em 20 de novembro um projeto de lei que determina a liberação de documentos.
As fotos exibem cômodos luxuosos e cenas perturbadoras da ilha, oficialmente chamada de Little Saint James. O local era conhecido popularmente como “Ilha de Epstein” (Epstein Island) e, de forma pejorativa, como “Ilha da Pedofilia”. Epstein também se referia ao território de maneira informal como “Little St. Jeff’s”.
Imagens divulgadas pelo Partido Democrata revelam intimidade da residência de Epstein. (Foto: Divulgação/Comitê de Supervisão e Reforma Governamental dos EUA)A propriedade integra as Ilhas Virgens dos Estados Unidos, um território norte-americano no Caribe. Epstein adquiriu a propriedade em 1998 e, segundo as investigações, utilizava a ilha como um refúgio onde, acompanhado de figuras influentes da política e da economia global, cometia crimes como estupro, abuso sexual e tráfico humano.
Entre as imagens reveladas, há registros de um banheiro com múltiplas duchas e pilhas de caixas com toalhas; uma piscina; diversos quartos; e até um telefone residencial que exibe uma lista de contatos com nomes como Darren, Rich, Mike e Patrick. O Congresso ocultou algumas informações antes de torná-las públicas, e não há confirmação sobre a identificação dos nomes citados.
“Ilha da Pedofilia”, de Jeffrey Epstein, era “refúgio” do financista para cometer crimes de tráfico e abuso sexual. (Foto: Divulgação/Comitê de Supervisão e Reforma Governamental dos EUA)As autoridades americanas, incluindo o Departamento de Justiça e o FBI, reforçam que não existe uma “lista de clientes” oficial vinculada a Epstein. Ainda assim, rumores persistem de que figuras como Donald Trump, Bill Clinton e o ex-príncipe Andrew teriam visitado o local.
Os registros trazem ainda a imagem de um cômodo particularmente estranho: no centro, há uma cadeira típica de consultórios odontológicos. Nas paredes, máscaras representando rostos masculinos cercam o espaço. A investigação não detalhou como o ambiente ou os objetos eram utilizados. Veja abaixo:
Em comunicado, o democrata Robert Garcia, líder do comitê responsável pela divulgação, afirmou que o material compõe “um retrato perturbador” do mundo de Epstein. Ele acrescentou que o comitê recebeu documentos de instituições financeiras como J.P. Morgan e Deutsche Bank, e que novos arquivos serão divulgados nos próximos dias após análise. “Não vamos parar de lutar até garantir justiça para as sobreviventes. É hora de o presidente Trump divulgar todos os arquivos, agora”, declarou.
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Resposta de Trump
Durante a campanha presidencial, Trump havia prometido tornar pública a lista de clientes do esquema de tráfico e abuso sexual. No entanto, desde o início de seu novo mandato, em fevereiro, apenas documentos sem informações relevantes foram divulgados. O silêncio aumentou a pressão sobre a Casa Branca, e Trump passou a negar a existência de qualquer lista. Ele minimizou a gravidade do caso e chegou a insultar quem o cobrava por transparência.
Em maio, o Departamento de Justiça o notificou de que seu nome era citado nos arquivos. Mesmo assim, em julho, o presidente ignorou os apelos do próprio Partido Republicano por mais transparência nas investigações. Sem apresentar provas, Trump afirmou em um post na Truth Social que a polêmica seria uma “armação” política.
Donald Trump e Jeffrey Epstein tem uma conexão de longa data, que se estende desde os anos 1990. (Fotos: Getty)Continua depois da Publicidade
Diante da possibilidade de que o Congresso aprovasse a liberação total dos documentos, o presidente orientou os republicanos a votarem a favor. No Truth Social, escreveu: “Como eu disse na noite de sexta-feira a bordo do Air Force One à Mídia Fake News, os republicanos da Câmara deveriam votar para liberar os arquivos do caso Epstein, porque não temos nada a esconder, e é hora de seguir em frente desse embuste democrata perpetrado por lunáticos da esquerda radical para desviar do Grande Sucesso do Partido Republicano”.
Entretanto, em novembro, Trump recuou. Após o Congresso dos EUA aprovar quase por unanimidade a publicação dos documentos, Trump aceitou a derrota política e assinou o decreto. O prazo para a divulgação dos documentos é 19 de dezembro.
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