É possível usar uma bomba atômica para neutralizar um furacão?

há 2 meses 12
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O furacão Melissa, que ganhou força explosiva entre sábado (25) e domingo (26), deve atingir o Caribe no que especialistas classificam como um dos furacões mais intensos da história recente. Com essa catástrofe ambiental em foco, é comum que surja o questionamento se é possível parar um furacão com uma bomba atômica, literalmente “explodindo” o furacão antes de chegar à costa.

De acordo com as previsões, o Melissa avança lentamente sobre o mar do Caribe e ameaça devastar a Jamaica e o sul do Haiti com ventos que podem ultrapassar os 250 km/h, chuvas torrenciais e elevação perigosa do nível do mar.

A solução proposta, no entanto, esbarra em princípios da física e, dessa forma, o uso de armas nucleares para conter furacões pode nem mesmo alterar a tempestade e poderia causar mais problemas ambientais devastadores.

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Por que não se pode usar bomba atômica para conter um furacão?

Segundo a agência do governo dos Estados Unidos para os oceanos e a atmosfera (NOAA, na sigla em inglês), a principal dificuldade em usar explosivos para modificar furacões é a quantidade de energia necessária.

Ainda que a explosão de uma arma nuclear libere uma grande quantidade de energia, um furacão totalmente desenvolvido pode soltar energia térmica equivalente a uma explosão de bomba atômica de 10 megatons a cada 20 minutos.

Para fins de comparação, o Almanaque Mundial de 1993 indicou que toda a raça humana utilizou em 1990 uma taxa inferior a 20% da potência de um furacão.

Além disso, em termos de força bruta, seria quase impossível concentrar uma alta quantidade de energia mecânica em um único ponto no meio do oceano. Vale lembrar que esses fenômenos naturais surgem sempre nos oceanos.

O uso de qualquer explosivo, nuclear ou não, também não afeta a pressão atmosférica de um furacão, que precisaria de toneladas de ar para diminuir o seu impacto. Isso porque, na hora da explosão, o pulso de alta pressão se propaga para longe mais rápido do que a velocidade do som.

Por fim, a NOAA ainda destaca que cerca de 80 ondas tropicais fracas ou depressões — que podem se transformar em furacões — se formam todos os anos na bacia do Atlântico, mas apenas cerca de 5 se tornam furacões em um ano típico. Esse fato torna improdutiva a ideia de atacar essas perturbações antes de se transformarem, ainda mais porque não é possível prever esses fenômenos.

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Existe também o componente humano: o material radioativo dispersado por uma bomba atômica, mesmo que fosse no meio do oceano, chegaria à costa e causaria danos incalculáveis à população, seja por mananciais contaminados ou por ecossistemas inteiros destruídos.

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