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Em meio a uma reviravolta das ações na sexta-feira (7), com PETR3 chegando a saltar 4,8% depois de teleconferência no fim da manhã, os analistas de mercado destacaram o que esperar a partir de agora para os ativos da Petrobras (PETR3;PETR4) depois da temporada de resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25).
Em teleconferência, o diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, apontou que a Petrobras está acelerando investimentos neste ano e vê menos flexibilidade para alterar os aportes previstos em horizontes mais curtos no próximo plano de negócios. O executivo afirmou que o ritmo de execução dos aportes em 2025 está acima do projetado, com os valores devendo encerrar o ano entre o centro e o teto da projeção.
Melgarejo ainda avaliou que há menos flexibilidade para mexer nos valores em horizontes mais curtos, com projetos em andamento e com os quais a petroleira já tem compromissos firmados com fornecedores.
Análise de Ações com Warren Buffett
Contudo, para os anos mais à frente e para investimentos não contratados, Melgarejo disse que a Petrobras pode avaliar postergações se houver uma pressão “muito grande” sobre os preços do petróleo Brent.
O diretor financeiro afirmou ainda que “a palavra é ‘cautela’” no que diz respeito a dividendos e fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês). Segundo ele, a estatal não avalia no momento qualquer mudança em sua política de dividendos, o que animou as ações durante a tele.
Depois da teleconferência, o Morgan Stanley revisou as projeções, ainda que mantendo o preço-alvo de US$ 17 para os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) para meados de 2026, com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra).
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O Morgan elevou o capex (investimentos) da petroleira estatal para o 4º trimestre em cerca de 6%, para refletir a aceleração dos investimentos em exploração e produção (E&P) a partir do segundo semestre de 2025.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) permanece praticamente inalterado para 2025–26.
“Fizemos ajustes menores nas premissas operacionais, pois continuamos confiantes na trajetória de produção prevista em nosso modelo. No lado do capex, a indicação da gestão de que os gastos podem atingir o limite superior do Plano de Negócios nos levou a aumentar modestamente nossa previsão de capex em caixa para o 4º trimestre de 2025, para US$ 4,1 bilhões (+6% em relação ao modelo anterior)”, avalia o Morgan.
Sobre a tele, o banco americano ressalta que a otimização da produção e ritmo de investimentos foram os principais destaques. “Embora mais detalhes sobre as metas de investimento para os próximos anos sejam apresentados no Plano de Negócios ainda este mês, permanecemos otimistas quanto ao crescimento da produção e às perspectivas de alocação de capital”, destacam os analistas.
O banco reforça que o case de investimento da Petrobras continua centrado na remuneração aos acionistas, que — para o bem ou para o mal — está diretamente ligada à alocação de capital e ao nível dos preços do petróleo.
“Os fluxos de caixa da Petrobras são muito resilientes e conseguem suportar preços baixos do petróleo. Estamos confiantes na capacidade da empresa de pagar um rendimento atraente em seus dividendos base e vemos boa opcionalidade para dividendos extraordinários caso os preços do petróleo se recuperem da recente queda”, avalia.
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O Itaú BBA também segue com recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 43 para os ativos PETR4, enquanto o Bradesco BBI tem a mesma recomendação, mas com o target um pouco menor, de R$ 40.
Levando em conta também temas da teleconferência, o BBI apontou que, embora considere positiva a concentração dos investimentos da empresa no segmento de exploração e produção, acha difícil imaginar que a inflação de equipamentos atual não esteja influenciando o aumento de gastos – que foi uma preocupação no trimestre.
Além disso, ao acelerar a produção de seus ativos mais valiosos, a Petrobras antecipou o ônus de tentar substituir essas reservas com novas fronteiras (sem mencionar que a empresa contribui para a previsão de excesso de oferta global). O BBI também observa outras grandes petroleiras seguindo na direção oposta, buscando preservar reservas de primeira linha para manter altos níveis de retorno nos próximos anos. Por fim, não descarta a possibilidade de a Petrobras injetar capital na Braskem (BRKM5), ainda que tenha sido dito em tele que não há interesse da petroleira de elevar sua fatia na petroquímica.
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“Dito isso, mantemos nossa recomendação de compra para a Petrobras, dadas as interessantes opções relacionadas às eleições (com viés positivo) embutidas na tese de investimento, e também acreditamos que suas ações estão subvalorizadas”, apontam os analistas do BBI.
A XP também segue com recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 37, revisado no fim de outubro ante R$ 47 em meio à visão de valores mais baixos do petróleo. A recomendação de compra segue em meio à visão de rendimento de dividendos ainda atrativa.
O BTG Pactual também segue com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 44. Para os analistas, embora o atual momentum operacional suporte a geração de caixa no curto prazo, a expectativa é de que persista a cautela dos investidores até a divulgação do plano de negócios 2026–30. Isso seria um marco importante para avaliar a sustentabilidade dos retornos aos acionistas em um ciclo de altos investimentos e preços de brent menores.
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“O diferencial de yield em relação aos pares globais caiu significativamente, e acreditamos que a ação da Petrobras pode ser reprecificada caso entregue consistentemente um yield em cerca de 5 pontos percentuais acima dos concorrentes. Caso contrário, a atratividade relativa da ação diminui”, aponta.
Visão neutra
Do outro lado, há casas que seguem com recomendação de manutenção ou equivalente para os papéis da Petrobras. Entre elas, o BB Investimentos, o Bank of America (BofA) e a Genial Investimentos.
O BB Investimentos tem recomendação neutra para PETR4, com preço-alvo de R$ 45. Os analistas do banco apontam que a o papel cai cerca de 6%, enquanto o Ibovespa sobe cerca de 29% no mesmo período.
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“Porém, quando olhamos prazos mais longos, a performance do papel é bastante positiva, subindo 121% nos últimos três anos, contra 33% do Ibovespa no período, refletindo a percepção do mercado de que a Petrobras vem entregando excelentes retornos, ainda que, em nosso entendimento, as atuais incertezas em relação à demanda e preços de petróleo devam seguir pressionando as cotações da companhia”, destaca a equipe de análise.
Para os analistas, a companhia deve ter que fazer escolhas delicadas em seu próximo plano de negócios, já que o momento atual de commodity pressionada pode conflitar com as elevadas expectativas que o mercado tem em relação a dividendos e baixa alavancagem, junto a um robusto plano operacional, que requer elevados investimentos para a continuidade do crescimento em E&P (exploração e produção), aumento da oferta de derivados e expansão da atuação em renováveis.
O Santander tem recomendação neutra para as ações, também com cautela com relação ao preço do petróleo.

há 2 meses
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