Taxas da renda fixa privada sobem, em correção após queda acentuada; entenda

há 2 meses 19
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O mercado de crédito privado encerrou a última semana com aumento generalizado dos spreads, em meio ao fechamento da curva de juros (queda de juros futuros) e da melhora dos indicadores de inflação. Segundo levantamento realizado pelo Itaú BBA, o spread de crédito incentivado, que tem isenção de Imposto de Renda, avançou 21,2 pontos-base no período, enquanto o das debêntures tradicionais subiu 8,7 pontos-base.

O Bradesco BBI pontuou que a alta dos spreads incentivados foi disseminada entre papéis de diferentes setores e classificações de risco, refletindo uma correção de mercado após atingirem os menores níveis da série histórica. A abertura dos spreads tem, portanto, caráter mais técnico.

Analistas reforçam que a mudança não reflete deterioração nos fundamentos das companhias, mas a percepção de risco segue alta. Ainda assim, a captação manteve ritmo positivo e acelerou na semana. Os fundos de crédito acumularam entradas de R$ 3,7 bilhões em outubro, sendo R$ 2,8 bilhões apenas na última semana. Já os fundos de infraestrutura somaram aportes de R$ 1,6 bilhão no mês e R$ 800 milhões na última semana.

O movimento ocorre diante de um fechamento dos juros ao longo da curva, acompanhando o aumento das apostas em cortes da Selic a partir do primeiro trimestre de 2026. O contrato de DI para janeiro de 2026 encerrou a última semana em 14,89% (-0,7 ponto-base), o DI jan/27 em 13,81% (-20,5 bps), o DI jan/29 em 13,07% (-29,5 bps) e o DI jan/31 em 13,3% (-30,5 bps). As NTN-Bs com vencimento em 2030 fecharam em 7,9% ao ano, ante 8,07% na semana anterior.

Nos Estados Unidos, os rendimentos das Treasuries também recuaram, com as taxas de dois anos em 3,48% (-8,56 bps) e de dez anos em 4,02% (-9,78 bps), após o CPI vir abaixo do esperado.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,18% em outubro, abaixo das projeções do mercado. A inflação acumulada em 12 meses caiu de 5,32% para 4,94%, voltando a ficar abaixo de 5%. A XP destacou que os núcleos de preços mostraram desaceleração e revisou sua projeção para o IPCA de 2025 de 4,7% para 4,6%, com viés de baixa.

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Apesar disso, a inflação continua acima da meta de 3% do Banco Central, ultrapassando o limite superior de 4,5%. Para a XP, o resultado ainda exige cautela quanto ao ritmo de cortes da Selic e ao controle de preços nos próximos trimestres.

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