O que a gestão da Hapvida falou após balanço frustrar – e por que não acalmou mercado

há 2 meses 18
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As ações da operadora de planos de saúde Hapvida (HAPV3) chegam a desabar mais de 40% nesta quinta-feira (13) após a companhia divulgar na véspera seu resultado de terceiro trimestre.

A visão geral do mercado foi de uma dinâmica mais desafiadora para a companhia do que o mercado esperava, enquanto o JPMorgan rebaixou as ações para neutro.

Durante a manhã, a direção da companhia realizou sua teleconferência após a divulgação dos resultados – que não tranquilizou o mercado.

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Na tele, a companhia reconheceu que seu desempenho de terceiro trimestre ficou aquém do esperado, embora tenha apontado que a empresa está melhor que quase todos os competidores.

Na visão dos analistas do Itaú BBA, a “performance fraca” se deve a fatores que não são necessariamente temporários, como a expansão da rede própria. Esses fatores, disseram, podem levar a um aumento do custo por beneficiário por um longo período.

“O Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] ajustado veio 25% abaixo de nossa estimativa. Acreditamos que esta performance do terceiro trimestre de 2025 pode levar a outra revisão para baixo no consenso”, disse o Itaú BBA.

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Em conversa com gestores, os analistas do BBA apontaram que a tele não conseguiu tranquilizar os investidores que estavam preocupados com os impactos negativos estruturais dos resultados daqui para frente.

“Observamos uma ampla gama de estimativas para o próximo ano, sem consenso sobre a nova base de referência para as margens após o ticket médio abaixo do esperado e a estrutura de custos e despesas gerais e administrativas mais pesada”, avalia a equipe de análise.

Abaixo, estão os principais pontos da teleconferência, segundo o BBA:

Expansão e frequência da rede. Novas unidades foram abertas em regiões nas quais a empresa precisava aumentar a verticalização ou apoiar o crescimento de clientes. Essas aberturas adicionaram R$ 82 milhões em custos ao longo do ano, com R$ 100 milhões esperados no próximo trimestre (em base acumulada), pressionando as margens de curto prazo. A administração espera que esses custos se diluam à medida que a ocupação aumente e novos beneficiários sejam adicionados, com parte do aumento da frequência ligado à melhoria na percepção de qualidade.

Curva de custos e práticas operacionais. A curva de custos, que normalmente melhora em outubro, só começou a se estabilizar em novembro, atingindo níveis semelhantes aos do ano passado. Para lidar com os custos evitáveis, a Hapvida está aprimorando as práticas operacionais e renegociando com a rede credenciada, incluindo o aumento da adesão ao copagamento, destacou a companhia em tele. Parte do aumento de custos é estrutural e levará vários trimestres para se normalizar.

Sinistralidade em alta. A alta do índice de sinistralidade (MLR) levou a um aumento de 2,6 pontos percentuais no custo por cliente em relação ao ano anterior, o que, juntamente com a implementação de novas unidades, levou a um aumento de 2,3 pontos percentuais na perda de receita mensal em dinheiro em relação ao ano anterior.

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A administração da Hapvida observou que 0,3 ponto percentual desse impacto no 3º trimestre de 2025 foi causado pelos custos fixos dessas novas unidades, o que deve se traduzir em uma pressão de 1,1 ponto percentual na perda de receita mensal em dinheiro no ano fiscal de 2025. Os executivos esperam que as melhores práticas e a melhoria dos KPIs (Indicadores-Chave de Desempenho) operacionais compensem parcialmente o impacto no MLR de caixa, enquanto o efeito restante deverá ser gradualmente atenuado por aumentos de preços e maiores adições líquidas nos próximos trimestres.

Processos cíveis. Os processos cíveis também contribuíram para a pressão sobre os custos, com o número de ordens judiciais e provisões permanecendo elevado – apesar de se manterem praticamente estáveis ​​se ajustados pelo número de dias úteis no trimestre. No entanto, segundo a administração destacou em tele, decisões judiciais recentes começaram a gerar resultados mais favoráveis ​​para a empresa, o que poderá ajudar a reduzir contingências futuras.

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Dinâmica competitiva e crescimento. O crescimento ficou abaixo das expectativas, com forte desempenho nos planos corporativos, mas resultados mais fracos no segmento de PMEs (pequena e médias empresas) devido ao aumento da concorrência em São Paulo. A empresa está implementando um pacote abrangente de incentivos, ajustes de produtos e correções de execução para recuperar o ritmo.

Fluxo de caixa e margem Ebitda. O Ebitda foi pressionado por maiores provisões e custos de integração, enquanto o fluxo de caixa foi impactado por pagamentos relacionados a provisões anteriores. A administração prevê que a recuperação da margem levará mais tempo do que nos anos anteriores, uma vez que melhorias nos KPIs operacionais naturalmente acarretam custos mais elevados.

(com Reuters)

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