O aviso do Itaú BBA para não subestimar a WEG e nem o olhar do investidor estrangeiro

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O Itaú BBA recentemente mudou o tom em relação à WEG (WEGE3). Depois de meses de ceticismo, o banco admite que errou ao subestimar a capacidade da companhia de se reinventar e a paciência dos investidores estrangeiros, que continuam apostando na fabricante catarinense de motores, transformadores e equipamentos industriais. Em novo relatório, divulgado ao mercado na quinta-feira (30) os analistas do BBA escrevem que “a história da WEG é uma história de inflexão nas expectativas”, citando três frentes principais: crescimento, rentabilidade e custo de capital.

O time de análise reconhece que o banco se manteve negativo por mais tempo do que deveria, extrapolando tendências de curto prazo e sem captar o momento em que os investidores estrangeiros voltaram a apostar na companhia. Nesse intervalo, as ações da WEG subiram cerca de 15%, movimento que o Itaú BBA não acompanhou. Posteriormente, o banco ajustou a rota e afirma que a fabricante ainda tem espaço para continuar se valorizando nos próximos trimestres.

Isso porque, na avaliação do banco, a pior fase já passou. Mesmo projetando um quarto trimestre de 2025 (4T25) mais fraco, os estrategistas afirmam que há espaço para melhora em 2026, com margens mais altas e tarifas menores sobre produtos exportados aos Estados Unidos. Para 2027, a projeção é de forte crescimento nos lucros, já que a capacidade de transmissão e distribuição (T&D) deve dobrar.

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Essa expectativa foi ancorada após encontro entre os analistas, o diretor financeiro André Rodrigues e o gerente de relações com investidores (RI) Felipe Scopel, que, segundo o BBA, transmitiram confiança sobre a demanda. Dados compilados pelo banco apontam que produtos de ciclo curto vêm ganhando tração, com crescimento de 13% no mercado doméstico e 9% no exterior, desconsiderando os efeitos cambiais. A WEG também elevou preços de itens vendidos nos Estados Unidos em outubro, o que deve sustentar uma aceleração do faturamento. A meta, segundo a administração, é alcançar crescimento de dois dígitos na receita em 2026.

Tarifas, infraestrutura de tecnologia e 4T25

A questão das tarifas comerciais também aparece no radar. Na avaliação do BBA, as conversas entre Brasil e Estados Unidos parecem avançar, e há chance de redução das tarifas aplicadas aos produtos da WEG exportados para o mercado norte-americano, de 50% para cerca de 25%. O banco diz que, mesmo sem corte tarifário, os aumentos de preço já implementados pela companhia devem compensar os efeitos na rentabilidade a partir de 2026. A expectativa é de que, caso as tarifas realmente caiam, o lucro tende a crescer mais rápido.

O Itaú BBA também chama atenção para o fato de que a ação tem ficado para trás no tema do momento entre os investidores estrangeiros: o das empresas ligadas a data centers e energia. Segundo o banco, cerca de 10% a 15% da receita da WEG vem da venda de transformadores nos Estados Unidos, e boa parte de seu portfólio é formada por equipamentos industriais usados em infraestrutura de tecnologia. Enquanto as companhias expostas a esse segmento sobem mais de 120% no ano, a WEG acumula queda de 20%, o que, segundo o banco, pode começar a atrair atenção.

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Apesar da melhora de percepção, o Itaú BBA lembra que o 4T25 deve vir sem muito brilho. Os analistas dizem que a base de comparação é difícil, já que o real estava mais desvalorizado no fim de 2024, e a divisão de geração, transmissão e distribuição (GTD) deve ter queda de 18% na receita. A margem antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) deve recuar cerca de 0,9 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, com lucro líquido projetado em R$ 1,57 bilhão, queda de 7% em um ano.

Potencial de alta para WEGE3

Mesmo com o ritmo mais lento, a visão do Itaú BBA é clara: investidores de longo prazo, principalmente os estrangeiros, estão olhando para 2027. A ação, que hoje vale cerca de R$ 41,45, tem preço-alvo de R$ 50 até o fim de 2026, o que representa potencial de alta de 21%.

Os analistas também apontam que a ação está sendo negociada com desconto em relação à média histórica: o preço/lucro projetado a um ano está 12% abaixo da média, e cerca de 14% a 19% mais barato que os pares globais para 2026 e 2027.

Para os investidores locais, o banco faz um alerta: este não é o momento de usar a WEG como fonte de recursos. Entrelinhas, o recado é simples e direto: subestimar a WEG pode sair caro.

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