S&P indica expansão mais lenta da Desktop; qual a estratégia do provedor?

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desktopFoto: Desktop

Em análise atualizada sobre as condições financeiras da Desktop, a agência de classificação de risco Standard & Poor's Global (S&P) indica que, a partir de 2026, o provedor paulista deve moderar o ritmo de expansão da base, concentrando-se em aumentar a rentabilidade e reduzir o churn (taxa de evasão de clientes) de banda larga.

Entre outros pontos, a agência demonstra preocupações com a diminuição da receita média por usuário (ARPU, na sigla em inglês) em cerca de 4% no segundo trimestre deste ano, o que fez com que a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuasse para 49,8% em 12 meses, conforme relatório divulgado na noite de quarta-feira, 29.

Vale notar que, embora a Desktop não tenha dito oficialmente, a empresa também sinaliza desaceleração na expansão da carteira nos próximos anos.

O provedor fechou o mês de agosto com 1,19 milhão de clientes de banda larga, alta de 8,3% em 12 meses. Nesse intervalo, a empresa ganhou 91,6 mil clientes de Internet fixa, de acordo com dados disponibilizados pela Anatel.

Na semana passada, a Desktop divulgou ao mercado todas as características de sua nona emissão de debêntures, que totalizou R$ 800 milhões em títulos incentivados. Na justificativa da oferta, a empresa apontou que projeta investir em expansão e modernização de suas redes, além de ampliar a base com 600 mil novos acessos nos próximos sete anos. Desse modo, alcançaria cerca de 1,8 milhão de assinantes em 2032.

Nota-se, portanto, que o provedor estima um incremento anual de base de aproximadamente 85 mil clientes por ano – número inferior ao saldo em 12 meses até agosto (91,6 mil).

Por mês, a carteira ganharia cerca de 7 mil assinantes. No primeiro semestre deste ano, a média mensal foi de 7,5 mil novos acessos (28 mil no primeiro trimestre e 17 mil no segundo).

Diversificação de receitas

No relatório, no qual reafirmou o rating bra+ com perspectiva estável para a Desktop, a S&P destaca que a empresa deve entrar em uma fase de desenvolvimento de novos segmentos, além de reduzir o capex de expansão de rede, estratégia já anunciada pela diretoria do provedor.

A agência ressalta as iniciativas de telefonia móvel (segmento em que o provedor atua como MVNO em parceria com a Surf, utilizando a rede da TIM), soluções de antivírus e telemedicina, transição para o Wi-Fi 6 e escalada no segmento corporativo (B2B), atualmente responsável por menos de 5% da receita.

No fim de setembro, o CEO da Desktop, Denio Alves Lindo, disse que a empresa busca "criar vínculo com os clientes" e se posicionar como "um hub de conectividade, de modo que o cliente se sinta preso a você", referindo-se aos produtos que vão além da conectividade fixa.

Ao longo deste ano, a empresa também estruturou a unidade de serviços B2B, que deve ser uma via de crescimento daqui para frente.

Perspectivas

A S&P projeta que a Desktop terminará 2025 com 1,2 milhão de casas conectadas e margens em torno de 51,5%. A receita deve ter crescimento próximo a 7% a partir de 2026, com apoio de ganhos de produtividade e melhora gradual das margens.

A alavancagem (dívida líquida ajustada sobre Ebitda) estimada é de 2,6x em 2025, caindo para cerca de 2,0x a 2,5x nos anos de 2026 e 2027. O fluxo de caixa operacional livre (FOCF, na sigla em inglês) deve ficar no campo negativo neste ano, em função do capex elevado, mas com projeção de retorno ao positivo no ano que vem.

"A empresa deve seguir aumentando a ocupação de sua rede existente, enquanto reporta margens crescentes devido aos ganhos de sinergias, melhorando sua estrutura de capital com desalavancagem gradual por meio da emissão de linhas de dívida menos onerosas e amortização de linhas existentes", analisa a agência de risco.

Negociação com a Claro

Vale lembrar que, paralelamente aos planos de crescimento da Desktop, a empresa segue em negociação sobre uma possível venda de sua operação para a Claro.

Analistas de mercado já sinalizaram que a transação pouco impactaria as finanças da América Móvil, controladora da Claro, e ampliaria a posição da operadora no mercado de banda larga, inclusive ganhando a liderança no estado de São Paulo.

A Anatel, contudo, manifestou preocupações concorrenciais em relação ao potencial negócio, sobretudo no que diz respeito à competição no território paulista, haja vista que a Desktop é a terceira colocada em market share no estado (7,5%), atrás somente de Vivo (30,2%) e Claro (28,3%).

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