Reação ao Copom, Petrobras, Tesla, falas do Fed e mais destaques desta quinta-feira

há 2 meses 15
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Os mercados digerem nesta quinta-feira (6) a decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa Selic em 15% ao ano. Foi a terceira reunião consecutiva do Comitê de Política Monetária (Copom) sem mudanças nos juros, que permanecem no nível mais alto desde julho de 2006, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com um tom mais hawkish (duro, mostrando preocupação com a inflação) no comunicado do Copom que se seguiu à decisão, a expectativa é de que a sessão desta quinta seja de “ressaca” para a Bolsa e para a curva de juros brasileiras.

Enquanto o foco local ainda recai sobre os juros, o noticiário internacional se volta para a Cúpula de Chefes de Estado da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará (PA). O evento, organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com o governo brasileiro, reúne líderes mundiais para discutir o enfrentamento da crise climática e caminhos para uma transição energética justa e sustentável.

Entre os participantes confirmados estão Emmanuel Macron, presidente da França; Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia; Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul; William Ruto, presidente do Quênia; e Sir Keir Starmer, premiê do Reino Unido.

A Cúpula de Chefes de Estado, também chamada de Cúpula do Clima, ocorre entre esta quinta (6) e sexta (7), marcando a abertura política da conferência. É quando os líderes definem o tom das negociações que se estenderão até 21 de novembro. O Brasil, anfitrião pela primeira vez, tenta se firmar como articulador global na pauta ambiental, com destaque para a preservação da Amazônia e o incentivo a investimentos verdes.

Na agenda doméstica, o dia traz a divulgação do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) de outubro às 8h, seguido da produção e das vendas de veículos às 10h, dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Às 15h, sai a balança comercial de outubro, importante termômetro das exportações brasileiras, que vêm sustentando um superávit elevado nos últimos meses.

Ainda hoje, empresas divulgam resultados do terceiro trimestre deste ano (3T25). Entre elas estão a Petrobras (PETR4), Suzano (SUZB3), Sanepar (SAPR11), Energisa (ENGI11), Smart Fit (SMFT3), Renner (LREN3), Assaí (ASAI3), Magalu (MGLU3), AstraZeneca e Airbnb.

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Nos Estados Unidos, os holofotes se voltam para uma série de discursos de autoridades monetárias. Às 13h falam Michael Barr, vice-presidente de supervisão do Federal Reserve (Fed), e John Williams, membro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). Às 17h30 é a vez de Christopher Waller, também integrante do Fed. Mais tarde, às 18h30, Henry Paulson, secretário do Tesouro americano, participa de um fórum sobre habitação no National Press Club, em Washington.

Do lado corporativo, os investidores também estarão de olho no resultado da assembleia de acionistas da Tesla para discutir o pacote de remuneração de um trilhão de dólares proposto por Musk.

Agenda

Às 8h30, o presidente participa da Recepção Oficial dos Chefes de Delegação da Cúpula do Clima, no Parque da Cidade. Em seguida, às 10h30, ocorre a Abertura da Sessão Plenária da Cúpula do Clima. Ao meio-dia, está prevista uma reunião bilateral com o Príncipe de Gales, Príncipe William, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.

Às 13h, o presidente oferece um almoço aos Chefes de Estado e de Governo dos países integrantes do Fundo de Florestas Tropicais (TFFF), durante a Mesa Redonda de Líderes. Na sequência, às 15h, haverá uma reunião bilateral com o presidente da França, Emmanuel Macron, também na sala reservada do Presidente da República.

Às 16h, o presidente participa da Primeira Sessão Temática da Mesa Redonda de Líderes, com o tema “Clima e Natureza: Florestas e Oceanos”.

Mais tarde, às 18h15, ocorre a fotografia oficial dos Chefes de Delegação da Cúpula do Clima, na área interna destinada aos líderes. O dia se encerra às 18h30, com um coquetel oferecido pelo presidente e pela primeira-dama, Janja Lula da Silva, aos Chefes de Delegação.

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Brasil

  • 8h – Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) de outubro
  • 10h – Produção e vendas de veículos em outubro – Anfavea
  • 15h – Balança comercial de outubro
  • EUA
  • 13h – Discurso de Barr, vice-presidente de supervisão do Fed
  • 13h – Discurso de Williams, membro do Fomc
  • 17h30 – Discurso de Waller, membro do Fed
  • 18h30 – Discurso do Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, em fórum de habitação no National Press Club, em Washington.

