ANUNCIE AQUI
Engana-se quem acha que foi por acaso que a Motiva (MOTV3), antiga CCR, decidiu não disputar o Lote 5 de rodovias do Paraná. A concessão foi arrematada pela Reúne Rodovias, controlada pela gestora Pátria, que abocanhou o ativo em leilão realizado na quinta-feira (30), na sede da B3, em São Paulo. O grupo venceu a disputa ao oferecer um desconto de 23,83% sobre a tarifa de pedágio cujo valor máximo era de R$ 0,17911 por quilômetro.
A decisão da Motiva de ficar de fora do certame, disse ao InfoMoney Flávia Godoy, diretora de relações com investidores (RI) da companhia, segue a estratégia que a empresa vem adotando há alguns trimestres: concentrar investimentos em regiões e projetos com maior potencial de rentabilidade e conexão com os ativos que já opera. Não é à toa que, segundo ela, a empresa tem definido com clareza as áreas onde pretende concentrar esforços.
Na prática, isso significa priorizar concessões que compartilhem infraestrutura, equipe e sistemas de gestão, reduzindo custos e aumentando a eficiência operacional. O objetivo é ampliar a escala dos negócios onde a Motiva já atua com força, como os corredores logísticos que ligam grandes centros urbanos a polos do agronegócio, em vez de dispersar recursos em novas frentes menos integradas.
Análise de Ações com Warren Buffett
A declaração de Godoy está em sintonia com a do presidente-executivo, Miguel Setas, que explicou, em conferência com analistas, que a decisão foi tomada após a empresa avaliar que o novo trecho não geraria ganhos de eficiência com a estrutura que já opera no Estado. “No lote 5, entendemos que essas sinergias não eram tão relevantes e, portanto, não priorizamos esse investimento dentro da lógica de buscarmos crescimento rentável, seletivo e sinérgico”, afirmou Setas.
A companhia, que é a maior operadora de concessões de mobilidade do país, havia vencido no fim do ano passado o leilão do Lote 3 de rodovias do Paraná, o único conquistado entre os seis ofertados pela parceria do governo estadual com o governo federal. O novo certame não entrou no radar da Motiva.
A partir dessa diretriz, Godoy acrescenta que o interesse em novas concessões permanece, mas com critérios. No curto prazo, o pipeline (estoque de oportunidades) mapeado pela Motiva, segundo ela, soma cerca de R$ 100 bilhões em rodovias e mais R$ 60 bilhões em trilhos.
Continua depois da publicidade
“Cada oportunidade de investimento é avaliada. Considerando que temos um pipeline bastante amplo de oportunidades, a empresa vai continuar priorizando um crescimento seletivo, buscando ativos que ofereçam melhor viabilidade, mais sinergia ou que complementem o portfólio da Motiva. A ideia é que cada novo ativo não apenas contribua para o crescimento da receita, mas também fortaleça a eficiência e a sustentabilidade do grupo”, disse.
Estratégia eleva resultados da Motiva
A estratégia de foco e eficiência tem refletido nos resultados financeiros. No terceiro trimestre de 2025 (3T25), a Motiva registrou lucro líquido de R$ 1,23 bilhão, um avanço de 191,8% em relação ao mesmo período de 2024 (3T24). O desempenho foi influenciado por efeitos não recorrentes do aditivo da ViaQuatro, que prevê R$ 4 bilhões em investimentos, a construção de duas novas estações na Linha 4 – Amarela e a extensão da concessão por mais 20 anos.
Mesmo desconsiderando esses efeitos extraordinários, o lucro líquido ajustado cresceu 22%, somando R$ 683 milhões. O Ebitda ajustado, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, aumentou 16,3%, chegando a R$ 2,54 bilhões, com margem de 64,4%, a mais alta já registrada pela empresa em um trimestre.
Leia mais:
- Confira o calendário de resultados do 3º trimestre de 2025 da Bolsa brasileira
Temporada de balanços do 3T25 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olho
Segundo a companhia, o desempenho foi sustentado por três fatores principais: redução de custos operacionais, saída de negócios deficitários, como as barcas e a antiga MS Via (atual Motiva Pantanal), e maior demanda em rodovias e linhas metropolitanas. A receita líquida ajustada, que representa o total de vendas após ajustes contábeis, alcançou R$ 3,96 bilhões, 4,6% acima do 3T24.
“É uma combinação de crescimento de demanda, alavancas de eficiência, redução de custos de forma estrutural e a otimização do portfólio da empresa”, explicou Flávia Godoy.
Continua depois da publicidade
Até setembro deste ano, a Motiva registrou uma alavancagem ajustada de 3,6 vezes, ligeiramente abaixo das 3,7 vezes registradas em junho. A queda no indicador, afirma a empresa, espelha a incorporação da geração dos novos ativos e os efeitos da otimização do portfólio da companhia.
Os investimentos da Motiva somaram R$ 2,33 bilhões no trimestre, 11,1% acima do mesmo período de 2024 e 31% maiores que no segundo trimestre. “Parte desse movimento envolveu a gestão da dívida, com operações de troca de passivos que reduziram o spread da dívida em 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre do ano passado, reforçando a percepção de crédito da companhia. A alavancagem sinaliza uma posição financeira confortável que permite seguir com os planos de crescimento”, explicou Godoy.

há 2 meses
16








Portuguese (BR) ·