Selic em 15% ao ano: como investir em renda fixa, ações, fundos e no exterior?

há 2 meses 17
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (5), manter a Selic em 15% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado, que agora foca no início do ciclo de cortes dos juros. Nos investimentos, há ativos vencedores e outros que perdem atratividade com a decisão do Copom. 

A renda fixa ainda é um “ambiente muito atrativo para quem busca segurança e retorno real”, segundo Andressa Bergamo, especialista em Investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital. As ações, impulsionadas pela perspectiva de queda da Selic e fatores externos, também vivem momento positivo. 

Por outro lado, a manutenção da Selic em 15% ao ano afeta negativamente os fundos imobiliários, enquanto o crédito privado também tem atratividade limitada com prêmios amassados. 

Confira o que especialistas recomendam nas principais classes brasileiras e internacionais de ativos após mais uma manutenção da Selic: 

Títulos públicos 

Com um corte de juros esperado para o início de 2026, a alocação em renda fixa passa por um momento de transição, segundo Bergamo. Nesse contexto, a preferência recai sobre os títulos do Tesouro IPCA+, que entregam juro real de até 8% atualmente. “É uma opção muito interessante por conta da proteção contra a inflação e por ser um título que dá certo em cenários de corte de juros”, diz Victor Furtado, head de alocação na W1 Capital. 

Para o especialista, os papéis de inflação com vencimentos mais longos são os mais indicados agora: “prefiro pegar mais ciclos de inflação para obter resultados melhores, mesmo que por uma taxa um pouco menor”. 

Os papéis do Tesouro Selic continuam sendo importantes nas carteiras de renda fixa: “seguem entregando retornos reais elevados com risco praticamente nulo. Por outro lado, os prefixados “inspiram maior cautela”, segundo Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, que cita incertezas fiscais e eleitorais que podem gerar volatilidade nos juros futuros e limitar o ganho dos investidores. 

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Crédito privado 

As debêntures, CRIs, CRAs e outros ativos de crédito privado perderam “parte do apelo relativo” na comparação com títulos públicos por conta dos spreads apertados, segundo Saadia. Com a demanda ainda forte por esses papéis, empresas vêm aproveitando para emitir dívidas pagando prêmios cada vez menores em relação ao Tesouro Direto. 

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Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, destaca a importância de analisar com cuidado os emissores antes de comprar um papel. Ele prefere evitar papéis de empresas posicionadas em setores cíclicos, como varejo, e diz que as debêntures incentivadas – que estão se tornando as queridinhas do investidor pessoa física – “são bons instrumentos, mas é preciso uma avaliação muito cuidadosa do título em questão”. 

Saadia diz preferir títulos públicos, mas os papéis do crédito privado ainda podem ser usados para aumentar a diversificação da carteira “desde que o investidor conte com boa análise de risco ou acesso o mercado via fundos especializados. 

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Ações

Ainda há fôlego para valorização da Bolsa, segundo João Daronco, analista da Suno Research. Para ele, a decisão do BC não é surpresa para o mercado e não deve impactar negativamente os preços. O mais importante para sua avaliação otimista é o valuation “ainda descontado quando olhamos médias históricas”. 

Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, recomenda manter uma carteira diversificada e uma reserva “interessante” para aproveitar eventuais correções. Para ele, se a Bolsa cair no curto prazo, a queda deve ser vista como oportunidade para comprar mais barato. O especialista gosta da exposição a setores sensíveis aos juros agora, mas também indica a manutenção de ações dos setores financeiro e de commodities. 

As ações que geralmente vão bem em ciclos de queda da Selic estão no radar da Eleven, conta Fernando Siqueira, head de research da casa. Small caps, bancos, varejo e utilidades públicas representam oportunidades agora, enquanto empresas ligadas ao petróleo e à celulose vêm sendo evitadas pela Eleven. Já Daronco diz que o setor de aviação não é indicado pela Suno agora, citando “dificuldades estruturais”. 

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Fundos de investimento

A manutenção da Selic em 15% e a expectativa de cortes em 2026 até fechar o ano em cerca de 12%, de acordo com projeções, vai manter a taxa básica de juros em patamar ainda alto o suficiente para tornar as aplicações em renda fixa ainda atraentes, especialmente em pós-fixados, avalia Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners.

