Magalu tem dificuldade em converter eficiência em crescimento no 3T, mas ação sobe

há 2 meses 17
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A Magazine Luiza (MGLU3) divulgou seus resultado trimestrais nesta quinta-feira (6), com destaque para GMV (volume bruto de mercadorias), que somou R$ 15,1 bilhões no período, retração de 3% na base anual. Às 10h29 (horário de Brasília), as ações da varejista subiam 4,01%, a R$ 8,31.

A Genial Investimentos considera os resultados fracos e destaca que a Magalu não tem conseguido converter a preservação de margem e eficiência em aceleração de GMV. “Em um cenário de juros a 15% e competição intensa no online, o resultado é um modelo de negócios que segue rodando com crescimento travado e lucro sensível ao custo de capital”, apontam analistas.

Segundo a Genial, o comportamento das vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) reforça essa leitura. As lojas físicas cresceram 5,2% em SSS no trimestre, 1,28 ponto percentual acima da sua estimativa de 3,9%, mas bem abaixo dos 15,2% do 3T24.

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“Depois de vários trimestres de forte recuperação, a base de comparação ficou mais pesada e a carteira de crédito de Magalu não cresce mais no mesmo ritmo, o que reduz a capacidade de empurrar volumes na loja física”, explica a Genial. “Ainda assim, o desempenho segue razoável quando lembramos que se trata de um varejista de bens duráveis em um ambiente de consumo mais fraco.”

De forma geral, o JPMorgan também classifica o trimestre como fraco, com foco mantido em lucratividade e geração de caixa. O GMV caiu 3% na comparação anual, principalmente devido ao desempenho mais fraco do canal físico, que veio sobre uma base de comparação difícil. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado recuou 1% na mesma base de comparação, ficando em linha com o consenso e 10% abaixo da estimativa do JPMorgan.

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O lucro por ação ajustado (EPS) foi de R$ 0,03, acima do consenso, mas abaixo da projeção do JPMorgan, de R$ 0,08. Em resumo, as tendências de receita ficaram abaixo do esperado, com as vendas líquidas recuando 6% em relação às estimativas do JPMorgan e 2% abaixo do consenso. Por outro lado, o controle de despesas e a margem bruta estável sustentaram uma margem Ebitda praticamente inalterada, reforçando o foco na geração de caixa.

De acordo com as estimativas do JPMorgan, o Magalu gerou aproximadamente R$ 380 milhões de caixa no trimestre, e cerca de R$ 200 milhões em base anual (LTM). O banco mantém recomendação de venda e preço-alvo de R$ 6,50.

O Itaú BBA também destaca que o Magalu continua apresentando resultados operacionais resilientes, mas o atual patamar elevado de juros permanece, naturalmente, um fator negativo para os lucros.

“O crescimento continua desafiador no cenário atual, com altos níveis de endividamento das famílias e taxas de juros elevadas, e permanecemos cautelosos, visto que observamos diversos segmentos apresentando tendências de crescimento mais fracas”, avalia o BBA. “Acreditamos que o principal ponto a ser monitorado é a capacidade de geração de caixa da empresa, bem como o desempenho dos investimentos em andamento.”

Para XP, os resultados foram mistos, com demanda mais fraca devido ao cenário macroeconômico desafiador, compensada por melhores tendências na receita bruta e EBITDA em linha com suas estimativas.

Além disso, o ambiente competitivo mais acirrado do e-commerce pode representar um obstáculo adicional para as vendas online da empresa, enquanto as vendas físicas mantiveram um crescimento razoável. “Embora consideremos positiva a disciplina de custos e de faturamento da MGLU, acreditamos que a dinâmica desafiadora da receita bruta pode persistir, com as recentes notícias sobre a fusão Casas Bahia e Mercado Livre trazendo riscos adicionais”, comenta a XP. A corretora manteve recomendação neutra.

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O Morgan Stanley, por sua vez, avaliou que o Magazine Luiza (MGLU3) apresentou um trimestre morno, com queda no GMV total, impactado principalmente pela desaceleração nas vendas online. Segundo o relatório, a redução da alavancagem operacional e a leve expansão da margem bruta não foram suficientes para evitar uma contração de 10 pontos-base na margem Ebitda ajustada, que ficou 4% abaixo da estimativa do próprio Morgan Stanley e 6% abaixo do consenso de mercado.

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