Futuro da conectividade móvel depende de provisionamento inteligente e interoperabilidade

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Jeevithan Muttu, MotiveJeevithan Muttu. Foto: Divulgação/editada com inteligência artificial

Durante um recente webinar realizado pela Motive em parceria com a GSMA Intelligence, Claro e Telefônica, discutiu-se a crescente importância dos sistemas de provisionamento e dos entitlement servers para a expansão do ecossistema móvel 5G e das futuras gerações de conectividade. As conversas destacaram casos de uso, padrões emergentes e desafios estratégicos para operadoras e fornecedores.

Mais do que as conclusões técnicas, o encontro deixou várias mensagens-chave sobre como o setor de telecomunicações está redefinindo a forma como os usuários se conectam, ativam e gerenciam seus serviços. A seguir, compartilho alguns dos pontos mais relevantes.

Conectividade sem atrito: uma prioridade estratégica

A transformação digital nas telecomunicações já não se trata apenas de velocidade ou cobertura, mas da capacidade de gerenciar dispositivos, serviços e usuários de maneira fluida e segura. Foi o que destacou Tim Hatt, diretor de Pesquisa e Consultoria da GSMA Intelligence, que abriu a sessão enfatizando que "o provisionamento não é um luxo, e sim uma necessidade".

Hatt ressaltou que, em um contexto no qual a adoção do RCS, da conectividade via satélite e da ativação remota de dispositivos eSIM cresce de forma exponencial, as operadoras precisam de sistemas robustos que administram essas funções de forma escalável e eficiente. Ele também observou que a adoção global do protocolo RCS ultrapassa os 2 bilhões de usuários e continua aumentando, o que, em sua opinião, não apenas redefine a experiência de mensagens, mas também exige sistemas de provisionamento que garantam uma integração sem interrupções.

Casos de uso emergentes e a revolução da eSIM

A sessão também abordou como a ativação remota (eSIM) se consolida como uma tecnologia essencial. Segundo o que foi apresentado, a implementação do eSIM cobrirá mais da metade dos dispositivos móveis até o final desta década.

Nesse contexto, durante a apresentação da Motive mostramos uma ampla variedade de casos de uso, desde a ativação inicial de dispositivos e a transferência entre equipamentos até o suporte à conectividade satelital direta para consumidores e empresas.

A partir disso, acredito que há três pontos essenciais a destacar:

  • Provisionamento e transferência: ativações instantâneas sem intervenção do usuário, que devem ser geridas como um sistema unificado capaz de garantir identidade, confiança e segurança em qualquer dispositivo.
  • Dispositivos periféricos: integração fluida de wearables, como relógios inteligentes e tablets, com um único número móvel.
  • Validação de número: autenticação sólida por meio da assinatura SIM, reduzindo a dependência de códigos SMS (OTP).

Importância de padrões abertos e alianças

Um dos temas centrais da conversa foi a necessidade de adotar padrões comuns que permitam escalar soluções e assegurar a interoperabilidade. Nesse sentido, Alexander Harmand, diretor de Plataformas de Rede da Telefónica Espanha, destacou que a empresa vem promovendo casos de uso em que o provisionamento se torna uma experiência invisível para o usuário, minimizando a fricção no momento da ativação do serviço.

Harmand também observou que os principais desafios para avançar nessa frente envolvem garantir segurança e privacidade, administrar múltiplos ecossistemas e dispositivos, e harmonizar regulações em diferentes mercados. Segundo ele, o essencial é oferecer aos usuários controle total sobre seus dispositivos e serviços, ao mesmo tempo em que se assegura que as soluções possam escalar globalmente.

Network slicing, APIs e valor empresarial

Outro ponto central do debate foi a convergência do provisionamento com novas capacidades, como o network slicing e a computação de borda (edge computing), que abrem oportunidades em setores como Indústria 4.0, saúde, automotivo e cidades inteligentes.

Os participantes concordaram que a interoperabilidade e a compatibilidade com APIs padronizadas serão cruciais para que as operadoras monetizem esses serviços. O provisionamento, afirmaram, não é apenas uma função técnica, mas um habilitador estratégico do negócio móvel do futuro.

Em resumo, este seminário deixou claro que, em um ambiente móvel cada vez mais diverso, as operadoras devem investir em sistemas de provisionamento inteligentes, abertos e escaláveis. O provisionamento consolida-se, assim, como o motor do ecossistema 5G e das futuras gerações de conectividade. Esses sistemas não apenas otimizam a experiência do usuário, mas também são fundamentais para abrir novas fontes de receita e acelerar a adoção de serviços avançados.

Parafraseando Hatt, concordo que estamos diante de uma mudança de paradigma em que os sistemas de provisionamento e os entitlement servers deixam de ser infraestruturas internas para se tornarem motores estratégicos de crescimento.

* Sobre o autor – Jeevithan Muttu é vice-presidente de Produto e P&D na Motive. As opiniões expressas nesse artigo não necessariamente refletem a visão de TELETIME

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