Nutanix investe em soberania de dados e foco no setor público

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A Nutanix reuniu clientes e imprensa nesta terça-feira (28), em São Paulo, para o Power Enterprise AI Factories, etapa brasileira do roadshow latino-americano que discute como a inteligência artificial corporativa pode ser aplicada com segurança e governança. O encontro destacou o avanço da companhia no país, a consolidação de sua estratégia de plataforma e o papel da soberania de dados na adoção de IA em ambientes críticos, especialmente no setor público.

Segundo Leonel Oliveira, diretor-geral da Nutanix Brasil, o crescimento da empresa, há 12 anos em operação no país, está ancorado em um modelo de reinvestimento constante e engenharia de longo prazo. "Não crescemos por explosão, mas por consistência. Nossa essência é de engenharia, o que garante credibilidade e continuidade", afirmou. O executivo destacou o índice de satisfação (NPS) de 90 e a base de 29 mil clientes no mundo como sinais de confiança, além da expansão da rede de parceiros locais.

Oliveira reforçou que o avanço da inteligência artificial depende da proteção dos dados e da soberania da informação. "Se perdermos nossos dados, perdemos nossa identidade. A IA só é viável quando o dado é tratado com responsabilidade", disse. O discurso se alinha ao posicionamento global da empresa, que passou a estruturar o conceito de "Enterprise AI Factories", ambientes preparados para desenvolver e operar modelos de IA de forma local, segura e integrada.

O portfólio apresentado no evento inclui o Nutanix Enterprise AI (NAI), camada de plataforma para gerenciar modelos de linguagem e pipelines com governança e telemetria, e a integração com o ecossistema NVIDIA AI Enterprise/NIM/NeMo, que habilita arquiteturas de inferência e agentes corporativos. A companhia também demonstrou o uso de Nutanix Kubernetes Platform (NKP) e Database Service (NDB) para orquestrar aplicações e dados prontos para IA, incluindo indexação vetorial e RAG (Geração Aumentada por Recuperação).

"Nosso objetivo é tirar a IA do laboratório e colocá-la no centro das operações. Cada cliente deve ter controle sobre onde os dados residem, como os modelos são validados e quais políticas regem o ciclo de uso", afirmou Oliveira, destacando a importância da residência de dados e do controle de plataforma em um cenário de pressão regulatória crescente.

Da infraestrutura ao resultado: aterrissar a IA

Para Leandro Lopes, diretor de Engenharia da Nutanix para a América Latina, o momento atual da inteligência artificial lembra o início da computação em nuvem e da virtualização. "A diferença é que agora o desafio é aterrissar a IA: transformar hype em resultados práticos e mensuráveis", explicou. Segundo ele, a Nutanix busca eliminar os "silos tecnológicos" que dificultam a integração entre ambientes on-premises e multicloud.

"Quem adotou nossa plataforma há dez anos hoje está pronto para a IA. Basta atualizar o software", afirmou Lopes, ao defender a ideia de plataforma unificada como base para a evolução tecnológica dos clientes. "Não vendemos produtos isolados, mas uma fundação que cresce junto com o cliente."

O especialista em IA da Nutanix, Marlon Menezes, levou o debate para além da tecnologia. "A IA é como uma colher ou um copo: ela mata a sede de produtividade", disse, em analogia ao uso da ferramenta para otimizar o trabalho humano. Menezes mediou uma discussão sobre ética, viés e responsabilidade humana, exemplificando com casos de desinformação e opinião como em um teste que realizou com 'Dom Casmurro'. O executivo conta que perguntou à IA o clássico "traiu ou não traiu", e quando encurralada, a inteligência artificial se posicionou – o que não deveria ser seu comportamento.

Ao comparar a adoção de IA à compra de um imóvel na planta, entre o "decorado perfeito" e a realidade cheia de ajustes, Menezes alertou para a distância entre demonstrações ideais e implementações reais. "Muitos projetos começam pela vitrine, mas o valor está na governança dos dados e no trabalho multidisciplinar entre TI, negócios, segurança e finanças."

Casos públicos e a IA sob medida

O evento apresentou ainda experiências de órgãos públicos que já aplicam IA localmente, com foco em eficiência e soberania de dados. O Tribunal de Contas do Mato Grosso (TCE-MT) desenvolveu um modelo próprio para consultas em linguagem natural, hospedado em seu próprio data center. "Não podíamos expor dados de RH à nuvem. Criamos um LLM local e evoluímos com GPUs e Kubernetes na plataforma Nutanix NAI", explicou Marco Antônio Azevedo, coordenador de Projetos de TI do tribunal.

Geovanna Ribeiro de Oliveira, analista de conformidade, destacou a importância da curadoria e da limitação de escopo: "A IA deve ser treinada com dados éticos e relevantes. Não é sobre quantidade, mas sobre responsabilidade."

No Acre, a Sefaz-AC segue caminho semelhante. O engenheiro Lucas Menezes relatou a construção de uma base vetorial para análise automatizada de processos tributários, enquanto o analista de segurança Rafael Castro ressaltou o foco em controle de acesso e prevenção de viés. "Há pressão institucional para 'ter IA', mas é preciso maturidade técnica e jurídica", afirmou.

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