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Felipe Silva
10 de nov, 2025, 08:02
A vida de aposentado após pendurar as chuteiras em setembro tem sido de calmaria para Renato Augusto, que vem se preparando para dar um novo passo em sua carreira profissional em 2026. O ídolo do Corinthians abriu o jogo em exclusiva à ESPN sobre a volta ao futebol, mas em outra função.
No seu tempo livre, Renato admite que, ao ver jogos na TV, a vontade de calçar as chuteiras bate forte, mas a nova profissão, de motorista oficial dos filhos, o afasta das ‘tentações’.
"Às vezes, vendo um jogo, dá aquela vontade, mas aí você lembra de todo o processo, muita coisa você tem que abrir mão e aí já começa a pesar. Você tem que viajar, concentrar, deixa de ir nos lugares com a família… depois que eu descobri esse lado aqui de poder ter um final de semana, poder aproveitar a folga dos filhos, levar o filho para escola, isso acaba pesando. Mas quando eu vejo os jogos, às vezes, dá vontade de jogar de novo, mas como eu falei, hoje o momento é realmente de aproveitar a família, curtir os momentos especiais e desfrutar um pouco", disse o ex-meia, durante evento Galera da Bola, em parceria com o Instituto Graac.
Renato Augusto sabe que voltará ao futebol em breve, mas ainda não se decidiu para qual área seguirá. Apesar de estar propenso a trilhar uma nova carreira como treinador, o ex-meia conta que a parte da gerência, atuando nos bastidores, também o encanta. Fato é: o craque se tornará um ‘estagiário’.
"A minha ideia, quando eu comecei a pensar em aposentadoria, era a única e exclusiva de ser treinador. Conforme os últimos anos foram passando, comecei a vivenciar outras coisas e aí eu comecei a abrir o leque para uma parte mais de gerência, de realmente curtir o extracampo do futebol, então isso também foi interessante para mim. Recebo algumas ligações, mas no momento eu quero estudar, quero abrir minha mente, eu sempre falo porque eu conseguia ver o jogo de dentro do campo, mas você ver de fora é diferente e você antever tudo o que vai acontecer é diferente, que aí eu acho que é o grande segredo do treinador. Eu não sei se eu estou preparado a esse ponto, vou querer estudar, vivenciar, começar a passar em alguns clubes com treinadores que já jogaram comigo, outros que eu trabalhei, outros que eu nunca trabalhei, mas tem um contato muito bom, como é o caso do Dorival. Quero poder acompanhar um pouco mais de dentro, entender esse processo fora das quatro linhas, preparação de semana e preparação de treino. Quero vivenciar de fora para poder me preparar para depois realmente me sentir pronto e poder assumir um cargo”.
"Tite é o número 1"
A ideia de se tornar treinador começou ainda na seleção brasileira, em papos longos e cheios de táticas com o então companheiro Filipe Luís, hoje comandante do Flamengo. Mas, se atualmente Renato Augusto pensa em exercer a profissão, muito se passa pela figura de Tite, que ele chama de mais 'equilibrado'.
O ex-jogador teve a oportunidade de trabalhar com Tite em alguns momentos. A volta ao Brasil em 2013, para vestir a camisa alvinegra, então campeão mundial, foi pelas mãos do técnico, que voltou a dirigi-lo em 2015, no elenco corintiano que conquistou o Brasileirão. Em 2018, veio a tal sonhada convocação para a Copa do Mundo.
“Eu e o Filipe sempre tivemos uma amizade grande desde a seleção até quando ele parou, antes de ser mesmo treinador. A gente conversava muito sobre tática, como pensar a forma de jogo, como pressionar o adversário, a gente sempre tinha um papo muito legal e eu fico feliz pelo sucesso que ele está tendo, é um amigo pessoal, você vai sempre torcer pra um grande amigo seu. Mas o Tite foi o grande treinador da minha carreira, eu acho que talvez tenha sido treinador mais equilibrado que eu tive. É o cara que consegue defender bem, atacar bem, não necessariamente vai ser o melhor atacando ou o melhor defendendo, mas é achar o equilíbrio realmente. Acho que ele seria o que me espelharia um pouco. Claro que você tem que criar a sua identidade, mas com certeza foi o treinador que mais eu me encaixei, claro que você vai ter ideias diferentes em alguns momentos, mas foi o treinador número um”.
