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Muitos americanos têm opiniões fortes sobre o chamado “Estado grande”. Para alguns, o termo virou sinônimo de ineficiência, desperdício e autoritarismo. Críticos afirmam que os gastos públicos e o inchaço burocrático são obstáculos ao crescimento econômico e ao sucesso individual. Mas, segundo Scott Galloway, empreendedor em série e professor de Marketing da Universidade de Nova York (NYU), essa visão não conta a história completa. Na verdade, ele diz que algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo devem sua prosperidade ao “Estado grande” — incluindo ele próprio.
Em uma ampla conversa com Shane Smith, da Vice, publicada em outubro, Galloway contou que nunca teria alcançado o sucesso se a UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) não tivesse lhe dado uma chance. Quando se candidatou à universidade na adolescência, ele foi rejeitado. Tinha uma média de 3,1 e pontuação 1.130 de 1.600 no SAT (exame para admissão em universidades nos EUA) .
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“A taxa de admissão da UCLA era de 74%. Quando me inscrevi, fui um dos 26% que não entraram”, contou Galloway a Smith. “Voltei pra casa e desabei. Fiquei muito abalado. Sempre achei que era inteligente. Sempre me disseram que eu era inteligente, e eu queria fazer algo maior.”
Com o incentivo da mãe, Galloway recorreu da decisão e se encontrou com um funcionário do setor de admissão. O que aconteceu depois mudou completamente sua perspectiva de vida.
“Isso literalmente me inspirou a uma espiral ascendente”, disse. “Sou um produto do grande Estado. Todo mundo adora falar mal do governo. Mas os contribuintes da Califórnia e os coordenadores da Universidade da Califórnia salvaram a minha pele.”
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Frequentar a UCLA mudou o rumo de sua vida. Galloway trabalhou no Morgan Stanley, fez um MBA na Universidade da Califórnia em Berkeley e fundou a empresa L2, vendida à Gartner por US$ 155 milhões em 2017. E ele pôde retribuir à universidade que lhe abriu as portas.
“Isto é uma ostentação, mas eu vou dizer: há três anos, doei US$ 12 milhões de volta para a UCLA”, contou Galloway. “Então, adivinhe? Apostar em pessoas comuns dá retorno.”
Galloway afirmou que as universidades americanas seguem hoje uma filosofia bem diferente da de sua juventude. Este ano, segundo ele, a taxa de admissão da Universidade Vanderbilt ficará abaixo de 4%, menor que a de Harvard, mesmo com menos candidatos competindo por vagas.
“Quando eu cresci, a América valorizava os jovens comuns”, disse, destacando que o sistema da Universidade da Califórnia era praticamente gratuito para estudantes qualificados, financiado pelos contribuintes estaduais e criado para democratizar oportunidades.
Hoje, o ensino superior funciona, segundo Galloway, como “um fundo de hedge que oferece aulas”. As universidades, mesmo com fundos patrimoniais bilionários, estão restringindo admissões em vez de ampliar o acesso, criando uma escassez artificial que eleva os custos.
As consequências econômicas vão muito além dos campi universitários. Os jovens adultos enfrentam barreiras inéditas aos tradicionais marcos de estabilidade. Os preços das casas dispararam; a dívida estudantil persegue os jovens como uma sombra — até mesmo após falências pessoais —, e hoje, observou Galloway, um em cada cinco homens de 30 anos ainda vive com os pais.
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“Infelizmente, agora nos Estados Unidos, o melhor indicador do sucesso do seu filho é quanto dinheiro você tem”, afirmou. “E há algo de errado nisso.”
Segundo Galloway, os recursos públicos são fundamentais para gerar oportunidades, inovação, crescimento econômico e mobilidade social. Mas o sistema atual está otimizado para a exclusividade, concentrando riqueza e alimentando ressentimento.
Para ele, a verdadeira questão que os EUA enfrentam não é se pode dar ao luxo de apostar em pessoas comuns — mas se pode se dar ao luxo de não fazê-lo.
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