Norte Conectado: o elo sustentável que redefine as fronteiras digitais do país

há 2 meses 12
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Leandro Guerra, da EAF. Foto: Marcos Mesquita

A Amazônia não está apenas no centro do debate da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Está também, silenciosamente, prestes a viver uma transformação medida em bilhões de dados que cruzam o leito dos rios sem impacto ambiental, aproximando pessoas e fortalecendo a soberania nacional: o programa Norte Conectado.

Executada pela Entidade Administradora da Faixa (EAF), sob coordenação do Ministério das Comunicações e da Anatel, esta é a maior iniciativa de infraestrutura digital subfluvial já realizada no país — e uma das maiores do mundo. Serão dez infovias, sendo seis construídas pela EAF, totalizando 12 mil km de cabos de fibra óptica lançados pelos leitos dos rios amazônicos, interligando cerca de 70 cidades em seis estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. O alcance estimado é de 10 milhões de pessoas.

O investimento de R$ 1,6 bilhão vai muito além de um gasto em tecnologia. A conectividade, nesse contexto, transcende o simples acesso à internet — ela é uma ferramenta de cidadania para reduzir desigualdades. Na prática, permite a expansão de serviços essenciais em regiões onde a logística terrestre é proibitiva: a telemedicina alcança comunidades remotas; a educação a distância oferece novas oportunidades; e os serviços públicos digitais consolidam a presença do Estado.

É fundamental destacar o método: ao optar por cabos subfluviais, em vez de abrir clareiras para redes terrestres, o projeto se consolida como uma obra de baixíssimo impacto ambiental, com potencial para poupar milhões de árvores do desmatamento. Em uma região onde o debate entre desenvolvimento e sustentabilidade costuma ser visto como dilema, o Norte Conectado prova que é possível conciliar tecnologia e floresta.

O programa também reforça a segurança de fronteiras, amplia a resiliência da rede terrestre e abre caminho para futuras conexões internacionais, inclusive com países vizinhos, viabilizando a integração estratégica da região andina. A Amazônia deixa, assim, de ser área periférica para se tornar polo integrador da soberania digital brasileira, sustentando a presença do Estado em territórios antes intransponíveis.

Em um mundo interdependente, onde a informação é essencial ao desenvolvimento, o Norte Conectado coloca o Brasil em posição de protagonismo. O que está sendo construído é mais do que infraestrutura: é um símbolo de integração nacional, inclusão social, preservação das florestas e futuro compartilhado.

A chamada "conectividade significativa" vai muito além de estar online: significa garantir que o acesso à internet tenha usabilidade, qualidade e, principalmente, propósito social. Há cinco anos, poucos acreditariam que o Brasil estaria na vanguarda do 5G. Hoje, a pergunta que nos move é outra: por que não podemos também liderar a conectividade significativa?

O Norte Conectado dará uma contribuição decisiva para essa resposta. É sobre isso que pretendemos debater na Casa Brasil, durante a COP30, em Belém.

*- Sobre o Autor: Leandro Guerra é CEO da Entidade Administradora da Faixa (EAF), entidade resposável pela implementação das políticas públicas estabelecidas no leilão da faixa de 3,5 GHz. As opiniões expressas nesse artigo não necessariamente representa o ponto de vista de TELETIME

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