Deezer: um terço das novas músicas é feito por IA – e quase ninguém nota a diferença

há 2 meses 14
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Mais de um terço das músicas enviadas diariamente a plataformas de streaming são feitas por Inteligência Artificial e a maioria esmagadora da população no Brasil e no mundo não é capaz de diferenciar as faixas feitas pela tecnologia e por mãos humanas, segundo a Deezer, que divulgou nesta quarta-feira (12) uma pesquisa global sobre comportamento e percepções em relação à IA e à música. O levantamento foi conduzido pela Ipsos, a pedido da plataforma.

Segundo a Deezer, cerca de 50 mil faixas totalmente geradas por IA são carregadas diariamente na plataforma, representando 34% de todas as entregas diárias. Esse foi o cenário para a condução do estudo, que ouviu 9 mil pessoas em oito países – Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Holanda, Alemanha e Japão.

Todos os participantes escutaram três faixas e precisaram indicar se eram ou não totalmente geradas por IA. O resultado: 97% erraram a distinção. A maioria (71%) ficou surpresa com o desfecho e mais da metade (52%) se sentiu desconfortável por não conseguir diferenciar as criações humanas das artificiais.

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“Os resultados mostram claramente que as pessoas se importam com a música e querem saber se estão ouvindo faixas feitas por IA ou por humanos”, avaliou Alexis Lanternier, CEO da Deezer.

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Cenário brasileiro

No Brasil, o desempenho foi idêntico ao global: 97% não conseguiram distinguir músicas feitas por IA das produzidas por humanos. O país, porém, se destacou pela curiosidade e abertura à tecnologia. Entre os pesquisados, 76% demonstraram interesse em IA – o índice mais alto entre os oito países – e 42% afirmaram já usar ferramentas de inteligência artificial no dia a dia.

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Mais da metade (62%) acredita que a IA pode ajudar a descobrir novas músicas, e 59% enxergam um papel relevante da tecnologia na criação musical nos próximos dez anos. Por outro lado, há ressalvas: 52% temem que a IA leve à produção de músicas mais genéricas e de baixa qualidade, e 60% demonstram preocupação com a possível perda de criatividade no processo artístico.

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Rejeição e transparência

Apesar da curiosidade, a rejeição à música totalmente gerada por IA é significativa. Globalmente, 45% dos entrevistados gostariam de poder filtrar esse tipo de conteúdo nas plataformas, e 40% afirmaram que pulariam a faixa se soubessem que foi criada por inteligência artificial. No Brasil, os índices são praticamente idênticos – 45% e 42%, respectivamente.

Há também um apelo claro por transparência. No mundo, 80% das pessoas defendem que músicas feitas por IA sejam claramente identificadas, e 73% gostariam de saber se as plataformas estão recomendando esse tipo de faixa. Já 52% acreditam que elas não deveriam competir nas paradas musicais ao lado de criações humanas – apenas 11% acham que deveriam ter o mesmo tratamento.

A preocupação com direitos autorais também é ampla: 65% dos entrevistados dizem que não deveria ser permitido usar obras protegidas para treinar modelos de IA, 70% veem ameaça à remuneração de músicos e 73% consideram antiético gerar músicas sem aprovação dos artistas originais. Para 69%, o pagamento por faixas 100% geradas por IA deveria ser menor do que o destinado às produzidas por humanos.

“Há preocupações sobre o impacto da música gerada por IA na remuneração dos artistas e na criação musical. Empresas de IA não deveriam treinar seus modelos com material protegido por direitos autorais”, avalia Lanternier.

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A percepção no Brasil

No recorte brasileiro, 77% defendem que músicas criadas por IA sejam identificadas e 76% querem saber quando um serviço de streaming as recomenda. Diferente da média global, porém, 52% dos brasileiros aceitam que essas faixas entrem nas paradas junto às humanas – embora um terço prefira que estejam devidamente rotuladas.

A visão sobre direitos autorais segue a mesma linha da amostra global: 56% são contra o uso de material protegido para treinar modelos de IA; 65% veem ameaça à remuneração dos artistas; e 67% consideram antiético usar obras sem autorização. Além disso, 64% defendem que as músicas feitas por IA recebam pagamento menor que as produzidas por pessoas.

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