IMOB se destaca e o Ibovespa dispara: os motores internos da alta da Bolsa

há 2 meses 16
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A força do Ibovespa em 2025, que acumula alta de 27,48% no ano, ganhou ainda mais relevância ao levar o índice a renovar máximas históricas. Com a alta da última sessão, o Ibovespa completou 12 pregões consecutivos no positivo, configurando uma das sequências de valorização mais intensas da década. Nesse movimento, o índice rompeu e passou a negociar acima da marca simbólica dos 150 mil pontos, alcançando máxima histórica nos 154.352 pontos.

O avanço do principal índice da Bolsa brasileira, porém, não ocorreu de forma isolada. O movimento comprador se espalhou por boa parte dos índices setoriais da B3, ainda que com intensidades distintas. O retrato revela: setores mais ligados ao ciclo doméstico e ao ambiente de juros em queda se destacaram, enquanto segmentos sensíveis ao mercado externo seguem enfrentando um cenário mais desafiador.

O protagonista absoluto do ano é o Índice Imobiliário (IMOB), que dispara 69,01%. O avanço reflete o apetite renovado por construtoras, incorporadoras e empresas de gestão de propriedades, que encontram terreno fértil na combinação entre expectativas de redução do custo do crédito, melhora gradual da renda e aumento do consumo das famílias.

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Em uma posição de destaque semelhante aparecem os setores tradicionalmente considerados defensivos. O Índice de Utilidade Pública (UTIL) sobe 54,86%, impulsionado por companhias de energia e saneamento que, mesmo menos sensíveis ao ciclo econômico, seguem atrativas pela previsibilidade de fluxo de caixa e pagamento de dividendos. Logo atrás, o Índice de Energia Elétrica (IEEX) acumula 50,85%, com a volta do interesse de investidores institucionais e estrangeiros em ativos ligados à infraestrutura e estabilidade operacional.

Outro grupo beneficiado pelo cenário doméstico é o Índice Financeiro (IFNC), que avança 41,64%, refletindo a melhora gradual na concessão de crédito e expectativas de recuperação da rentabilidade bancária. Já o Índice de Consumo (ICON) cresce 26,03%, acompanhando o fôlego de varejistas e empresas de serviços, tradicionalmente mais sensíveis ao nível de emprego e à confiança das famílias.

Na outra face do mercado, alguns setores ainda caminham com mais cautela. O Índice Industrial (INDX) registra alta mais moderada, de 6,61%, em meio a resultados ainda irregulares para empresas de bens de capital, logística e manufatura — segmentos que dependem mais da atividade global e de investimentos de longo prazo.

A ponta mais pressionada do ano fica com o Índice de Materiais Básicos (IMAT), que avança apenas 2,21%. O desempenho fraco é diretamente influenciado pela volatilidade do minério de ferro e pelos desafios enfrentados por mineradoras e siderúrgicas, empresas altamente expostas ao humor da economia chinesa e ao comportamento das commodities.

Fonte: TradingView. Comparação do Ibovespa e índices em 2025. Elaboração: Rodrigo Paz

Perspectivas

Daqui para frente, os holofotes se voltam para as decisões de política monetária do Copom e do Federal Reserve, capazes de alterar o ritmo de entrada de capital estrangeiro e o custo de financiamento doméstico. Ao mesmo tempo, o comportamento do minério de ferro e do petróleo continuará determinante para setores de maior peso dentro da bolsa.

No campo técnico, parte desses índices já opera em regiões avançadas de valorização, o que pode abrir espaço para movimentos de correção no curto prazo — especialmente após semanas de fluxo comprador consistente.

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A seguir, apresentaremos a análise técnica do índice que mais se valorizou no ano (IMOB) e do que teve o desempenho mais fraco (IMAT). Confira a análise e os principais pontos de suporte e resistência.

Análise técnica Índice Imobiliário (IMOB)

O IMOB segue como destaque absoluto da Bolsa em 2025, mantendo forte tendência de alta e renovando máximas no gráfico semanal. O índice negocia próximo ao topo do ano, na região dos 1.288 pontos, refletindo o fluxo comprador consistente direcionado ao setor imobiliário em um ambiente de expectativa de redução de juros e retomada gradativa da demanda.

No acumulado de 2025, o ganho é expressivo, de 69,01%, enquanto em novembro sobe 3,02%, mantendo o viés positivo. No gráfico semanal, o IMOB segue acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, que permanecem alinhadas para cima e sustentam o movimento de alta. Ainda assim, observa-se afastamento em relação às médias, o que, combinado ao IFR (14) em 71,50 pontos, indica região de sobrecompra e possibilidade de correções pontuais no curto prazo.

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No entanto, a tendência primária segue claramente altista, e o índice não apresentou sinal técnico consistente de reversão. Assim, enquanto mantiver-se acima dos principais suportes, o cenário favorece a continuidade da movimentação de renovação de máximas.

Suportes: 1.217 pontos; 1.140 pontos; 1.036 pontos; 976 pontos; média de 200 períodos em 862 pontos.
Resistências: 1.288 pontos (máxima do ano); 1.444 pontos; 1.527,90 pontos (topo histórico).

IFR (14): 71,50 — em sobrecompra, sugerindo espaço para ajuste, embora fluxo comprador ainda predomine.

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Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz

Confira mais análises:

Análise técnica Índice de Materiais Básicos (IMAT)

O IMAT mostra movimento de recuperação nas últimas semanas, após ter marcado mínima do ano nos 4.750 pontos. Desde então, o índice ganhou fôlego e voltou a negociar acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, o que melhora o curto prazo e reduz pressão vendedora imediata.

Entretanto, no médio prazo, o índice ainda encontra-se pressionado pela tendência de baixa, evidenciada pela Linha de Tendência de Baixa (LTB) que segue atuando como resistência dinâmica. Para que o IMAT consolide uma reversão estrutural, será necessário romper esta LTB com força e sustentação de volume.

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Em novembro, o índice recua 0,69%, enquanto no acumulado de 2025 avança 2,21%, desempenho que contrasta com os setores puxados pela dinâmica doméstica. O IFR (14) em 61,46 pontos sugere região neutra, sem indicar sobrecompra ou sobrevenda.

Suportes: média de 200 períodos nos 5.562 pontos; 5.440 pontos; 5.207 pontos; 4.945 pontos; 4.750 pontos (mínima do ano).
Resistências: 5.720 pontos; 6.095 pontos; 6.288,55 pontos.

A leitura técnica indica que, se romper a LTB, o IMAT pode ganhar tração e buscar níveis superiores. Caso contrário, pode voltar a testar novamente zonas de suporte.

Fonte: Nelogica. Gráfico semanal. Elaboração: Rodrigo Paz

(Rodrigo Paz é analista técnico)

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