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O presidente da Argentina, Javier Milei, rejeitou pedidos de investidores para liberar o câmbio e permitir que o peso flutue livremente. Em entrevista ao Financial Times publicada nesta quinta-feira (6), o líder libertário afirmou que manterá o sistema de bandas cambiais ao menos até as próximas eleições, em 2027, e prometeu aprofundar as reformas de mercado.
Segundo Milei, a manutenção do atual regime ajudará a conter a volatilidade. “Temos um programa e vamos mantê-lo”, afirmou. Ele disse que as bandas, que se ampliam 1% ao mês, se tornarão “irrelevantes” com o tempo. O presidente também defendeu a atuação do Tesouro dos Estados Unidos, que interveio no mercado em outubro e anunciou uma linha de crédito de US$ 20 bilhões para sustentar o peso durante a campanha eleitoral.
“A avaliação do senhor [Scott] Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, é muito mais valiosa que a de economistas locais”, disse Milei ao FT, criticando analistas argentinos que consideram a moeda sobrevalorizada.
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Milei destacou ainda que pretende aproveitar o otimismo dos mercados após a vitória de sua coalizão La Libertad Avanza nas eleições legislativas para preparar o retorno da Argentina aos mercados internacionais. “Em 2026, a Argentina estará no mercado. Não haverá calote. Nosso compromisso com o pagamento das dívidas é inquebrantável”, afirmou.
O presidente também celebrou o que chamou de “mudança copernicana” na política externa dos EUA sob Donald Trump. Ele elogiou a criação de uma “nova doutrina Monroe econômica”, em que Washington prioriza o apoio a aliados na América Latina. “Os EUA decidiram ser o líder da região, e celebro isso fortemente”, disse.
Na área doméstica, Milei prometeu avançar com reformas trabalhistas e tributárias ainda neste ano, com o objetivo de reduzir 20 impostos e estimular o crescimento econômico. Segundo ele, as medidas podem elevar o PIB de 4% para até 10% ao ano a partir de 2026.
Milei afirmou que já reduziu o gasto público em 11 pontos percentuais do PIB e pretende levar o total para 25%. Apesar da desaceleração econômica, ele disse que “todos os motores de crescimento estão sendo acionados”.
Com o chefe da Casa Civil, Guillermo Francos, fora do governo, a articulação política passa agora ao ministro do Interior, Diego Santilli, do partido PRO, ligado ao ex-presidente Mauricio Macri. Milei afirmou que busca construir coalizões “por meio de atos”, citando reuniões recentes com 20 dos 24 governadores provinciais.
O presidente encerrou a entrevista dizendo que a América Latina vive uma “renascença liberal” e expressou confiança em uma “onda azul” de governos conservadores na região.

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