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A Tesla pode estar mais perto do que nunca de transformar seu robô humanoide Optimus em realidade comercial. Segundo a mídia chinesa, a montadora teria fechado um contrato de US$ 685 milhões (cerca de 5 bilhões de yuans) com a fornecedora chinesa Sanhua Intelligent Controls para aquisição de atuadores lineares — componentes cruciais para movimentação robótica. A escala do pedido sugere capacidade para fabricar aproximadamente 180.000 unidades do robô, sinalizando transição definitiva de protótipos para manufatura em larga escala.
As entregas dos componentes devem começar no primeiro trimestre de 2026, coincidindo com declarações anteriores de Elon Musk sobre início da produção comercial do Optimus. A informação circulou inicialmente em veículos chineses como Sina News e provocou reação imediata no mercado acionário: as ações da Sanhua Intelligent Controls atingiram o limite diário de valorização de 10% na bolsa chinesa.
Fornecedores negam, mercado especula
Apesar do entusiasmo dos investidores, tanto Tesla quanto Sanhua adotaram postura cautelosa. Representantes da Tesla China declararam não haver “informações oficiais sobre este pedido que possam ser divulgadas externamente”. A Sanhua, por sua vez, confirmou apenas que o negócio de robótica da empresa “progride suavemente”, sem comentar rumores de mercado. Em nota oficial, a companhia chinesa chegou a negar formalmente a existência de eventos materiais não divulgados, reforçando compromisso com transparência corporativa.
A ambiguidade alimenta especulações sobre possíveis acordos de confidencialidade ou estratégias de timing de divulgação. Analistas da Huachuang Securities avaliam que a movimentação, independente de confirmação imediata, evidencia maturidade da cadeia de suprimentos para humanoides. A Sanhua já fornece componentes para veículos elétricos da Tesla, o que tornaria natural a expansão da parceria para robótica.
Superação de obstáculos técnicos
O suposto pedido em grande volume indica que a Tesla pode ter resolvido problemas técnicos que atrasavam o projeto. Reportagens de julho de 2025 revelaram desafios significativos na terceira geração do Optimus, incluindo superaquecimento de motores articulares, baixa capacidade de carga nas mãos, vida útil limitada de caixas de redução e duração insuficiente de bateria. A empresa chegou a pausar a produção após fabricar cerca de mil unidades, reduzindo a meta de 5.000 robôs em 2025 para apenas 2.000.
Elon Musk reconheceu publicamente a complexidade do desenvolvimento: “É um problema muito difícil de resolver. Você precisa projetar cada parte a partir de princípios físicos fundamentais — cada motor, caixa de redução, eletrônica de potência, sensores e elementos mecânicos”. Em junho de 2025, o CEO afirmou que o Optimus Gen 3 teria “tantas melhorias” em relação à versão anterior. Em setembro, esclareceu que as unidades douradas mostradas publicamente eram versão 2.5, não a Gen 3, descrevendo esta última como “sublime”
Cadeia de suprimentos chinesa como pilar estratégico
A escolha de fornecedores chineses reflete estratégia deliberada de custo e escala. Fabricantes chineses ocupam cerca de 70% da cadeia de suprimentos da Tesla, aproveitando vantagens em preço e velocidade de iteração tecnológica. Cada Optimus requer entre 28 e 40 módulos articulares, envolvendo redutores harmônicos, servomotores e atuadores de alta precisão.
A Sanhua desenvolveu atuadores lineares que atingem padrões internacionais de precisão e durabilidade, com margem bruta acima de 35%. Empresas como Green Harmonic (redutores harmônicos) e Inovance Technology (servomotores) também expandem capacidade para atender demanda de robôs humanoides, com novas fábricas previstas para 2026. Além de componentes mecânicos, a cadeia chinesa fornece soluções de visão computacional através de empresas como Cambricon, cujos chips MLU370-X8 apresentam 15% menos consumo energético que produtos Nvidia equivalentes.
Visão de longo prazo: robô em cada residência
Musk posicionou o Optimus como produto potencialmente mais valioso que os carros elétricos da Tesla. A empresa projeta inicialmente uso industrial — fábricas, armazéns, logística — antes de expansão para mercado consumidor em tarefas domésticas, cuidados médicos e assistência educacional. Relatório do Goldman Sachs estima que penetração de 10% de robôs humanoides no mercado global representaria escala de US$ 5 trilhões.
O robô utiliza arquitetura de redes neurais derivada do sistema Autopilot de veículos Tesla, permitindo aprendizado ambiental rápido e predição comportamental. Recentemente, a empresa demonstrou o Optimus executando movimentos de kung fu aprendidos inteiramente por IA, sem programação humana — evidência de capacidades avançadas de controle de movimento em tempo real. A versão Gen 3 conta com 22 graus de liberdade em cada mão, habilitando destreza equiparável à humana.
A Tesla planeja escalar produção para 1 milhão de unidades anuais nos próximos cinco anos, com preço-alvo abaixo de US$ 30.000 por unidade. Se confirmadas, as 180.000 unidades viabilizadas pelo pedido à Sanhua representariam 18% dessa meta quinquenal, estabelecendo base sólida para crescimento exponencial a partir de 2026.

há 2 meses
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