Assim, fundos com essas classes de ativos seguem sendo uma boa estratégia. Rafael Espinoso, estrategista da Tivio Capital, sugere aumento de prazo nas NTNBs (Tesouro IPCA+) de cinco para até oito anos, e em prefixados em até 2 anos e meio. A posição da casa ainda é neutra para bolsa, à espera do “gatilho do juro longo”, o que reflete em fundos de renda variável e multimercados. No câmbio, a visão é estrutural de valorização do real, ancorado pelo carry trade dos juros e uma moeda americana mais desvalorizada em 2026.

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Arnaldo Lima, líder de RI da Polo Capital, destaca que o recente recuo da taxa de juros real ex-ante tem estimulado maior disposição ao risco, o que, aliado à perspectiva de consolidação fiscal, tende a atrair fluxos estrangeiros e impulsionar a participação de fundos de pensão, RPPS e investidores institucionais em fundos de renda variável.

Ainda assim, permanecem boas oportunidades na renda fixa, especialmente em fundos de crédito privado, que continuam se expandindo. Lima sugere uma alocação equilibrada entre classes de ativos, a estrutura de passivos de cada investidor. “Nesse cenário, acreditamos que os fundos long & short que buscam retorno independente dos ciclos macroeconômicos, tendem a ganhar relevância nos próximos anos”, diz.

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Fundos imobiliários 

Com a manutenção da Selic diminuindo o apetite por fundos imobiliários, a Nomos optou por uma alocação defensiva, usando principalmente fundos de papel, que investem em CRIs: “os fundos indexados ao CDI acabam mantendo um patamar de distribuição mais estável”, afirma Tiago Waldeck, especialista de FIIs da Nomos. 

Já Sérgio Tormin, head de Real State na Blue3 Asset, afirma que a expectativa de queda da Selic e o controle da inflação tendem a beneficiar o setor imobiliário nos próximos trimestres, o que abre um “excelente ponto de entrada para quem acredita no potencial do setor”. Os fundos de papel também se destacam em suas recomendações, que ainda incluem os FIIs que investem em galpões logísticos: “as cotas desses fundos seguem bastante descontadas em relação ao valor patrimonial, o que cria potencial relevante de valorização conforme o mercado volte a precificar a normalização dos juros”. 

O cenário atual favorece quem busca diversificação e rendimentos acima da inflação, mas é preciso seletividade e foco no longo prazo, avalia Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos. “Com preços descontados, há oportunidades interessantes, especialmente em fundos com boa gestão, contratos de longo prazo e ativos de qualidade. O momento é mais de acumular posições do que de buscar ganhos rápidos”. 

Investimentos internacionais

Para Bergamo, da AVG Capital, o cenário de cortes na Selic à frente muda a atratividade relativa entre Brasil e exterior. “Quando a taxa doméstica começa a cair, os ativos locais principalmente os de renda fixa tendem a perder rendimento real, enquanto os ativos globais ganham apelo, especialmente por oferecerem diversificação geográfica e cambial”, avalia.

Segundo Bergamo, o juro real brasileiro ainda elevado cria uma janela de transição interessante, pois o investidor pode usar parte do rendimento local para dolarizar gradualmente a carteira, aproveitando o real ainda valorizado antes de uma eventual alta do dólar com o início dos cortes. 

“Os investimentos internacionais fazem bastante sentido neste momento, não apenas pelo potencial de retorno, mas pela proteção patrimonial e diversificação frente ao risco Brasil, à volatilidade fiscal e à concentração em renda fixa local. É um movimento de visão de longo prazo, não apenas tático”, diz.

Gustavo Marques, economista e sócio da The Hill Capital, avalia que a previsão de início de cortes no ano que vem abre espaço para uma diversificação para o mercado internacional, especialmente pela proteção cambial. “Com os juros caindo, o real tende a perder força frente ao dólar, e passa a capturar oportunidades em outras economias, além de exposição a setores e empresas globais como a Europa e os EUA que não tem uma exposição direta, como setores de crescimento e inovação”, diz.  

A composição ideal vai depender do tipo de perfil do investidor. Segundo Marques, os ETFs globais de ações dão exposição ampla e diversificada a economias desenvolvidas. A renda fixa internacional, como títulos do tesouro americano, ETFs de Bonds, ou fundos globais de crédito também são ótimas opções aproveitando os juros nos EUA ainda próximos do pico, avalia.

“Acredito que há oportunidades de ganho com o FED cortando juros também em fundos ou ETFs de setores diversificados como de tecnologia, semicondutores e exposição a tendências estruturais de longo prazo, o que não existe no mercado brasileiro” avalia. 

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