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Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 92% da população entre 9 e 17 anos está conectada, o que corresponde a mais de 24,5 milhões de jovens.
O estudo, lançado nesta quarta-feira, 22, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), foi conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do NIC.br, com base em entrevistas presenciais com 2.370 crianças e adolescentes e seus respectivos responsáveis.
Ele confirma um padrão de imersão digital precoce e contínua, em que a Internet é tanto ferramenta de aprendizado quanto espaço de socialização, entretenimento e consumo.
O telefone celular mantém seu posto de principal porta de entrada para o mundo on-line: 96% dos jovens o utilizam para acessar a Internet. Ao mesmo tempo, a posse de um aparelho próprio caiu levemente, passando de 81% em 2024 para 77% em 2025 – uma tendência que reflete, em parte, o aumento de acesso via televisão (74%), que hoje funciona como uma segunda tela digital dentro de casa.
Após a sanção em janeiro da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, a proporção dos usuários nessa faixa que acessaram a Internet no ambiente escolar caiu, passando de 51% (2024) para 37% (2025).
Outra novidade é em relação à frequência do uso da Internet em diferentes locais. O estudo revela que 84% dos jovens se conectaram à rede de suas casas "várias vezes ao dia". Nas escolas, 12% reportaram acessar a Internet "várias vezes ao dia", 13%, uma vez por semana e 9%, uma vez ao mês.
O uso de computadores segue em declínio. Apenas 37% utilizam PCs ou notebooks, contra 74% em 2015, o que aponta para uma geração moldada pelo acesso móvel e pela lógica dos aplicativos.
IA
Os resultados confirmam um quadro de hiperconectividade, mas também de maturação tecnológica acelerada. As crianças e adolescentes brasileiros não são apenas usuários, são também produtores, consumidores e influenciadores em potencial.
O avanço da IA generativa amplia as possibilidades de aprendizado e expressão, mas também traz novas demandas de educação digital crítica, proteção de dados e formação ética.
Já para pais e escolas, o desafio é duplo: acompanhar o ritmo tecnológico e construir um ambiente digital que una autonomia e segurança.
Internet para estudar e para inteligência artificial
A Internet continua sendo um instrumento educacional central: 81% dos jovens pesquisam para trabalhos escolares. Mas o dado mais revelador está na adoção da inteligência artificial generativa, utilizada por 65% dos entrevistados.
O uso cresce com a idade: 42% entre 9 e 10 anos e 75% entre 13 e 17 anos. O principal objetivo é estudar ou fazer pesquisas escolares (37%), mas há também usos criativos, como produção de conteúdo (9%), e até emocionais: 4% dos adolescentes relatam conversar com IA sobre sentimentos ou problemas pessoais.
Esse dado reforça o papel da IA como nova intermediária da experiência digital, abrindo oportunidades de aprendizado, mas também levantando dúvidas sobre dependência tecnológica e privacidade.
"A inteligência artificial generativa está cada vez mais presente nas práticas digitais cotidianas, seja na busca por informações, na criação de conteúdo ou mesmo como recurso com o qual as pessoas compartilham questões pessoais e emocionais. Diante desse cenário, incluímos um novo indicador à pesquisa para monitorar como crianças e adolescentes estão utilizando essas tecnologias. Com isso, buscamos gerar evidências que contribuam para a formulação de políticas e ações voltadas à sua proteção, ao bem-estar e desenvolvimento integral", explica o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa.
Plataformas digitais e influenciadores
A pesquisa mostra que o cotidiano on-line dos jovens é fortemente guiado por plataformas e influenciadores. O WhatsApp (68%), YouTube (66%), Instagram (59%) e TikTok (57%) são os ambientes mais frequentados diariamente.
O YouTube segue como espaço dominante entre os mais novos (74% entre 9 e 10 anos), enquanto o Instagram e o TikTok ganham força entre adolescentes. O consumo de vídeos de influenciadores digitais é generalizado: 85% assistem a esse tipo de conteúdo, o que reforça o peso cultural das personalidades on-line e seu potencial de influência comercial.
Publicidade
O contato com marcas e anúncios também é disseminado. 84% dos jovens afirmam ter visto divulgação de produtos na Internet, e 65% notaram aumento de propagandas após pesquisarem sobre algum item. Isso mostra que há percepção sobre os mecanismos algorítmicos que personalizam o consumo.
Mesmo assim, apenas 54% dos jovens entre 11 e 17 anos conseguem distinguir conteúdos patrocinados de não patrocinados, o que acende um alerta sobre a alfabetização midiática da geração.
O estudo mostra ainda que 37% seguem perfis de produtos e 26% interagem com postagens de marcas, demonstrando uma integração entre entretenimento e publicidade.
"Os dados revelam uma alta exposição de crianças e adolescentes a conteúdos mercadológicos online, que, muitas vezes, vêm disfarçados de entretenimento. A percepção dos jovens sobre a personalização de anúncios acende um alerta sobre a necessidade de desenvolver a literacia midiática e de dados desde cedo", afirma Barbosa.
Controle parental
Um dos destaques da pesquisa fica com a mediação parental. Embora 58% dos responsáveis imponham regras para o uso do celular e 37% usem ferramentas técnicas para limitar o tempo de conexão, o diálogo sobre segurança e hábitos digitais é majoritariamente conduzido pelos próprios filhos, que são fonte de informação para metade dos pais entrevistados.
Essa inversão geracional, em que os jovens se tornam mediadores do conhecimento digital dentro das famílias, reflete tanto a velocidade da inovação tecnológica quanto o descompasso entre gerações em relação às novas linguagens e práticas on-line.
A pesquisa também revela um forte apoio mútuo: 31% dos jovens afirmam ajudar seus pais ou responsáveis em atividades online, enquanto 44% dos pais/responsáveis dizem conversar com as crianças e adolescentes sobre o que elas fazem na rede.

há 2 meses
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