Governante mais velho do mundo, Paul Biya vence reeleição no Camarões aos 92 anos

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O presidente camarones Paul Biya foi declarado vencedor de eleições marcadas por alegações de irregularidades, e deve governar a nação da África Central até os 99 anos, caso complete seu oitavo mandato.

Biya, de 92 anos, obteve 53,7% dos votos nas eleições de 12 de outubro, enquanto seu rival mais próximo, Issa Tchiroma Bakary, que renunciou ao gabinete em junho, teve 35,2%, informou Clement Atangana, presidente do Conselho Constitucional, nesta segunda-feira (27).

O rendimento dos títulos em dólar do país com vencimento em 2031 caiu pelo sexto dia consecutivo, quase 5 pontos-base, para 10,6% às 12h31 em Londres.

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“Estamos ainda observando enquanto isso se desenrola”, disse Kevin Daly, gestor de portfólio da Abrdn Investments. “Parece um pouco prematuro fazer uma avaliação agora.”

Na semana passada, o Conselho Constitucional recusou-se a julgar as petições apresentadas pela oposição e grupos de direitos civis para invalidar as eleições. Eles alegaram uma série de irregularidades, incluindo assédio a eleitores, realocação de seções eleitorais e contagem inflada de votos, comprometendo a integridade do pleito.

Bakary, que declarou vitória antes do anúncio oficial dos resultados, convocou seus apoiadores a realizarem marchas pacíficas, apesar da proibição de reuniões públicas. Pelo menos quatro pessoas foram mortas no domingo em confrontos entre as forças de segurança e seus apoiadores em Douala, a maior cidade de Camarões, informou a Agência France-Presse, citando Samuel Dieudonne Ivaha Diboua, governador regional.

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O presidente mais velho em exercício no mundo, Biya concorreu pelo Movimento Democrático do Povo de Camarões. Ele será empossado na capital, Yaoundé, em 6 de novembro.

Apenas 12 dos 83 candidatos presidenciais foram autorizados a concorrer, gerando acusações da oposição e grupos de direitos civis de que a disputa não foi livre nem justa. Maurice Kamto, líder do principal partido de oposição que desafiou Biya na última eleição em 2018, foi um dos excluídos sob a alegação de que seu partido indicou dois candidatos.

O nonagenário governa Camarões há 43 anos e a maioria dos cidadãos, cuja idade média é 18 anos, nunca conheceu outro líder. Sua idade avançada e aparições públicas esporádicas geram preocupações sobre sua saúde e levantam dúvidas sobre quem governaria o país caso ele morra no cargo.

Segundo a constituição, o presidente do senado assume automaticamente como líder interino em caso de morte do presidente, e novas eleições devem ser organizadas em até 120 dias após a vacância do cargo. Marcel Niat Njifenji, de 91 anos, que ocupa o cargo máximo do senado, também está com a saúde debilitada, segundo múltiplas declarações do senado.

Biya praticamente não fez campanha antes da eleição e, em setembro, passou mais de uma semana na Suíça, onde já buscou cuidados médicos anteriormente, sem fornecer explicações.

Seu único comício foi realizado em Maroua, no Extremo Norte, seu reduto político, em 7 de outubro. Com voz trêmula, comprometeu-se a criar empregos, fomentar o empreendedorismo e reforçar a segurança — questões-chave em um país onde 40% da população vive na pobreza.

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O norte de Camarões tem sido assolado por terrorismo e sequestros, enquanto uma guerra separatista nas duas regiões de língua inglesa do país, Noroeste e Sudoeste, já causou cerca de 6.500 mortes desde 2017, segundo o International Crisis Group.

Houve também uma sucessão de escândalos de corrupção durante o governo de Biya, e o governo permaneceu em silêncio sobre todos eles, disse Victor Julius Ngoh, professor de história e ciência política na Universidade de Buea, no sudoeste de Camarões.

© 2025 Bloomberg L.P.

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