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Originalmente desenvolvido para tratar o diabetes tipo 2, o medicamento semaglutida (princípio ativo de remédios como Ozempic e Wegovy) desponta como um potencial aliado na prevenção de doenças do coração. É o que aponta o maior estudo já realizado sobre o tema, liderado pela University College London (UCL) e publicado nessa quarta-feira (22) na revista The Lancet.
As conclusões do estudo sugerem que o princípio ativo pode reduzir o risco de uma pessoa sofrer ataque cardíaco, derrame e morte por doença cardiovascular em até 20% – independentemente da quantidade de peso perdida durante o tratamento. Para os autores, isso pode transformar a forma como médicos e sistemas de saúde encaram o medicamento.
O trabalho analisou os dados de 17.604 pessoas de 41 países. Elas tinham 45 anos ou mais e apresentavam índice de massa corpórea (IMC) correspondente às classificações de sobrepeso ou obesidade. Metade dos participantes recebeu injeções semanais de semaglutida, enquanto a outra metade foi “tratada” com placebo.
Dessa maneira, descobriu-se que, mesmo os indivíduos apenas levemente acima do peso, com IMC médio de 27, o qual é considerado apenas um pouco acima do normal, apresentaram benefícios semelhantes aos de pessoas com IMC mais elevado. Para os autores, isso sugere que a semaglutida pode melhorar a saúde cardiovascular por mecanismos além da perda de peso.
“Embora o remédio seja rotulado como uma injeção para emagrecimento, seus benefícios para o coração não estão diretamente ligados aos quilos perdidos”, explica John Deanfield, professor da UCL e coautor do texto, em entrevista ao jornal The Guardian. “Na verdade, trata-se de um medicamento que afeta diretamente as doenças cardíacas e outras condições associadas ao envelhecimento.”
Novo olhar para o uso da semaglutida
Por mais que a quantidade de peso perdida não ser um fator determinante na proteção cardiovascular, a pesquisa demonstrou que a redução da circunferência da cintura – um indicativo de menor acúmulo de gordura abdominal – está relacionada a melhores resultados para o coração. Cerca de 33% dos benefícios cardiovasculares observados foram explicados pela diminuição da gordura na região abdominal.
“A gordura abdominal é mais perigosa para a nossa saúde cardiovascular do que o peso total”, destaca Deanfield. “Dessa maneira, não surpreende ver uma ligação entre a redução do tamanho da cintura e o benefício cardíaco.”
Mesmo assim, os cientistas notaram que dois terços dos efeitos positivos permanecem sem explicação, reforçando que a semaglutida pode atuar em processos biológicos que vão além da simples perda de gordura. Os resultados levantam uma discussão importante sobre quem pode se beneficiar do Ozempic e medicamentos semelhantes.
Segundo Deanfield, limitar o uso a pessoas com IMC muito alto “não faz sentido” se o objetivo for prevenir doenças cardiovasculares: “Você não precisa perder muito peso nem ter um IMC elevado para obter ganhos significativos para o coração, mas é fundamental considerar os possíveis efeitos colaterais, já que o número de pessoas que podem se beneficiar é cada vez maior”.

há 2 meses
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