Europa deve ter mais 42 dias de verão até 2100, estima pesquisa

há 1 mês 38
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A noção de que as mudanças climáticas estão tornando os dias mais quentes e mais longos já é amplamente conhecida pelos cientistas. Porém, um estudo liderado por pesquisadores da Royal Holloway University of London, na Inglaterra, revelou que as tendências atuais de aquecimento e de emissões de gases efeito estufa poderiam acrescentar 42 dias de verão à Europa até o ano de 2100.

A conclusão feita pela pesquisa, publicada na revista científica Nature Communications em novembro, não é um bom sinal sobre a saúde do nosso planeta.

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Os pesquisadores verificaram que o “Gradiente Latitudinal de Temperatura” (LTG) – a diferença de temperatura entre o Ártico e o equador – está diminuindo progressivamente. Um LTG mais alto ajuda a impulsionar ventos do Oceano Atlântico para a Europa, que modificam os padrões meteorológicos pelo continente sazonalmente.

Quando a região ártica passa a aquecer quatro vezes mais rápido que a média global, o gradiente diminui, indicando que as correntes de ar serão menos intensas. O resultado disso é que padrões climáticos associados ao verão se tornam cada vez mais persistentes, o que inclui ondas de calor mais fortes e longas.

Para checarem a gravidade do problema de aquecimento que enfrentamos, os pesquisadores utilizaram um método único para estudar a história climática do planeta. Pela análise de camadas de lama depositadas em sedimentos no fundo de lagos europeus, eles obtiveram uma linha do tempo com as variações entre inverno e verão dos últimos 10 mil anos.

Variações da quantidade de dias quentes e frios fazem parte da trajetória climática da Terra, tanto que um dos dados descobertos no estudo foi que, há 6 mil anos, os verões se estendiam por quase 200 dias num ano. Segundo comunicado, essa duração é comparável às estações quentes mais extremas da atualidade.

Seguindo as tendências observadas na linha do tempo e considerando os impactos das emissões de gases de efeito estufa, pesquisadores concluíram que, para cada graus Celsius que o LTG diminui, os verões europeus aumentam em cerca de seis dias. Com as projeções climáticas estendidas, a Europa provavelmente aumentará o seu verão em 42 dias até 2100.

“Nossas descobertas mostram que isso não é apenas um fenômeno moderno: é uma característica recorrente do sistema climático da Terra. Mas o que é diferente agora é a velocidade, a causa e a intensidade da mudança”, diz Laura Boyall, pesquisadora do Departamento de Geografia da Royal Holloway e coautora do estudo, em comunicado.

Além dos gases efeito estufa, emissões industriais de aerossóis e ciclos internos de retroalimentação do clima terrestre também são fatores que contribuem para a remodelagem das estações da Europa, de acordo com os cientistas. As consequências de mais dias quentes podem trazer impactos para agricultura, biodiversidade, recursos hídricos e até saúde pública.

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