Energia limpa continua avançando apesar de revés político nos EUA e outros países

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Empresas e países estão deixando de alardear com exagero seus esforços ambientais e passando a avançar silenciosamente em metas sustentáveis. Mesmo com a crescente resistência política nos EUA e em outras nações ocidentais, a transição energética segue em frente, afirmaram executivos durante o Fortune Global Forum, em Riad, Arábia Saudita.

Uma grande mudança é o abandono de promessas vazias de neutralidade de carbono em favor de aplicações práticas de energia limpa, que fazem sentido econômico e geram retorno financeiro.

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“Esse obstáculo na agenda verde vem do mito de que continuar a agir de forma sustentável torna tudo mais caro e causa perda de empregos”, disse Jose La Loggia, presidente do grupo Emea, da gigante de climatização Trane Technologies.

Esse mito é falso, afirmou, explicando que os sistemas de cogeração da Trane podem ser até 400% mais eficientes em energia e se pagam rapidamente.

“É mais verde, mais barato e melhor para todos”, disse La Loggia, acrescentando que o maior desafio é superar o medo humano de mudanças. “Não podemos ignorar o fato de que as pessoas realmente não gostam de mudar — precisamos trabalhar nisso.”

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Faisal Sultan, presidente da Lucid Motors no Oriente Médio, destacou que a indústria de veículos elétricos enfrenta a perda recente de incentivos fiscais nos EUA. Segundo ele, o setor ficou acomodado e não avançou o suficiente em áreas como recarga, autonomia e conforto — foco principal da Lucid.

O restante da indústria percebe agora que precisa evoluir para que as pessoas escolham carros elétricos pela qualidade, e não apenas por serem ecológicos. “Os veículos elétricos estão crescendo, mas o farão de forma mais prática”, disse Sultan.

Mesmo assim, ele ressaltou que os governos precisam de políticas consistentes e de longo prazo, sem mudanças repentinas conforme o clima político.

“Precisamos de políticas duradouras. A única coisa em que todos devemos concordar é o clima, porque o mundo precisa continuar existindo”, afirmou.

“Há quem ache que podemos viver em Marte”, acrescentou, em aparente referência a Elon Musk, CEO da rival Tesla, “mas não devemos desistir da Terra tão rápido.”

Superando o “revés”

Mohammed El Zarkani, coordenador residente das Nações Unidas na Arábia Saudita, afirmou que a degradação do solo, as secas e outros impactos das mudanças climáticas custam US$ 900 bilhões por ano à economia global.

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“Isso não é algo abstrato: fábricas fecham por falta de água, rotas marítimas são interrompidas, escassez de alimentos aumenta e cadeias de suprimentos entram em colapso”, disse.

Proteger o meio ambiente, portanto, faz sentido econômico, destacou El Zarkani. “Risco ambiental é risco de negócios.”

A atual resistência política é apenas um “revés temporário”, afirmou, impulsionado por políticos mais velhos, e não pelos jovens, cujo engajamento climático segue crescendo.

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Há também uma preocupação crescente com o boom de inteligência artificial, disse La Loggia, já que os data centers consomem muita energia. Ao mesmo tempo, softwares controlados por IA podem reduzir em mais de 25% o desperdício energético — desde que a tecnologia seja usada para o bem.

“Precisamos parar de desperdiçar energia”, concluiu.

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