Vale a pena investir em Track&Field (TFCO4)? Tracanella traz um panorama

há 2 meses 14
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Bem distante do universo esportivo, Fernando Tracanella iniciou sua carreira no mercado financeiro, em 1991, como analista de Research no Unibanco, e mais tarde passou por instituições como o Banco Patrimônio e o Deutsche Bank.

“Essa experiência foi muito importante para desenvolver uma capacidade analítica, entender balanços e fazer valuation, algo valioso para toda a minha trajetória”, contou, em entrevista ao programa Expert Talks – Na Mesa com CEOs, da XP.

O atual CEO lembra que o contato com executivos de alto nível e o aprendizado técnico moldaram sua visão de negócios. O pai, um dos primeiros profissionais de Relações com Investidores (RI) do Brasil, acabou influenciando o início da carreira.

“Meu pai foi RI da Metal Leve (LEVE3) e depois da Perdigão. Acabei indo para essa área muito por influência dele”, afirmou.

Em 1999, Tracanella deixou o mercado financeiro para ingressar na área de RI do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), companhia que ele acompanhava como analista. “Foi uma escola muito legal. Pude rodar diversas áreas — planejamento estratégico, M&A, controladoria — e atuar como CFO. Além disso, aprendi a lidar com uma empresa de dono, algo que ajuda muito hoje, já que a Track&Field também é uma companhia com essa característica”, destacou.

Da saúde ao esporte

Após quase 17 anos no Pão de Açúcar, Tracanella ingressou no Grupo Pátria, atuando no setor de saúde em empresas investidas pelo fundo. A experiência foi marcada por operações de M&A e consolidação, mas, em 2018, ele decidiu fazer uma pausa na carreira. “A ideia era ficar um tempo estudando e viajando, mas um headhunter me ligou oferecendo uma vaga em uma empresa de varejo esportivo. Logo pensei: ‘poderia ser a Track&Field’ — e era”, contou, entre risos.

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O executivo, que já era cliente da marca, viu no convite a chance de unir duas paixões: varejo e esportes. Ele ingressou na Track&Field como CFO e diretor de expansão, pouco antes da profissionalização da gestão. “Em 2018, a empresa passava por uma transição de governança, com a chegada de executivos de mercado. O IPO ainda era uma ideia distante, pensada para 2023”, explicou.

Com o aquecimento do mercado e a taxa Selic a 2% em 2019, os planos foram antecipados. A companhia fez o filing do IPO em março de 2020 — duas semanas antes do início da pandemia. “O IPO ficou em segundo plano. Nosso foco passou a ser a sobrevivência da empresa e a saúde financeira dos franqueados”, lembrou.

O IPO em plena pandemia

Durante a crise sanitária, a Track&Field percebeu uma oportunidade inesperada. “Houve uma demanda muito grande pelos nossos produtos. As pessoas estavam em casa, cuidando da saúde, e o movimento de vendas voltou com força”, afirmou. O IPO, adiado, acabou sendo concretizado em outubro de 2020. “Costumo dizer que fiz o roadshow do meu quarto”, brincou o CEO.

O sucesso da abertura de capital se deveu, em grande parte, à agilidade da empresa em estruturar sua estratégia de omnicanalidade. Segundo Tracanella, o modelo foi acelerado durante a pandemia, com integração entre lojas e e-commerce.

“Hoje, 70% das vendas online são faturadas pelas lojas físicas, o que trouxe o franqueado para dentro da estratégia digital. Antes ele via o e-commerce como concorrente; agora, é um canal complementar”

O executivo também destacou o papel do social selling, com vendedores atendendo clientes via WhatsApp, o que manteve a operação ativa durante os períodos de isolamento.

Raízes e consistência de marca

Fundada em 1988 por Beto, Ricardo e Fred, a Track&Field nasceu de um projeto entre amigos que vendiam camisetas no colégio. A marca começou voltada ao triatlo, mas rapidamente expandiu para corrida e fitness.

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“Desde o início, a Track&Field nunca perdeu o foco em esporte, qualidade e tecnologia dos tecidos. Essa consistência é um dos segredos do sucesso”

Ao longo do tempo, a empresa construiu um modelo de negócio baseado em experiências. Desde a década de 1990, organiza corridas de rua e eventos esportivos, que ajudam a fortalecer a marca e fidelizar consumidores. “Sempre combinamos tecnologia e design. Nosso diferencial está em ser um varejo de moda esportiva, com lojas que proporcionam uma experiência completa”, destacou.

Ecossistema de wellness

A Track&Field expandiu sua atuação para além do vestuário, construindo um ecossistema voltado ao bem-estar. O braço de eventos, a T&F Sports, liderado por Fred Wagner, é hoje um negócio próprio dentro do grupo. “Antes era apenas uma forma de marketing, mas hoje é uma operação rentável e com potencial de geração de valor para o acionista”, disse o CEO.

O aplicativo da T&F Sports reúne mais de um milhão de usuários e sete mil treinadores cadastrados. A plataforma também dá origem a novas verticais, como o T&F Mall — marketplace de artigos esportivos — e o T&F Café, minimercado de alimentação saudável que já conta com 15 unidades no país. “Nosso objetivo é ser um one-stop shop da vida saudável, oferecendo desde roupas até alimentação e serviços”, explicou.

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Crescimento sustentável e expansão internacional

Mesmo em expansão, a companhia mantém ritmo controlado de abertura de lojas, com cerca de 40 novas unidades por ano.

“Poderíamos crescer mais rápido, mas priorizamos a qualidade da operação e a escolha de franqueados alinhados com nossos valores. O ponto certo e o operador certo são fundamentais”

Com lojas em cidades de 100 a 200 mil habitantes, o formato da Track&Field permite escalabilidade sem grandes investimentos em estruturas físicas. Segundo o CEO, ainda há espaço para dobrar o tamanho da rede no Brasil, que atualmente supera 400 lojas.

Em paralelo, a marca começa a trilhar seu caminho internacional. “Abrimos nossa primeira loja em Portugal no ano passado e estamos inaugurando mais duas em 2025. É o início de uma nova avenida de crescimento, com o mesmo modelo de franquia e eventos que aplicamos no Brasil”, revelou.

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Foco na rentabilidade e no cliente

O crescimento médio anual da companhia entre 2019 e 2024 foi de 25%, impulsionado principalmente pelas vendas nas mesmas lojas. “Temos um desafio de manter esse ritmo, mas há muito espaço ainda — com reformas que dobram o desempenho das unidades e um e-commerce que representa apenas 10% da receita, há margem para crescer”, avaliou.

A Track&Field também aposta em tecnologia e CRM para explorar melhor sua base de clientes. “Há um potencial enorme na personalização de ofertas e no relacionamento digital. Nosso propósito é continuar crescendo com consistência, mantendo a essência da marca e a conexão genuína com o consumidor”, concluiu.

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