Mesmo com “apagão” de dados, Fed deve cortar juro em 0,25 p.p., projeta Inter

há 2 meses 18
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Os juros dos Estados Unidos devem ter um novo corte na próxima quarta-feira (29), data em que termina a reunião do Federal Open Market Committee (Fomc) para definir a política monetária. A projeção é de corte de 0,25 p.p, de acordo com o Banco Inter, mesmo com o apagão de dados oficiais.

Com isso, aumenta a importância de dados alternativos que possam indicar o estado atual da economia, avalia André Valério, coordenador de pesquisa macroeconômica do Inter.

“Apesar do apagão de dados, o Fed deve cortar 25 pb em outubro e dezembro; a duração atípica do shutdown eleva o risco de danos econômicos e reforça a inclinação a afrouxar. Para 2026, um corte adicional é incerto e dependerá de nova fraqueza do mercado de trabalho”, avalia Valério.

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Desde 1º de outubro, o governo dos EUA está paralisado porque o Congresso ainda não aprovou o plano fiscal para 2026. Isso faz com que somente os serviços essenciais continuem em operação, o que não inclui a coleta de estatísticas socioeconômicas.

Segundo Valério, os dados disponíveis indicam continuidade do cenário observado antes da paralisação – alguns demonstrando queda na criação de emprego, outros demonstrando continuidade da situação, sem sinais de piora. 

Os dados da ADP, empresa que coleta números de folha de pagamento do mercado privado, podem substituir em parte os indicadores que deixaram de ser divulgados pelo payroll. Em setembro, estes dados mostraram redução líquida de 32 mil vagas de emprego, o que indica “clara tendência de queda”, avalia Valério.

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O índice de emprego temporário da American Staffing Association indica leve crescimento de 1,2%  na contratação de trabalhadores temporários e em contratos de curto-prazo em outubro, em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Esse índice é considerado um antecedente para as vagas formais de emprego, já que eles são os primeiros a serem demitidos em um movimento de desaceleração – o que não tem acontecido na desaceleração recente. “Uma justificativa pela melhora do desempenho desde julho pode ser a elevada incerteza causada pelas tarifas, que pode ter levado as empresas a optarem por trabalhadores temporários até que a incerteza se dissipe de maneira satisfatória”, afirma Valério.

Já o Fed de Chicago continua compilando estatísticas de trabalho, apesar do shutdown, o que aponta a taxa de desemprego de setembro variando marginalmente de 4,32% para 4,34%, enquanto a taxa de admissão aumentou de 2,09% para 2,10%.

Pressão inflacionária

Valério aponta que, ao mesmo tempo, ainda há pressões inflacionárias vindas das tarifas. 

Os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) divulgados até então apontam reaceleração na inflação de bens, pressão que continua sendo observada, na análise de Valério. Além disso, os preços pagos pelas indústrias sugerem que os repasses desses custos devem continuar, podendo elevar a inflação acima de 3% ao ano.

O dado oficial de inflação de setembro, no entanto, veio abaixo do esperado, o que é explicado pela dinâmica de compensação. Ele afirma que a desinflação em serviços, vinda dos aluguéis, tem neutralizado a pressão de alta que as tarifas impõem sobre a inflação de bens.

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PIB resiliente

Em contraste com a pressão inflacionária, o desempenho do PIB americano demonstra forte resiliência, aponta Valério. Apesar de o mercado de trabalho ter apresentado desaceleração nos últimos meses, isso não refletiu na atividade econômica.

A estimativa (“nowcast”) do PIB do 3º trimestre feita pelo Fed de Atlanta projeta um crescimento anualizado de 3,9%. E o índice de atividade econômica semanal medido pelo Fed de Dallas sugere a continuidade da “robustez” da atividade econômica.

“Esperamos que o Fed entregue os cortes de 25 pontos base em cada uma das reuniões até o fim do ano. Ainda assim, o cenário não parece ser consistente com uma economia necessitada de apoio da política monetária, o que torna o cenário para os juros em 2026 mais incerto. O Fed planeja cortar mais uma vez em 2026, mas, a não ser que o mercado de trabalho continue enfraquecendo, talvez não haja espaço para esse corte”, afirma Valério.

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