INTERNACIONAL

Reunião

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que voltará a se reunir com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na próxima semana, no Canadá, durante uma reunião do G7. As conversas entre Brasil e EUA seguem após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, decidida pelo presidente Donald Trump. Vieira disse que o diálogo tem se concentrado em temas comerciais e confirmou que Lula participará da reunião da Celac com a União Europeia nos dias 9 e 10, que tratará da Venezuela.

Ajudar um pouco, talvez

Trump afirmou na quarta-feira (5) que pretende “ajudar um pouco, talvez” o prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, do Partido Democrata. O republicano ironizou o adversário, chamando-o de “comunista puro”, e ameaçou restringir repasses federais à cidade caso ele não “faça a coisa certa”. Mamdani, que venceu as eleições municipais, iniciou a formação de sua equipe de transição, composta majoritariamente por mulheres com experiência em gestão pública.

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ECONOMIA

Comunicado do Copom

No comunicado divulgado após a decisão da taxa básica de juros, a Selic, no início da noite de ontem, o Banco Central (BC) manteve o tom de cautela e afirmou que os juros devem permanecer em 15% por um “período bastante prolongado”. Pela primeira vez, o Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou que o nível atual é suficiente para alcançar a meta de inflação de 3%. O BC também revisou suas projeções, estimando inflação de 3,3% até o segundo trimestre de 2027.

Ranking de juros

Com a Selic mantida em 15% ao ano, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia. Segundo o ranking da MoneYou e da Lev Intelligence, os juros reais brasileiros subiram para 9,74% ao ano, enquanto os turcos atingiram 17,80%. O país continua à frente de economias como Rússia, Argentina e Índia.

Ibovespa bate recorde

O Ibovespa renovou novamente seu recorde histórico e fechou a quarta-feira (5) em alta de 1,72%, aos 153.294 pontos, marcando o 11º pregão consecutivo de ganhos. O índice superou pela primeira vez as marcas de 151 mil, 152 mil e 153 mil pontos no mesmo dia. O dólar comercial acompanhou o bom humor do mercado e caiu 0,70%, cotado a R$ 5,36.

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POLÍTICA

Imposto de Renda

O Senado aprovou nesta quarta-feira (5) a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. A proposta, uma promessa de campanha do presidente Lula, deverá valer já para a próxima declaração, beneficiando cerca de 25 milhões de contribuintes. O projeto também cria um imposto mínimo de 10% sobre altas rendas, compensando parte da perda de arrecadação. Segundo a Consultoria do Senado, o impacto fiscal pode chegar a R$ 4,5 bilhões em 2026.

Avaliação médica

A Secretaria de Administração Penitenciária de Brasília enviou ao ministro Alexandre de Moraes (STF) um ofício pedindo que Jair Bolsonaro (PL) passe por avaliação médica antes de eventual prisão. O documento, sob sigilo, busca verificar se o ex-presidente tem condições de ser mantido na Papuda, diante de seu histórico de cirurgias e problemas de saúde. A medida ocorre às vésperas do julgamento dos recursos de Bolsonaro e outros réus da trama golpista, marcado para sexta-feira (7).

Rachadinha

O Ministério Público Federal no DF abriu uma apuração preliminar contra o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sua chefe de gabinete e servidores, por suspeita de “rachadinha” e enriquecimento ilícito. O caso foi apresentado por Deltan Dallagnol, com base em reportagens do portal Metrópoles. O procedimento ainda é inicial e pode resultar em um inquérito civil, segundo a Folha de S.Paulo.

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Corporativo

Axia Energia (AXIA3)

A Axia Energia, ex-Eletrobras, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 2,2 bilhões no terceiro trimestre, uma queda de 68% na comparação anual, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira.

Segundo a empresa, o principal impacto para o resultado trimestral foi o reconhecimento de remensuração regulatória dos contratos de transmissão de energia.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), por sua vez, foi de R$ 6,382 bilhões, representando um crescimento de 16% em relação ao 2T25, quando o valor foi de R$ 5,501 bilhões.

(Com Agência Brasil, Reuters e Estadão Conteúdo)

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