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Analistas do Itaú BBA e da XP Investimentos veem com bons olhos o plano da Guararapes (GUAR3), dona da Riachuelo, de vender o shopping Midway Mall, em Natal (RN), anunciada ao mercado na sexta-feira (7). As ações, contudo, têm uma sessão de baixa na sessão pós-anúncio: às 14h55 (horário de Brasília) desta segunda-feira (10), as ações da companhia desabavam 6,99%, a R$ 10,64.
A operação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas já está em andamento após a empresa assinar um memorando de entendimentos não vinculante com um grupo de investidores liderado pela Capitânia Investimentos. Segundo o Brazil Journal, o ativo pode ser avaliado em cerca de R$ 1,6 bilhão, com pagamento parcelado.
Para a XP, a venda é uma oportunidade para simplificar a estrutura da companhia e liberar valor que ainda não está refletido nas ações. A corretora diz que, se o negócio for concluído, o múltiplo P/L (Preço sobre Lucro) da Guararapes cairia de 9,7 vezes para cerca de 8 vezes em 2026.
Isso abriria espaço para um dividend yield (retorno em dividendos) entre 20% e 30%, considerado elevado para o setor. Os estrategistas acreditam que o negócio pode gerar caixa suficiente para uma distribuição relevante aos acionistas, reforçando o foco da empresa em seu negócio principal, o varejo de moda.
O Itaú BBA também vê a operação como positiva e avalia que a transação pode destravar valor importante. O banco estima um valor presente líquido (VPL) de aproximadamente R$ 360 milhões, o que representa cerca de 6% do valor de mercado da Guararapes. Para o BBA, o Midway Mall é um ativo de alta qualidade, e o valor de R$ 1,6 bilhão está no topo da faixa estimada em relatórios anteriores, que variavam entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,6 bilhão.
O banco contabiliza ainda possíveis ganhos fiscais: como a empresa tem prejuízos fiscais acumulados, parte do lucro da venda, estimado em cerca de R$ 1,35 bilhão, pode ser compensada, reduzindo o pagamento de impostos. Com isso, a alíquota efetiva cairia de 34% para algo em torno de 24%. Esse ganho contábil aumentaria o patrimônio da companhia e abriria espaço para distribuir Juros sobre Capital Próprio (JCP), elevando o retorno ao acionista.
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Nas contas do BBA, o múltiplo P/L esperado para 2026 cairia de 9,9 para 9,2 vezes, considerando que metade dos recursos seja recebida até 2026. Os analistas também projetam um dividend yield entre 18% e 19%, caso a empresa distribua os valores líquidos após impostos.
Os analistas da XP e do Itaú BBA apontam ainda a boa posição financeira da Guararapes. A afirmação ocorre após a companhia encerrar o terceiro trimestre com dívida líquida equivalente a 0,7 vez o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), o que dá fôlego para realizar novas iniciativas e devolver parte dos recursos aos acionistas. Mesmo que a alavancagem suba para uma vez o Ebitda após a venda, a estrutura de capital continuaria equilibrada.
A recomendação da XP é de compra para as ações de GUAR3, com preço-alvo de R$ 17. Já a recomendação do Itaú BBA é de outperform (acima da média do mercado) para as ações da Guararapes.

há 2 meses
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