Empresas do Vale da Eletrônica mostram inovação em radiodifusão, IoT e automação

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 Danilo Paulo/TeletimeImagem: Teletime

O segundo dia da 17° edição da Feira Industrial do Vale da Eletrônica (Fivel) reuniu 100 estandes de indústrias e empresas de Santa Rita do Sapucaí (MG). O município do sul-mineiro tem 43 mil habitantes, sendo que o mercado de eletrônicos da região responde por 17 mil postos de trabalho, segundo o sindicato do setor, o Sindvel.

Historicamente conhecido pelo Arranjo Produtivo Local (APL) para a indústria eletroeletrônica e por abrigar o Inatel e outras instituições de ensino, o município apresentou na feira uma série de companhias que são referências no desenvolvimento de novas tecnologias, desde o padrão de TV 3.0 até soluções avançadas de Internet das Coisas (IoT) para setores críticos.

Radiodifusão

Um dos exemplos é a fornecedora de equipamentos de radiodifusão Linear Denki. A companhia foi fundada na cidade mineira em 1977. A companhia tem atuação importante no desenvolvimento do novo padrão de televisão. Eles desenharam, no Brasil, os primeiros transmissores compatíveis com o novo padrão DTV+ (TV 3.0).

"Fomos responsáveis por todas as etapas de criação desse transmissor. Desde o desenvolvimento até a parte de produzir os equipamentos. Também trabalhamos para obter as licenças necessárias junto à Anatel", afirmou a gerente-geral administrativa da empresa, Rute Pivoto.

Em abril, o grupo Globo adquiriu dois transmissores da Linear Denki para o padrão DTV+/TV 3.0 — desenvolvidos e homologados para uso no Brasil. "A Record TV também tem nosso transmissor", contou ela. Quase todas as peças necessárias para a fabricação do equipamento são nacionais. Boa parte, segundo Pivoto, vem do ecossistema local de Santa Rita do Sapucaí.

IoT

A Fractum é uma das empresas de Internet das coisas (IoT) que marcou presença na Fivel 2025. O destaque foi a apresentação de uma linha de data loggers inteligentes, desenvolvidos para coleta de dados.

CEO da empresa, André Leite contou ao TELETIME que os dispositivos "têm conectividade multiplataforma tanto via celular, NB IoT CATM, satelital, e LoRaWAN" e contam com "diferentes entradas para sensores, permitindo aplicações em áreas como saneamento, agronegócio, indústria e mineração". 

De acordo com a empresa, o projeto começou a ser desenvolvido em 2019 e foi concluído em 2022. Desde então, os equipamentos vêm sendo utilizados no monitoramento de barragens, incluindo pela Vale, que usa a solução em mais 400 taludes de rejeito. O mesmo projeto também é utilizado pela Sabesp, para monitoramento de desperdício d'água.

IMG 0731Data logger inteligente desenvolvido pela Fractum em Santa Rita do Sapucaí (MG). Imagem: Danilo Paulo/Teletime

A Fractum surgiu há 18 anos na incubadora de empresas do Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, e mantém todo o desenvolvimento e produção dentro do Arranjo Produtivo Local (APL) de eletrônica da cidade.

Ainda segundo Leite, o produto é resultado direto da estrutura tecnológica de Santa Rita. "Nossa visão é de que, se não tivéssemos Santa Rita, não conseguiríamos ter o mesmo modelo de negócio que temos", afirmou. Em 2024, a Fractum recebeu a Comenda Sinhá Moreira, premiação local de inovação, na categoria de produto mais inovador do ano.

Sensoriamento e automação

A Sense Eletrônica também esteve presente na feira. "A empresa nasceu em 1976, sendo pioneira no País no segmento de automação industrial, com a produção de sensores e outros equipamentos para telecomunicações" disse o gerente de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, Sérgio Bertoloni.

Em setembro de 2024, a multinacional norte-americana TE Connectivity adquiriu a empresa, que passou a integrar a divisão industrial do grupo. A marca Sense foi mantida pela nova controladora, assim como a identidade visual.

IMG 0796Gerente de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, Sérgio Bertoloni. Imagem: Danilo Paulo/Teletime

De acordo com Bertoloni, a Sense surgiu a partir da iniciativa de ex-alunos do Inatel e, há mais de quatro décadas, mantém sua operação em Santa Rita do Sapucaí (MG). A empresa possui um portfólio de cerca de 12 mil itens, sendo 8 mil produzidos na própria planta local.  

O foco principal da companhia é o desenvolvimento de sensores IoT voltados à automação industrial e de processos. Nas indústrias de açúcar e álcool, petroquímica e outras, os sensores, disse Bertolini, eles permitem controlar processos, monitorar máquinas e otimizar produção.

(O jornalista viajou para Santa Rita do Sapucaí convidado pelo Sebrae Minas).

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