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O presidente Donald Trump anunciou na última sexta-feira que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) abrirá uma investigação sobre os frigoríficos norte-americanos, em razão de suspeitas de manipulação de preços. As ações da JBS (BDR: JBSS32) caíram 4% no dia, enquanto o Ibovespa subiu cerca de 0,5%.
Um comunicado subsequente da Casa Branca manifestou preocupação com a concentração de mercado entre as maiores companhias do setor, incluindo JBS, Cargill, Tyson e National Beef.
Embora o Goldman Sachs não se posicione quanto aos possíveis desdobramentos da investigação, a expectativa é de que os papéis da JBS (BDR: JBSS32) e da MBRF (MBRF3) permaneçam sob pressão nos próximos dias, diante do aumento da percepção de risco no mercado.
O anúncio de Trump se apoia em um memorando de entendimento recente entre a Divisão Antitruste do DOJ e o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), voltado à proteção da concorrência nos mercados agrícolas. A medida também responde a reivindicações antigas de associações de pecuaristas, como a National Cattlemen’s Beef Association, que pedem maior fiscalização e regras mais claras de rotulagem de origem, especialmente sobre o selo “Produto dos EUA”.
De acordo com o Sherman Antitrust Act, é ilegal que concorrentes façam acordos para fixar preços, dividir mercados ou restringir a concorrência. Tais condutas podem ser criminalmente processadas pelo DOJ, e as penalidades costumam incluir multas criminais, ações civis coletivas, punições a executivos, medidas judiciais e restrições regulatórias.
O Sherman Act prevê que empresas podem ser multadas em até US$ 100 milhões, ou o dobro do ganho obtido ou do prejuízo causado, o que for maior. Um levantamento do Goldman Sachs sobre casos anteriores de manipulação de preços investigados pelo DOJ mostra que as maiores multas criminais ocorreram no setor financeiro — especialmente no mercado de câmbio, chegando a US$ 925 milhões em 2015.
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O Meat Institute, associação que representa os frigoríficos, reagiu afirmando que os processadores de carne bovina dos EUA acolhem um debate baseado em fatos sobre a acessibilidade do produto. O grupo destacou que o setor é altamente regulamentado, que as transações de mercado são transparentes, e afirmou que, apesar dos preços elevados ao consumidor, os frigoríficos têm registrado prejuízos há mais de um ano devido ao encarecimento recorde do gado.
Nos últimos anos, os principais frigoríficos dos EUA têm enfrentado investigações antitruste e ações civis coletivas. Desde 2022, a JBS já acordou indenizações civis que somam US$ 161 milhões ligadas às suas operações de carne bovina nos Estados Unidos, incluindo US$ 83,5 milhões a pecuaristas e traders de futuros de gado, US$ 52,5 milhões a compradores diretos e US$ 25 milhões a compradores indiretos.
O Bradesco BBI, por sua vez, destaca que o momento em que o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) decidiu retomar a investigação coincide com um período em que os preços da carne bovina se tornaram um símbolo visível da fadiga inflacionária no país. Com o rebanho de gado norte-americano no nível mais baixo em décadas, essa situação dificilmente mudará no curto prazo. Ainda assim, o BBI acredita que os fundamentos do ciclo e os resultados das empresas continuam mostrando que as condições de mercado são o principal fator por trás da alta dos preços da carne bovina.
O BBI avalia que a nova investigação deve gerar ruído no curto prazo, mas, com base nas informações disponíveis, é pouco provável que traga consequências relevantes. “Mesmo que a apuração não resulte em ações concretas, isso não altera nossa postura cautelosa em relação ao setor de proteínas, onde as tendências cíclicas desfavoráveis devem continuar pressionando os resultados”, comentam analistas.
Do ponto de vista estrutural, a JBS permanece como a única recomendação de compra do BBI no segmento, negociando a desconto injustificado em relação aos pares, apesar de sua maior diversificação geográfica e forte geração de caixa.

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