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ESPN.com.br
4 de dez, 2025, 00:26
Que o Flamengo é (de novo) campeão brasileiro, todos sabem. Mas o troféu conquistado nesta quarta-feira (3), após vitória sobre o Ceará reforça o debate: seria este o 8º ou o 9º título da história rubro-negra?
A pergunta tem respostas diferentes dependendo de quem a responde. Os flamenguistas, e várias outras torcidas, consideram nove títulos brasileiros, enquanto o Sport, bancado pela CBF e também rivais cariocas, falam em oito. Não existe verdade absoluta, mas sim uma polêmica que em breve completará 40 anos.
Voltamos a 1987, ano em que o futebol nacional passava por diversas situações polêmicas nos bastidores. A organização do Campeonato Brasileiro de 1986 foi marcada por confusões, a ponto de a final entre São Paulo e Guarani só ser disputada em fevereiro do ano seguinte.
Organizadora do certame, a CBF alegou não ter condições financeiras de fazer o torneio. Assim nasceu o Clube dos 13, grupo que reunia os 12 principais times do país (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético-MG, Cruzeiro) e mais o Bahia.
O campeonato criado pelas equipes foi chamado de Copa União, com apenas 16 participantes e muitas reclamações de quem ficou fora (casos de Guarani, vice-campeão brasileiro na temporada anterior, e o Sport). A CBF, então, voltou atrás e decidiu participar da organização, com uma regra que causaria toda essa confusão.
Pela entidade máxima do futebol brasileiro, haveria um cruzamento entre os dois finalistas da Copa União (chamada de Módulo Verde pela CBF) e os dois finalistas do Módulo Amarelo, visto como a segunda divisão. O regulamento, apesar de não ser unânime dentro do Clube dos 13, foi assinado por Eurico Miranda, histórico dirigente do Vasco e que estava na reunião que decidiu o acordo.
Com a bola rolando, Flamengo e Internacional chegaram à final da Copa União, com os cariocas sendo campeões ao vencer a final por 1 a 0, gol do atacante Bebeto. No Módulo Amarelo, Sport e Guarani empataram a decisão no tempo normal (0 a 0) e também nos pênaltis (11 a 11), o que fez a CBF decretá-los vencedores.
Até que a entidade foi cobrar o acordo assinado e, no início de 1988, marcou o cruzamento final envolvendo os quatro clubes. Flamengo e Inter não disputaram, então Sport e Guarani voltaram a se enfrentar no que, para a CBF, seria a final do Campeonato Brasileiro. Os pernambucanos venceram e foram reconhecidos como campeões nacionais de 1987.
O caso foi parar na Justiça, sobretudo porque, em 1992, o Flamengo voltaria a ser campeão brasileiro. Pelas regras da época, quem conquistasse cinco títulos poderia ficar com a posse definitiva da Taça das Bolinhas. Mas, enquanto os cariocas se consideraram pentacampeões legítimos, a CBF apenas reconheceu quatro (1980, 1982, 1983 e 1992), mantendo o Sport vencedor em 1987.
Tal polêmica aumentou e ganhou um novo integrante: o São Paulo. Em 2007, o Tricolor ganhou o título brasileiro pela quinta vez em sua história (após 1977, 1986, 1991 e 2006). Consequência disso foi a posse da famigerada Taça das Bolinhas, que ganhou o direito inclusive na Justiça.
Anos se passaram e nada se resolveu. O Flamengo, campeão brasileiro de novo, considera um número. Para a CBF, a verdade é outra. Qual lado é o certo?
Próximos jogos do Flamengo:
Mirassol (F): 07/12, 16h (de Brasília) - Brasileirão
Cruz Azul (N) - 10/12, 14h (de Brasília) - Copa Intercontinental

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