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O JPMorgan reiterou a recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para ações da Marcopolo, com preço-alvo de R$ 11, após a queda de cerca de 20% desde o resultado do 3T25, enquanto o Ibovespa subiu 4% no mesmo período.
Segundo o banco, mais de 90% da desvalorização da companhia foi causada por fatores de avaliação (valuation), e não por fundamentos. As revisões de lucro devem ser de apenas 5% para 2026 e 2027, já incorporadas nas estimativas do banco, considerando que a fraqueza nos volumes domésticos observada no 3T25 se mantenha.
O JPMorgan espera que o novo leilão do programa Caminho da Escola traga impulso positivo para as ações, com um primeiro semestre de 2026 (1S26) sazonalmente mais forte, apoiado também pelas vendas recentes ao Ministério da Saúde (até 3 mil ônibus).
Em termos de avaliação, o banco vê POMO4 negociando a 4,8 vezes EV/EBITDA (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026, em linha com o setor de autopeças brasileiro de 5,1 vezes.
O JPMorgan lembra que a Marcopolo já reconheceu uma provisão de US$ 230 milhões referente ao recall de baterias no 3T25, o que deverá impactar os resultados do 4T25 em cerca de R$ 61 milhões, valor já considerado nas projeções do banco.
Além disso, o banco destaca o rendimento de dividendos elevado de 8%, o maior entre as empresas de bens de capital sob sua cobertura, considerando payout de 50%. Com payout de 70%, o yield subiria para cerca de 11%.
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O Itaú BBA também reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 12, após uma teleconferência com o CFO da Marcopolo, Pablo Motta, e o gerente executivo de Relações com Investidores e Jurídico, Eduardo Willrich. De modo geral, a conversa reforçou a avaliação de que a revisão negativa de cerca de 10% incorporada ao modelo para 2026 deve ser suficiente.
Como as ações da companhia caíram 20% desde a divulgação dos resultados do 3T25, o banco avalia que POMO4 pode ter atingido um piso entre R$ 6,90 e R$ 7,00, percepção também compartilhada por analistas do buy side. Os executivos mostraram otimismo quanto à demanda e à rentabilidade no 4T25 e em 2026, e esperam novidades em breve sobre uma nova rodada do programa Caminho da Escola.
Sobre a possibilidade de dividendo extraordinário, a empresa limitou-se a comentar que a aprovação de um payout de 100% seria rápida e simples, mas não sinalizou intenção de fazê-lo.
O Itaú BBA mantém uma visão positiva sobre a tese de investimento da Marcopolo, que negocia a 6,3 vezes P/L (Preço sobre Lucro) projetado para 2026 e oferece dividend yield de 8%, considerando payout de 50%. Contudo, o banco reconhece que o papel pode permanecer lateralizado até que os investidores recuperem a confiança nas projeções de 2026.
Para 2026, a demanda parece resiliente, com a carteira de pedidos já estendida até fevereiro. Entretanto, há uma maior concentração em ônibus urbanos, já que alguns clientes de transporte intermunicipal enfrentam dificuldades com os juros altos no Brasil, o que pode reduzir ligeiramente o mix, especialmente no 1T26.
Por outro lado, segundo o BBA, cresce a procura por ônibus urbanos maiores e com novas motorizações (elétricos e a biocombustível), que costumam apresentar margens mais elevadas do que os modelos convencionais.
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Já as operações externas e exportações indicam melhoria em 2026 em relação a 2025, impulsionadas por maiores volumes e margens potencialmente mais fortes.
Para BBA, a Marcopolo vem fortalecendo suas operações no exterior nos últimos anos, e esse avanço gradual pode se traduzir em maior rentabilidade dessas unidades em 2026. Além disso, a demanda internacional tem espaço para crescer, já que muitos mercados ainda operam com frotas envelhecidas.

há 2 meses
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