Sky defende produção de conteúdo por operadoras de TV por assinatura

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Gustavo Fonseca, presidente da Sky, no +TV ForumGustavo Fonseca, presidente da Sky, no +TV Forum. Foto: Marcos Mesquita

Para a Sky, o fim das restrições de produção de conteúdo pelas operadoras de TV por assinatura seria benéfico ao setor audiovisual brasileiro e colocaria o País em pé de igualdade com outros mercados onde a prática é corriqueira. O tema entrou em debate no PL do streaming, mas não fez parte do texto final do PL 8.889 aprovado pela Câmara.

"Se o projeto mira incentivar a produção de conteúdo nacional, então por que faria sentido deixar de fora as maiores distribuidoras de conteúdo do Brasil?", questionou o presidente da Sky, Gustavo Fonseca, em conversa com TELETIME durante encontro com a imprensa realizado pela empresa nesta quinta-feira, 13, em São Paulo.

"No mundo inteiro as distribuidoras têm a produção de conteúdo como algo normal", disse Fonseca, classificando como anacrônicas as restrições do Brasil à chamada propriedade cruzada. Na tramitação do PL do streaming na Câmara, o fim das limitações chegou a entrar no texto, mas ficou fora da versão que vai ao Senado.

Pelas regras da Lei do SeAC, as operadoras de TV paga não podem produzir conteúdo audiovisual para veiculação própria, ficando assim impedidas de adquirir ou financiar direitos sobre eventos de interesse nacional (como eventos esportivos) e de contratar talentos artísticos ou direitos de obras audiovisuais nacionais.

O cenário é distinto nos vizinhos da América Latina onde atua a Vrio (controladora da Sky). Com a DirecTV/DGo, o grupo tem direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 na Argentina e também é dono da Torneos y Competencias, que produz programação esportiva, filmes e documentários. Já o canal de notícias DNews é transmitido em diferentes mercados latino-americanos e agora começa a ser licenciado, notou Fonseca.

Segundo o CEO da Sky, a possibilidade de produção seria especialmente interessante no Brasil, onde o público costuma consumir mais conteúdo doméstico do que a média internacional. Entre assinantes da Sky, de 70% a 80% da audiência está vinculada a produções brasileiras, afirmou o CEO, considerando canais de notícias, esportes e outros.

A Sky espera que o fim da vedação à propriedade cruzada volte a ser discutido no Senado, onde a tramitação do texto ainda é incerta. Fonseca reconheceu que o PL do streaming tem temática complexa, sobretudo por englobar uma gama ampla de players, com modelos de negócios distintos.

A própria Sky tem ampliado a aposta no streaming com o Sky+, que complementa a oferta de TV por assinatura tradicional. Cerca de metade dos usuários da plataforma é associada à base de assinantes da TV paga, enquanto a outra metade já realiza a contratação de forma autônoma, apontou Fonseca.

No PL do streaming, uma das preocupações da Sky é caso assinantes que já pagam a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) através da TV paga sejam obrigadas a pagar a contribuição novamente por utilizarem o streaming, indicou o presidente da empresa.

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