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Um resultado operacional sólido, com forte contribuição de sua divisão de minério de Ferro e refletindo a flexibilidade da empresa.
É assim que o mercado viu os números da mineradora Vale (VALE3), que lucrou US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre, alta de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, com forte desempenho de vendas em todos os segmentos de negócio, incluindo minério de ferro e cobre. O resultado da empresa, que é uma das maiores mineradoras de ferro do mundo, veio acima das estimativas do mercado, de US$ 2,1 bilhões, segundo estimativa da LSEG.
Com os números operacionais já divulgados, a XP Investimentos também ressalta outro sólido desempenho de custos.
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A XP ressalta alguns pontos. Em primeiro lugar, a (i) melhor eficiência de custos em Soluções de Minério de Ferro, com C1/t (C1 = custos desde a mina até o porto, excluindo frete/ t= tonelada) a US$ 20,70 a tonelada (-6% versus a projeção da XP e estável na base anual), com a empresa altamente confiante em atingir sua projeção de custo para 2025 de US$ 20,5-22,0/t.
Além disso, houve uma redução de 30% na base anual nos custos all-in de cobre (ajustados para efeitos de streaming não caixa), contribuindo para uma revisão para baixo de sua projeção para 2025 e uma redução de 32% ano a ano.
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Já a dívida líquida expandida foi reduzida para cerca de US$ 16,6 bilhões (-US$ 0,8 bilhão no trimestre), com FCF (fluxo de caixa livre) recorrente de US$ 1,6 bilhão. Isso também foi suportado pela transação da Aliança de US$ 1,0 bilhão, e pagamentos de dividendos de US$ 1,5 bilhão no 3T25.
A XP avalia também o melhor desempenho de preços, apoiando sua mudança estratégica para aumentar os produtos de baixa alumina, o que já está se traduzindo em prêmios mais altos.
“Além disso, uma gestão disciplinada de custos, com C1/t permanecendo sob controle, e a redução no guidance de custos para cobre e níquel, devem ajudar a mitigar o impacto dos preços do minério de ferro potencialmente mais fracos à frente”, avaliam Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, analistas que assinam o relatório da XP.
João Daronco, analista da Suno Research, avalia que o resultado foi positivo, com números bastante sólidos e ligeiramente acima das suas expectativas. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) pró-forma ficou em torno de US$ 4,4 bilhões, representando um crescimento robusto de 28% na comparação anual.
O desempenho reflete, principalmente, três fatores que chamaram a atenção, segundo a Suno: “primeiro, o aumento dos volumes vendidos, que impactou positivamente o resultado da companhia; segundo, a eficiência nos custos, que já era esperada, mas veio acima do projetado e, em terceiro, melhores preços, tanto do minério de ferro quanto do cobre”.
“O minério de ferro segue apresentando um resultado sólido, com uma leve surpresa positiva, enquanto os metais para transição energética continuam puxando fortemente os resultados da Vale”, ressalta Daronco.
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O Ebitda ficou 4% acima das estimativas do Itaú BBA, devido a um desempenho de custos melhor do que o esperado na divisão de ferrosos e resultados mais fortes do que o previsto nos segmentos de níquel e cobre. “No geral, o desempenho operacional foi muito sólido, com: i) produção atingindo níveis recordes desde 2018; e ii) custos de breakeven (ou “ponto de equilíbrio”, em que as receitas igualam os custos) entregues na China em queda. O fluxo de caixa livre (FCF) foi robusto, em US$ 1,6 bilhão, e a dívida líquida expandida caiu para US$ 16,6 bilhões”, aponta o BBA.
Olhando para frente, os analistas do banco esperam que o momento positivo continue, com o 4T25 sendo o trimestre mais forte do ano para a empresa, impulsionado por preços mais altos, embarques mais robustos e melhor desempenho de custos. Também aponta melhora na geração de FCF e uma queda mais acentuada na dívida líquida expandida.
O Morgan Stanley ressalta também números acima do esperado e aponta que não foram anunciados dividendos nem recompra de ações no 3º trimestre de 2025, mas a Vale realizou uma oferta pública de aquisição opcional para todas as debêntures participativas.
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Recomendações
Em meio a esse cenário, o Morgan segue com recomendação equalweight (exposição em linha com o mercado, equivalente à neutra), com preço-alvo de US$ 11,50 para os ADRs (recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York). A XP também tem recomendação neutra: “embora reconheçamos esses desenvolvimentos positivos nos lucros e vejamos potencial para dividend yields (dividendo em relação ao preço da ação) saudáveis no curto prazo, reiteramos nossa recomendação dada a nossa perspectiva relativamente cautelosa sobre os preços do minério de ferro no médio prazo”.
O Goldman Sachs, por sua vez, tem recomendação de compra para os ADRs, com preço-alvo de US$ 14 (potencial de alta de 18%) e esperava uma reação positiva do mercado ao 3T25. Na mesma linha, o Itaú BBA tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), também com preço-alvo de US$ 14.
O Goldman observa que a estratégia comercial/de produção de metais ferrosos da Vale tem se adaptado cada vez mais ao ambiente de mercado e à base de ativos atual, enquanto os resultados do 3T continuam a destacar a melhoria da estratégia operacional e comercial, com os custos totais de metais ferrosos em baixa. Já a melhoria nos custos de metais básicos foi menos evidente neste trimestre devido à paralisação da produção de níquel.
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“Nossa recente conversa com investidores sugere que o sentimento em relação ao case de investimento da Vale está entre os mais fortes que vimos em anos. A visão mais construtiva se baseia principalmente em outras commodities e em empresas do mesmo setor (melhor avaliação e estratégia de alocação de capital mais transparente versus grandes empresas diversificadas)”, avalia o Goldman.
Os investidores não estão otimistas em relação ao minério de ferro, mas a percepção de que os preços podem continuar resilientes no curto prazo (ou pelo menos sem grandes quedas) e o desempenho relativo em comparação com o cobre/ouro podem incentivar alguma tomada de risco em ações de empresas de minério de ferro, reforça.
Assim, entre as grandes empresas, a Vale está sendo negociada com um fluxo de caixa livre mais atraente em comparação com as concorrentes Rio Tinto/BHP e possui uma estratégia de alocação de capital mais transparente.
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“Para os investidores domésticos, muitos também estão cautelosos em relação às principais commodities no Brasil (incluindo petróleo, proteína e celulose), e a Vale se destaca em termos de retorno sobre o fluxo de caixa livre e pode ser relativamente defensiva em um ano eleitoral como o de 2026 (embora, por enquanto, a preferência tenha sido por empresas nacionais que se beneficiam da expectativa consensual de queda das taxas de juros no Brasil)”, vê o Goldman.
Para o BTG Pactual, que recentemente elevou a recomendação da mineradora de neutra para a compra, a visão é de que Vale superou problemas institucionais e operacionais, recuperando a confiança dos investidores e está com valuation atrativo.
A Genial Investimentos tem recomendação para a Vale, com preço-alvo de R$ 75, salientando que a ação da companhia vive um bom momento, com (i) claridade na conjuntura macro pelo recém-divulgado acordo entre EUA-China e (ii) preço do minério com pureza 62% em um patamar bem mais alto de preço (US$ 107/t no spot) versus o que projeta no início do ano para a segunda metade do ano (média de cerca de US$ 90/t na estimativa anterior).

há 2 meses
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