Juros altos até 2026 e cenário eleitoral dividem apostas no Brasil

há 2 meses 27
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A taxa básica de juros deve permanecer em 15% ao ano e só começar a cair em março de 2026 — esse foi o principal sinal dado pelo economista-chefe da XP, Caio Megale, ao analisar o cenário brasileiro.

A combinação de juros altos por mais tempo e incertezas eleitorais deve manter o país em compasso de espera, segundo ele.

“O ano que vem está particularmente binário”, afirmou, sugerindo que as definições políticas podem redesenhar as expectativas econômicas.

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Apesar das tensões internas, Megale avaliou que o ambiente global terminou 2025 melhor do que o previsto. “Começou parecendo que ia ser um caos – tarifas, recessão, guerra, estagflação – e estamos encerrando com a Bolsa nas máximas e um sentimento otimista”, disse.

O economista destacou o movimento de “risk on” nos mercados emergentes, impulsionado por uma visão mais positiva sobre a economia mundial, mas alertou para um risco relevante: o quadro fiscal dos Estados Unidos.

“O ponto de maior atenção é a nomeação do próximo presidente do Fed”

As declarações foram dadas durante o XP Credit Coverage, evento que reuniu dia 5 Megale e o head de análise política da XP, Paulo Gama, em um painel sobre os rumos da economia e as perspectivas para as eleições de 2026.

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Eleições e incertezas devem influenciar expectativas

Paulo Gama reforçou que o quadro político segue indefinido, e que pesquisas de popularidade serão decisivas para desenhar o cenário.

“As candidaturas de oposição ainda precisam se consolidar. A partir daí, teremos uma visão mais clara dos caminhos possíveis”

Já o segundo painel do evento, “Crédito 360º”, contou com a participação de Carol Freitas, RM de fundos, e Mayara Rodrigues, analista de renda fixa no Research da XP.

As especialistas destacaram a expansão do crédito privado e a importância da diversificação diante dos recentes casos de recuperação judicial.

“É preciso olhar caso a caso. Nos dados até abril, as micro e pequenas empresas lideram os pedidos de Recuperação Judicial”, observou Mayara.

Carol complementou que “o crédito nunca foi tão relevante na carteira do cliente como é hoje”, refletindo o amadurecimento do investidor brasileiro.

Apesar da cautela, ambas veem oportunidades no setor. Os spreads devem se ajustar gradualmente, abrindo espaço para boas alocações em crédito high yield e debêntures incentivadas, que tiveram forte retomada no segundo semestre.

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Debêntures e fundos de previdência seguem em alta

Entre as estratégias de destaque na plataforma XP estão o crédito high grade — ainda resiliente mesmo com menor market share —, o high yield, que cresceu de forma exponencial nos últimos 12 meses, e o crédito de liquidez, que ganha força conforme o momento do mercado.

As debêntures incentivadas também voltaram ao radar dos investidores, impulsionadas por mudanças regulatórias e incertezas setoriais.

Transportes e petróleo lideram apostas em renda fixa setorial

O último painel do evento trouxe uma análise setorial com Pedro Bruno, head de transportes e infraestrutura da XP, Camilla Dolle, head de renda fixa, e Regis Cardoso, head de óleo, gás e petroquímicos.

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O grupo mapeou riscos e oportunidades em crédito corporativo, destacando casos relevantes de suas coberturas.

Pedro Bruno citou o otimismo com a Simpar (SIMH3), cuja recomendação de compra foi reiterada pelo time de Equity Research, com preço-alvo de R$ 8,00 por ação até 2026 — potencial de alta de cerca de 60%.

Segundo ele, a empresa busca reduzir o endividamento com foco em disciplina de preços, corte de custos e desinvestimentos.

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Petróleo, petroquímicos e os desafios da Braskem

Regis Cardoso, por sua vez, manteve uma visão positiva para o setor de óleo e gás, projetando o Brent entre US$ 65 e US$ 70 por barril.

Ele destacou a virada da Brava (BRAV3), que registrou geração positiva de caixa no segundo trimestre, e o momento desafiador da Braskem, que acumulou prejuízo líquido de R$ 267 milhões no mesmo período.

“Estamos em um ciclo de baixa longo e profundo nos petroquímicos. Há uma chance razoável de capitalização para preservar a indústria”, afirmou.

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Investidor deve se atentar ao risco e à diversificação

Antes de aplicar em crédito privado, os especialistas lembram que é essencial adequar a estratégia ao perfil do investidor, prazo e tamanho da alocação.

A XP recomenda evitar exposição superior a 5% em um único emissor, especialmente em papéis de maior risco.

Vale ressaltar que títulos como CRIs, CRAs e debêntures não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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