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No momento em que o mundo volta os olhos para o meio ambiente, para o Brasil e para a COP30, em Belém, muitos investidores se perguntam se não seria o caso de incluir o assunto sustentabilidade em suas decisões, sem abrir mão do bom rendimento. Neste ano, pelo menos em relação à bolsa de valores brasileira, a resposta é que a aposta na sustentabilidade compensa também na rentabilidade.
Os dois indicadores de papéis desse segmento, o Índice de Sustentabilidade (ISE) e o Índice de Carbono Eficiente (ICO2) acumulavam no ano, até dia 10 de novembro, 34,58% e 37,97%, respectivamente, ante 29,25% do Ibovespa.
Já o Índice de Governança Corporativa, que integra a proposta ESG de atenção ao meio ambiente, à sustentabilidade e à governança, sobe 29,10% em 2025, bem próximo do Ibovespa.
Todos estão perto ou na pontuação máxima do ano, acompanhando a onda de valorização do mercado em geral.
Quais os motivos para esse bom momento? Para Marcella Ungaretti, head de Research da XP, o desempenho superior do ISE e do ICO2 reflete uma combinação de fatores, com destaque para o relativo baixo peso de nomes relacionados ao setor de petróleo que, juntos, somam 11,8% do Ibovespa e que tiveram uma performance relativamente mais fraca no ano em função da queda do preço da commodity e da apreciação do real.
Ajudou também a boa performance de nomes bem posicionados na agenda ESG com alto peso na composição dos dois índices e que, embora também presentes no Ibovespa, contribuíram menos para a performance, como por exemplo, TIM (TIMS3), Rede D’or (RDOR3) e Motiva (MOTV3), que subiram 84,5%, 89,4% e 60,5% no ano.
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Até outubro, diz Marcella, a carteira recomendada ESG da XP acumulou 32,2%, superando tanto seu referencial, o ISE, quanto o Ibovespa. Composta por dez nomes escolhidos sob uma perspectiva fundamentalista e com altos padrões ESG, a carteira deste mês reúne Suzano (SUZB3), Lojas Renner (LREN3), Motiva (MOTV3), WEG (WEGE3), Vivo (VIVT3), Sabesp (SBSP3), Alupar (ALUP11), Orizon (ORVR3), B3 (B3SA3) e Itaú (ITUB4).
Investidor mais atento
Nos últimos anos, houve um crescimento consistente no interesse dos investidores por fundos e empresas que incorporam práticas ESG de forma estruturada e que estejam bem-posicionadas para capturar as oportunidades e tendências que ganham força conforme a agenda ESG avança, ao mesmo tempo em que conseguem mitigar potenciais riscos, avalia Marcella.
“Vemos a integração dos critérios ESG na seleção de ativos ganhando força e se consolidando como uma tendência global, apoiada também por políticas públicas, metas de descarbonização e por uma mudança estrutural na forma como investidores e consumidores enxergam o valor de uma empresa” explica.
Para ela, é natural que o desempenho de curto prazo continue sujeito a fatores macroeconômicos, como o ciclo de juros e o ritmo de atividade. “No entanto, de forma estrutural, olhando para frente, vemos essas empresas bem-posicionadas para capturar as oportunidades que emergem dessa agenda ESG”, diz.
COP30 reforça o interesse
A COP30 também coloca o país no centro do debate climático global e reforça a atratividade de empresas bem-posicionadas na agenda ESG, acredita Marcella. O Brasil, como país anfitrião, deve desempenhar um papel mais proeminente na diplomacia climática global, ao mesmo tempo que aproveita a oportunidade para priorizar sua agenda nacional.
Além disso, o evento deve acelerar compromissos de descarbonização, estimular o mercado de carbono e impulsionar políticas públicas e novos instrumentos financeiros que tendem a beneficiar companhias alinhadas a esses princípios.
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O investimento em empresas ou setores que seguem os princípios ESG vai além da consciência tranquila em relação ao meio ambiente. Companhias que se preocupam em respeitar normas ambientais, buscar práticas sustentáveis em seus ramos de negócio e manter uma gestão responsável e atenta aos valores da comunidade em que está inserida costumam ser mais fortes e preparadas para resistir a crises e para acompanhar a evolução da sociedade, agregando mais valor aos seus acionistas.
Há ainda aquelas que nascem das oportunidades criadas pela preocupação com o meio ambiente e ganham importância com soluções para reduzir os danos ao planeta.
ETFs seguem os índices sustentáveis
O investidor pode aproveitar o desempenho dos papéis mais sustentáveis por meio de carteiras recomendadas, de fundos de ações ESG ou pelos fundos com cotas negociadas em bolsa, os ETFs, que reproduzem os índices que reúnem essas ações no Brasil e no exterior.
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Na B3, seis ETFs oferecem o investimento sustentável na bolsa brasileira. O fundo iShare Índice de Carbono Eficiente, ou ECOO11, já rendeu 37,22% neste ano até 10 de novembro. Já o IT Now ISE Sustentabilidade Empresarial, ou ISUS11, acumula 34,54%. O ETF Safra ETF Mulheres na Liderança ESG, ou ELAS11, rende 30,71%. O BTG Pactual ESG S&P/B3, ou ESGB11, subiu neste ano 28,40%. E o IT Now IGTC, de governança corporativa, o GOVE11, ganha 28,56%.
Há ainda o IT Now Russell 1000 Green Revenues 50 ou REVE11, que reproduz a carteira do índice de ações negociado nos Estados Unidos, mas que recua 8,14% neste ano, em grande parte pela queda do dólar em relação ao real, explica Renato Eid Tucci, responsável pela área de ETFs na Itaú Asset e pela família IT.
Um ano bom para o ESG
O ano está sendo muito bom para a classe de fundos ESG e para os seus ETFs, afirma Tucci. Os eventos ligados à COP30 trazem de volta a temática do investimento responsável, que tem evoluído no Brasil desde o boom de 2020/2021 e que foi reforçado pelas regras criadas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) para as práticas ESG na gestão de recursos.
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“Esses eventos ajudam a trazer mais conhecimento sobre o tema para o mercado e investidores”, diz. A temática do investimento responsável faz sentido ao olhar além das variáveis financeiras das companhias e torna a escolha mais ajustada ao risco. “Por exemplo, se temos uma empresa que depende de água em seu processo produtivo, a questão hídrica será importante para seu desempenho”, afirma.
Na trilha da governança
Tucci compara a evolução do ESG à da governança corporativa, que já atingiu sua maturidade nos mercados emergentes, levando no Brasil à criação do Novo Mercado da B3. Agora a questão climática está mais presente, o que faz os fatores ambientais começarem a entrar na pauta das empresas e investidores. E as questões sociais sempre estivem em pauta, mas ganharam relevância depois da pandemia de Covid-19.
Tucci vê diferentes níveis de maturidade do investidor brasileiro, mas destaca uma consciência cada vez maior do poder do consumidor, presente em canais de reclamação ou posicionamento de grupos. “E estamos trazendo essa consciência para a persona do investidor, que pergunta mais para o gestor o que ele faz com relação às questões ESG”, diz. Para ele, o interesse por questões ESG deve fazer parte da busca o investidor por diversificação de seus investimentos, indo além do Índice Bovespa no mercado de ações.

há 2 meses
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