Partícula vinda do espaço pode explicar pouso de emergência de voo comercial

há 1 mês 25
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A queda de altitude de um Airbus A320 no dia 30 de outubro, que feriu 15 passageiros e obrigou um pouso de emergência em Tampa, nos Estados Unidos, pode ter sido causada não por falha mecânica ou erro humano, mas por uma única partícula de alta energia vinda do espaço profundo. A hipótese foi levantada após a fabricante divulgar um comunicado oficial em 28 de novembro reconhecendo que “a intensa radiação solar pode corromper dados críticos ao funcionamento dos controles de voo”.

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Junto à atualização das investigações, a Airbus indicou a realização de uma ação preventiva global envolvendo cerca de 6 mil aeronaves, orientando companhias aéreas a realizar atualizações de software e, quando necessário, de hardware. A medida deve ser oficializada em uma Diretiva de Aeronavegabilidade de Emergência da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), o que pode gerar atrasos e cancelamentos de voos mundo afora.

Incidente que acendeu o alerta

O voo da JetBlue fazia o trajeto Cancún–Newark quando, sobrevoando a Flórida, perdeu altitude abruptamente sem que os pilotos percebessem qualquer anomalia prévia. O controle foi recuperado rapidamente, mas a brusca aceleração negativa lançou passageiros contra o teto, provocando ferimentos e obrigando o pouso imediato em Tampa.

Nos dias que se seguiram, especulou-se que uma súbita escalada da atividade solar pudesse ter afetado sensores ou sistemas eletrônicos. Mas essa hipótese, embora citada pela Airbus, foi contestada por quem mais entende do assunto.

Especialistas ouvidos pelo portal Space.com explicaram que os níveis de radiação solar em 30 de outubro eram insuficientes para causar qualquer dano eletrônico em altitudes de cruzeiro. Em vez disso, eles apontaram para um culpado muito mais exótico: um raio cósmico, ou seja, uma partícula extremamente energética produzida pela explosão de uma estrela massiva em supernova.

Os raios cósmicos podem interagir com a microeletrônica moderna e alterar o estado de um circuito. Eles podem causar uma simples "inversão de bit", nome dado à mudança do estado de um bit ou número binário para o estado oposto (0 ou 1), o que pode causar problemas de comunicação. Mas, em casos mais extremos, também podem ser responsáveis por falhas de hardware e queimas de componentes.

Tais partículas atravessam o Universo praticamente à velocidade da luz, colidem com a atmosfera terrestre e criam chuvas de partículas secundárias — múons, nêutrons e pósitrons — que podem atingir componentes eletrônicos dentro de aeronaves, provocando o chamado evento de perturbação única. Em sistemas críticos, como computadores de voo, uma única inversão de bit pode gerar comandos imprecisos e estranhos.

Vulnerabilidade conhecida, mas rara

Incidentes semelhantes já foram documentados no passado. O mais famoso ocorreu em 2008, com o voo 72 da Qantas, quando um Airbus A330 mergulhou duas vezes no Oceano Pacífico após leituras incorretas de sensores. A investigação nunca identificou a causa fundamental da falha, mas os cientistas acreditam que um raio cósmico seja a explicação mais provável.

Segundo verificou o site Space.com, menos de duas semanas após o incidente da JetBlue, uma forte erupção solar elevou por vários dias os níveis de radiação em altitudes de voo. Por si só, isso já justifica a decisão da Airbus de implementar proteções adicionais, ainda que essa erupção específica não esteja ligada ao evento de 30 de outubro.

Se a hipótese se confirmar, o episódio da JetBlue pode entrar para a lista de raros incidentes aéreos provocados por partículas originadas de explosões estelares ocorridas milhões de anos atrás. Para a indústria, é um lembrete de que, por mais avançada que seja a aviação comercial, a fronteira entre tecnologia humana e fenômenos astrofísicos permanece porosa — e que a radiação cósmica é um inimigo silencioso rondando cada computador de bordo.

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