O adeus ao Corinthians
No dia 28 de setembro, Renato Augusto se despediu do clube em que mais se identificou na carreira. Com a Neo Química Arena lotada, o ex-meia foi ovacionado pela Fiel torcida e relatou, com emoção, o momento como 'mágico'.
A 8, eternizada pelo Doutor, ganhou novo dono, mas Renato confessa que ainda não tem dimensão do tanto que representou com a camisa alvinegra. Foram 243 partidas, ao longo de duas passagens pelo clube, conquistando um Paulista (2013), a Recopa (2013) e o Campeonato Brasileiro (2015).
“Meus amigos sempre falavam: 'você tem noção do tamanho que você é?' Enquanto você está jogando, você não tem muito a noção. Hoje eu venho algumas vezes à São Paulo e recebo um carinho surreal das pessoas na rua, é criança, adulto, você conseguir atingir todas as idades e foi muito especial. Claro que eu sabia da minha responsabilidade enquanto eu estava no campo, tudo que eu representava para o elenco, para o clube, mas você ainda não tem dimensão. Meu coração tinha ficado um pouco doído de ter saído do Corinthians da forma que eu saí, sem ter tido nada (homenagem), então ter tido aquele dia, poder levar os meus filhos, minha esposa, para mim foi mágico, porque eu pude realmente dar um ponto final, ou uma vírgula, né? Mas poder marcar um momento foi realmente mágico”.
‘Por que não acreditar no Neymar?’
Faltam pouco mais de sete meses para o início da Copa do Mundo de 2026, e a seleção brasileira de Carlo Ancelotti vai tomando forma. O técnico italiano já considera ter 18 nomes ‘garantidos’ para integrar o grupo que vai buscar a sexta estrela. Aclamado por parte da torcida, Neymar não aparece entre eles e ainda não foi convocado pelo ex-Real Madrid.
Para Renato Augusto, o camisa 10 do Santos deve receber um voto de confiança. O ex-meia aponta para o histórico vencedor do craque e até uma Ronaldo Fenômeno como exemplo, mas diz que Neymar deve estar bem fisicamente para merecer a vaga.
“Na seleção, tudo fica muito grande. Uma derrota vira uma catástrofe, uma vitória o time é o melhor do mundo. Quando você chega em uma Copa do Mundo com aquela camisa amarela, você é um dos favoritos. Isso em qualquer ocasião. Sempre fui um torcedor, e eu sou até hoje, pretendo ir lá para torcer e realmente curtir. Mas, desde que eu me recorde, eu não lembro da seleção chegando numa Copa sem estar passando por uma pressão. Eu lembro da Copa de 1994, eu era muito pequeno, mas no último jogo ninguém acreditava que iria dar certo, mas foi campeão. Lembro mais claro da Copa de 2002, onde ninguém acreditava, até mesmo no Ronaldo… Então por que não acreditar no Neymar? É um dos maiores jogadores da história da nossa seleção, com os números que ele tem, e, se ele estiver bem, quem não vai querer o Neymar? Para isso temos um treinador que conhece muito futebol, conhece bastante de vestiário, entende a forma de levar. É dar crédito ao treinador para que ele possa decidir e que seja melhor para a Seleção”, afirmou o ex-meia.
Projeto Galera da Bola
O Galera da Bola é uma plataforma que conecta torcedores aos seus ídolos através de experiências exclusivas, itens autografados e ações beneficentes. O projeto contar com parceiros reconhecidos, como Raphael Veiga, Lucas Moura, Cássio, Jorginho, Renato Augusto, Rodrigo Garro, Dudu, Rafael e muitos outros.

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