Este robô minúsculo viaja pela corrente sanguínea – e leva remédio bem onde o corpo precisa

há 2 meses 24
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Um robô do tamanho de um grão de areia capaz de nadar pela corrente sanguínea e liberar medicamentos exatamente onde o corpo precisa. Parece até ficção científica, mas se trata de uma solução real desenvolvida por uma equipe internacional e testada em um estudo publicado nessa quinta-feira (13) na revista Science.

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Durante os experimentos realizados, o microrrobô desempenhou com sucesso a navegação pelos vasos sanguíneos de porcos e ovelhas. Nesses passeios pelo corpo, ele ainda demonstrou eficiência na entrega fármacos de forma ultra direcionada, praticamente eliminando qualquer risco de efeitos colaterais sistêmicos.

Projetar um robô minúsculo e, ao mesmo tempo, controlável, biocompatível, magnético e capaz de carregar e liberar fármacos não foi tarefa simples. “Encontrar a combinação certa levou 20 anos”, explica Bradley Nelson, engenheiro mecânico do Instituto Federal Suíço de Tecnologia (ETH Zürich) e líder do estudo, à revista Nature. “Em retrospecto, tudo parece óbvio, mas chegar até aqui exigiu um grande salto.”

Precisão em um corpo quase humano

A tecnologia funciona como um veículo preenchido com medicamentos e nanopartículas de óxido de ferro. Essas partículas permitem que o robô seja guiado por campos magnéticos externos, que “pilotam” o dispositivo pelo interior do corpo com precisão milimétrica. Ao chegar ao destino, pulsos magnéticos mais rápidos aquecem e rompem a cápsula, liberando o princípio ativo.

Os testes, descritos no artigo, revelam que os microrrobôs podem ser inseridos por um cateter e deslocados pelas paredes dos vasos, nadar contra o fluxo sanguíneo ou seguir a corrente a velocidades impressionantes — até 40 cm/s. Imagens de raio-X permitem guiar cada movimento em tempo real.

 Luca Donati/lad.studio Zurique Os minúsculos robôs, repletos de drogas, são guiados através dos vasos sanguíneos por meio de ímãs — Foto: Luca Donati/lad.studio Zurique

Nos experimentos com porcos, mais de 95% das administrações aconteceram exatamente no ponto planejado. Isso abre caminho para tratamentos localizados contra condições graves, como tumores cerebrais ou bloqueios que podem causar um acidente vascular cerebral (AVC).

Para Nelson, mesmo que o sistema ainda não tenha sido testado em humanos, ele já se mostra bastante promissor. “O corpo de porcos e ovelhas é aproximadamente do tamanho de um corpo humano, e todos os componentes que usamos demonstraram ser biocompatíveis”, destaca ele.

Menos toxicidade, mais eficiência

De acordo com Nelson, cerca de um terço dos medicamentos que não chegam ao mercado fracassa porque são tóxicos demais. Microrrobôs como esse poderiam mudar tal cenário ao permitir que apenas pequenas quantidades de fármaco fossem aplicadas exatamente onde a ação é necessária, reduzindo drasticamente os efeitos colaterais que surgem quando o medicamento se espalha pelo corpo.

Apesar das demonstrações convincentes, vale destacar que o projeto ainda se encontra em fase pré-clínica, o que indica um grande caminho pela frente. Antes de chegar aos hospitais, os pesquisadores precisam, entre outras questões, confirmar como o corpo elimina as nanopartículas remanescentes após a dissolução da cápsula.

O próximo passo reside em justamente avaliar a possibilidade de ensaios em humanos. Caso os estudos avancem sem grandes obstáculos, os especialistas acreditam que aplicações médicas iniciais podem se tornar realidade na próxima década.

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