XP Asset reduz risco e volta a apostar em alta dos juros nos EUA

há 2 meses 25
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A XP Asset adotou uma postura mais defensiva diante do cenário global incerto, marcado pela divisão interna no Federal Reserve (Fed) e pela força inesperada da economia americana. Segundo Bruno Marques, gestor dos fundos Multimercado Macro da casa, o momento pede cautela e ajustes táticos nas posições.

De acordo com ele, a principal novidade recente foi a falta de consenso entre os membros do Fed sobre os próximos passos da política monetária. “Essa divisão dentro do comitê torna o cenário mais confuso para o ano que vem”, avaliou, ao explicar que o movimento levou a gestora a rever sua exposição a ativos de risco.

Com a perspectiva de juros americanos mais altos por mais tempo, a XP Asset decidiu zerar a posição comprada em bolsa dos Estados Unidos, que vinha sendo mantida desde o início do segundo semestre.

“A gente não tinha mais posição vendida em dólar, mas mantinha posição comprada em bolsa americana. Por nível e por cautela, optamos por zerar essa posição”

Aposta em juros longos nos EUA

Ao mesmo tempo, a gestora voltou a tomar posição em juros de 10 anos nos Estados Unidos, apostando em alta das taxas diante do crescimento robusto da economia americana.

“Com a economia crescendo 3% e sem grandes sinais de desaceleração, faz sentido voltar a tomar juros americanos”, disse Marques.

A decisão reflete a leitura de que o Fed poderá manter uma política monetária restritiva por mais tempo, o que pressiona os rendimentos dos títulos de longo prazo.

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Para a XP Asset, o momento ainda é de cautela, mas abre oportunidades táticas em pontos específicos da curva de juros americana.

Economia brasileira mostra resiliência

No Brasil, Marques observa uma economia ainda aquecida, embora em ritmo mais moderado do que nos meses anteriores. “A economia segue forte, ainda crescendo acima do potencial, mesmo com juros altos e um ajuste fiscal leve”, avaliou.

Diante desse cenário, a XP Asset encerrou as posições aplicadas em juros nominais, movimento que vinha sendo mantido há bastante tempo, e reforçou as apostas em juros reais.

“A inflação implícita caiu bastante nas últimas semanas, e aproveitamos para aumentar nossa exposição. Achamos que há uma assimetria importante na curva, com inflação abaixo de 4,5% no médio prazo”

Posição comprada em real e vendida em dólar

Outro destaque é a manutenção da posição vendida em dólar e comprada em real, baseada no diferencial de juros favorável ao Brasil.

“O diferencial de juros no país continua muito alto, com baixa volatilidade. Essa relação carrego/volatilidade está nos menores níveis em muito tempo”, afirmou Marques.

A estratégia reforça a visão da XP Asset de que o real deve seguir em patamar competitivo no curto prazo, sustentado por fundamentos internos sólidos e pela atratividade dos juros brasileiros.

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