Por que o teto do Minha Casa, Minha Vida subiu — e o humor das construtoras também

há 2 meses 22
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Se fosse possível ver o brilho dos pisos recém-colocados nos milhares de imóveis em construção espalhados pelo país, ele certamente refletiria o sorriso das construtoras do segmento popular. É que a recente decisão do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS) de elevar o teto de preço dos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e ampliar o orçamento do FGTS para R$ 160,2 bilhões em 2026 deve trazer ânimo extra a empresas como Tenda (TEND3), Plano & Plano (PLPL3) e Direcional (DIRR3), segundo projeções dos analistas.

A medida permite que famílias das faixas 1 e 2 do programa, com rendas de até R$ 4,7 mil em áreas urbanas, financiem imóveis de valores mais altos, agora limitados a R$ 275 mil, dependendo do porte do município. Ao todo, 263 cidades passarão a contar com os novos valores.

Para o Itaú BBA, a Tenda deve ser a grande vencedora das novas regras, já que cerca de 85% das vendas da companhia nos últimos 12 meses estão concentradas justamente nessas faixas. Segundo o banco, os clientes da construtora passarão a contar com subsídios adicionais que variam de R$ 2 mil a R$ 9 mil, o equivalente a 5% do valor do imóvel.

A Plano & Plano também tende a se beneficiar, com 70% de suas operações concentradas nas mesmas faixas de renda. Já a Direcional deve colher bons resultados principalmente na região Norte, onde o aumento dos subsídios varia de R$ 1 mil a R$ 19 mil, e onde a empresa mantém cerca de 15% de suas operações em Manaus. O Itaú diz que mantém visão otimista para as construtoras voltadas à baixa renda e projeta novas revisões para as faixas 3 e 4 do programa até o início de 2026.

A XP Investimentos também aponta que o novo pacote inclui um aumento nos limites máximos de preço dos imóveis da faixa 2 e uma elevação de 6% no orçamento habitacional do FGTS para 2026. Conforme os estrategistas da corretora e do Bradesco BBI, a revisão das curvas de subsídio pode representar uma mudança relevante para o setor, especialmente na região Norte, onde o reajuste deve reduzir em cerca de 22% o valor médio de entrada para os compradores.

No geral, a XP e o BBI veem impacto positivo sobre MRV (MRVE3) e Direcional, pela forte presença em Manaus, e para Tenda e Plano & Plano, que devem se beneficiar do aumento da acessibilidade na faixa 1.

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Assim como BBA, XP e BBI, o Goldman Sachs vê as mudanças como positivas, embora com efeito moderado. O banco lembra que o Conselho do FGTS elevou o orçamento habitacional de R$ 149 bilhões para R$ 157 bilhões, um avanço de 5,5%, e reajustou os tetos de preço para as faixas 1 e 2 em média de 6%. É o primeiro aumento desde o relançamento do MCMV, em 2023.

Para o Goldman, o movimento mostra o compromisso do governo com o programa, mas o ganho direto para as construtoras deve ser limitado, especialmente para a Direcional, que tem atuação mais concentrada nos grupos de renda mais alta (faixas 3 e 4).

Já o Bradesco BBI avalia que as medidas reforçam o empenho do governo em ampliar o acesso à habitação popular. O banco estima que o aumento de cerca de 20% nos subsídios de entrada e os tetos mais altos devem melhorar a capacidade de compra de imóveis das famílias, o que, consequentemente, deve acelerar as vendas no segmento popular e manter margens atrativas.

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