Nokia redefine estratégia e modelo operacional para capturar “superciclo de IA”

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Escritório da Nokia, em Dallas (Texas), EUA (crédito: Divulgação/Nokia)

A Nokia anunciou hoje, 19 de novembro, durante seu Capital Markets Day, uma nova estratégia global para liderar a transformação de redes impulsionada por inteligência artificial, com reestruturação do modelo operacional, criação de novas unidades de negócios e definição de uma meta de lucro operacional comparável entre € 2,7 bilhões e € 3,2 bilhões até 2028. A companhia passará a operar com dois segmentos principais – Network Infrastructure e Mobile Infrastructure – a partir de 1º de janeiro de 2026.

Segundo o presidente e CEO da empresa, Justin Hotard, a estratégia está orientada a capturar o valor do chamado “superciclo de IA”. “A Nokia mudou o mundo uma vez ao conectar pessoas — e o fará novamente ao conectar inteligência”, afirmou. Ele disse ainda que a empresa se vê como “fornecedora ocidental de confiança” de conectividade segura e avançada, com tecnologias que atendem desde redes fixas até redes móveis.

Dois segmentos principais: Network Infrastructure e Mobile Infrastructure

Na nova estrutura, a Nokia reconhece a área de Network Infrastructure como segmento de crescimento, posicionado para capturar a expansão global de IA e de data centers, além de seguir atendendo operadoras de telecomunicações. Essa unidade continuará sob comando de David Heard e será formada pelos negócios de Optical Networks, IP Networks e Fixed Networks.

O segmento de Mobile Infrastructure reunirá o portfólio de Core Networks, Radio Networks e Technology Standards (antiga Nokia Technologies). A empresa descreve essa área como responsável por liderar o desenvolvimento de redes “AI-native” e 6G, com geração de valor baseada em tecnologias de comunicação móvel alinhadas aos padrões 3GPP e fluxo de caixa apoiado em licenciamento de propriedade intelectual. O segmento será liderado interinamente por Justin Hotard e incluirá três unidades: Core Software, Radio Networks e Technology Standards.

Unidades vão para Portfolio Businesses e Nokia cria incubadora de defesa

Após revisar o portfólio, a Nokia identificou unidades consideradas não centrais para a nova estratégia, embora com oportunidades de crescimento. Esses negócios serão agrupados em um novo segmento chamado Portfolio Businesses, enquanto a companhia avalia a melhor alternativa de criação de valor para cada um ao longo de 2026.

Serão alocadas em Portfolio Businesses as seguintes unidades:

  • Fixed Wireless Access CPE (atualmente em Fixed Networks, em Network Infrastructure);
  • Site Implementation and Outside Plant (também em Fixed Networks);
  • Enterprise Campus Edge (hoje em Cloud and Network Services);
  • Microwave Radio (atualmente em Mobile Networks).

Nos últimos 12 meses, essas unidades somaram aproximadamente € 0,9 bilhão em vendas líquidas, com perda operacional de cerca de € 0,1 bilhão. A empresa afirma que, durante o período de transição, a prioridade será manter a continuidade para clientes e funcionários.

A Nokia também está lançando a Nokia Defense como unidade de incubação para concentrar esforços de P&D e go-to-market em soluções para o segmento de defesa. A nova estrutura parte da base já existente da Nokia Federal Solutions nos Estados Unidos, com foco em oportunidades no mercado norte-americano, na Finlândia e em outros países aliados, com soluções de “defense-grade” baseadas nas tecnologias centrais de rede e infraestrutura móvel da companhia.

Meta de lucro até 2028

A empresa substituiu suas metas de longo prazo anteriores por um novo objetivo financeiro: alcançar um lucro operacional comparável entre € 2,7 bilhões e € 3,2 bilhões até 2028, acima dos € 2,0 bilhões gerados nos 12 meses de de quarto trimestre de 2024 ao terceiro de 2025, considerando os efeitos proforma da aquisição da Infinera.

Reorganização se soma a movimentos recentes em IA e redes

A nova estratégia apresentada ao mercado se soma ao ciclo de mudanças que a Nokia vem promovendo ao longo de 2025, incluindo a criação de estruturas dedicadas a inteligência artificial e desenvolvimento corporativo, anunciada em setembro, e o investimento de US$ 1 bilhão da Nvidia na fabricante para desenvolvimento conjunto de soluções em IA e redes, divulgado em outubro.

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