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Ao longo de quatro semanas, a Paramount fez três propostas para comprar a Warner Bros. Discovery, aumentando o valor financeiro de um acordo que poderia transformar o cenário da mídia.
No entanto, todas as tentativas, iniciadas em meados de setembro, foram rejeitadas, inclusive a oferta da Paramount que permitiria ao CEO da Warner Bros., David Zaslav, permanecer como co-CEO e co-presidente da empresa combinada.
Os detalhes dessas propostas secretas foram descritos em uma carta que David Ellison enviou ao conselho da Warner Bros. e que foi analisada pelo The New York Times.
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O conteúdo completo da carta não havia sido divulgado até agora, mas ajuda a explicar o que motivou o anúncio da Warner Bros. na terça-feira de que a empresa estava à venda.
A decisão desencadeou uma onda pública de interesse de outros potenciais compradores nesta semana, incluindo Comcast e Amazon. Caso façam ofertas, isso pode pressionar a Paramount a aumentar ainda mais sua proposta.
A Warner Bros. Discovery informou na terça-feira que iniciou o processo de venda devido ao “interesse não solicitado de múltiplas partes” tanto por partes quanto pela totalidade da empresa.
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A primeira oferta da Paramount foi de US$ 19 por ação, subindo para US$ 22 no final de setembro.
A proposta mais recente da Paramount, entregue em 13 de outubro, oferecia pagar aos acionistas US$ 23,50 por ação em dinheiro e ações, segundo a carta. Essa oferta representava um prêmio de 87% em relação ao preço das ações da Warner Bros. Discovery antes de a intenção de fazer a oferta ser divulgada no início de setembro.
Na quarta-feira, as ações da Warner Bros. fecharam em US$ 20,53.
A aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount representaria uma mudança tectônica para a indústria de mídia. Uniria dois dos maiores estúdios de Hollywood, Warner Bros. e Paramount, conferindo enorme influência nas bilheterias e colocando CNN e CBS News sob o mesmo guarda-chuva corporativo, o que daria à nova empresa grande poder sobre o setor de notícias. Também combinaria os serviços de streaming Paramount+ e HBO Max, levando filmes e séries para centenas de milhões de lares.
“Estamos confiantes de que somos o melhor parceiro para a WBD, com a combinação de nossas duas empresas criando um campeão de Hollywood em escala, beneficiando acionistas, consumidores e a indústria do entretenimento como um todo”, escreveu Ellison.
O anúncio de terça-feira indicou que a Warner Bros. Discovery ainda considerava outras opções, incluindo os planos de dividir a empresa em duas, anunciados em junho, além da avaliação de ofertas concorrentes.
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Na carta, a Paramount argumentou ser o único comprador viável para a Warner Bros., afirmando que qualquer oferta rival provavelmente viria de uma empresa maior, sujeita a rigorosa análise regulatória. Ellison defendeu que o acordo criaria um competidor mais forte contra esses gigantes.
“Outros potenciais compradores da WBD — hoje ou no futuro — teriam que superar obstáculos significativos (talvez intransponíveis) devido às suas posições dominantes no mercado”, escreveu Ellison.
Analistas afirmam que nenhum comprador, incluindo a Paramount, escapará de uma rigorosa fiscalização regulatória, dado o grau de concentração da indústria de mídia e a animosidade de longa data do presidente Donald Trump contra a CNN.
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A Paramount já possui um estúdio de cinema significativo, e a Comcast abandonou sua oferta pela Time Warner Cable em 2015 devido a preocupações antitruste.
A Amazon, com mais de 200 milhões de assinantes, é a segunda maior plataforma de streaming do país, atrás apenas da Netflix. Também enfrentou escrutínio antitruste na Europa, onde reguladores precisariam aprovar qualquer acordo.
Considerações políticas também podem influenciar a análise, segundo analistas.
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“Uma das coisas que acho realmente crítica aqui é a política por trás disso: qual deles Donald Trump gostaria ou não?”, disse Peter Cohan, professor do Babson College. “Ele estaria disposto a agir porque alguém de seus apoiadores está envolvido?”
Larry Ellison, pai de David Ellison e apoiador da oferta, tem uma relação amistosa com Trump, o que poderia ajudar no processo de aprovação, segundo analistas. Eles também destacam as críticas de Trump ao presidente da Comcast, Brian Roberts, alvo de ataques nas redes sociais.
Comcast, Paramount e Warner Bros. Discovery preferiram não comentar.
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Ellison, 42 anos, o novo magnata da mídia que neste verão assumiu o controle da Paramount, tem investido livremente para reposicionar a empresa. Ele adquiriu direitos nos EUA para o Ultimate Fighting Championship, contratou os criadores de “Stranger Things” da Netflix e comprou o site de notícias The Free Press.
“Nossa recente série de acordos exclusivos de conteúdo indica o tipo de investimentos que poderíamos realizar em conjunto”, escreveu Ellison.
Na carta, Ellison defende que vender é um caminho melhor do que a divisão da empresa, prevista para abril. Ele argumenta que o negócio de TV a cabo da Warner Bros. Discovery enfrentará forte pressão após perder os direitos dos jogos da NBA, e que o serviço de streaming, incluindo HBO Max, terá dificuldades para competir com gigantes como YouTube e Netflix.
Ellison afirmou que analistas estimam que o valor por ação para os acionistas em uma divisão da Warner Bros. Discovery seria, em média, cerca de US$ 15 — muito abaixo do preço da oferta de US$ 23,50 por ação.
A carta também detalha outras concessões feitas pela Paramount para convencer o conselho da Warner Bros.: aumentou a parte do pagamento em dinheiro aos acionistas de 60% para 80% e elevou a taxa a ser paga aos acionistas caso o acordo não seja aprovado, de US$ 2 bilhões para US$ 2,1 bilhões.
c.2025 The New York Times Company

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