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O aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos impõe um desafio crescente ao Brasil, ampliando vulnerabilidades sociais e econômicas.
Na última sexta-feira (7), um tornado de grandes proporções atingiu a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, resultando na morte de seis pessoas até o momento, segundo a Polícia Científica, só para citar um caso recente.
A Defesa Civil afirma que cerca de 90% da estrutura da cidade foi afetada. Mil pessoas estão desabrigadas e morando provisoriamente na residência de parentes ou amigos — outras 40 foram para o abrigo de Laranjeiras do Sul, cidade vizinha que fica a 18 km dali.
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O cenário é agravado pela baixa cultura de seguros no Brasil: apenas 17% das residências contam com proteção securitária, segundo a FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais), que representa as seguradoras que operam no ramo.
No ano passado, as enchentes do Rio Grande do Sul afetaram 2,3 milhões de pessoas e causaram 183 mortes — 30% delas de pessoas idosas.
“As mudanças climáticas criam uma nova camada de desigualdade: elas atingem mais quem tem menos capacidade de reagir. E entre esses, os idosos são os que mais sofrem, seja por limitações físicas, pela dependência financeira ou pela falta de políticas específicas de proteção.”
O tema do envelhecimento também ganhou destaque no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), aplicado no último domingo (9), reforçando a relevância social e educacional da questão para o país.
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Desafio para a sustentabilidade
A combinação do envelhecimento populacional com a escalada dos desastres naturais gera uma “dupla pressão” sobre o país: ao aumento dos custos com previdência e saúde soma-se o impacto econômico-social dos eventos climáticos.
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Idosos e pessoas com deficiência são os mais vulneráveis em emergências climáticas, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Redesca). Cerca de 14,1% da população do Rio Grande do Sul é composta por idosos, mas tinha apenas dois abrigos voltados a esse público no auge da tragédia.
Além disso, as doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas respiratórios, se agravaram por causa da interrupção de tratamentos e perda de medicamentos, já que 72% das Unidades Básicas de Saúde dos municípios atingidos ficaram inoperantes, e 13 hospitais regionais tiveram o funcionamento comprometido.
“Precisamos repensar o envelhecimento sob a ótica da sustentabilidade. Viver mais exige também viver de forma mais segura, com proteção financeira, saúde e resiliência climática”, diz Molina, que participará do Fórum de Seguros, Mudanças Climáticas e Longevidade, na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), em Belém.
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Seguro pode ser estratégia financeira
O pacto intergeracional tradicional, onde muitos trabalhadores sustentavam poucos idosos, foi quebrado, segundo Molina, da MAG. Hoje, devido à queda na natalidade e ao aumento da longevidade, o Brasil tem poucos trabalhadores para cada aposentado, criando um grande déficit no sistema de seguridade social.
Para enfrentar essa complexidade, o especialista recomenda integrar previdência, assistência social e seguros em políticas públicas com foco especial na população idosa.
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No contexto da COP30, Molina ressalta que o mercado de seguros oferece proteção contra perdas causadas por eventos ambientais, mas também para impactos sociais.
“O seguro é fundamental, pois, em muitos casos, pode ajudar a resolver ou ao menos amenizar os impactos desses desafios”, diz.
Edson Franco, CEO da seguradora Zurich Brasil, reforça essa visão e destaca a importância social do seguro na adaptação às mudanças climáticas.
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“No ano passado, cerca de 2.500 municípios brasileiros entraram em estado de emergência por desastres climáticos. Nas inundações do Rio Grande do Sul, estima-se um total de 100 bilhões de reais em prejuízos dos quais apenas 6 bilhões segurados. É preciso entender que o seguro é parte da solução, com prevenção, mitigação e, quando necessário, indenização”, afirmou durante evento promovido pela companhia na última quinta-feira (6), dedicado a discutir soluções para a resiliência climática.
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A COP30 terá um espaço chamado Casa do Seguro, idealizado pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), que reúne o mercado para discutir e promover soluções voltadas à sustentabilidade e à gestão dos riscos climáticos.
“O mercado segurador deve assumir um papel protagonista no enfrentamento da crise climática. Acreditamos que o progresso só é possível quando é coletivo, e estamos preparados para contribuir com ideias, dados e experiências que fortalecem o debate e ampliam a capacidade de ação conjunta do setor.”
Molina reforça, porém, que essa proteção deve começar cedo. Ele compara a situação dos idosos à de carros batidos: o seguro deve ser feito quando o carro é novo, não depois do dano.
“Você tem que fazer o seguro do teu carro quando você tira da loja, quando ele é novo. Então a geração jovem ainda está em tempo de começar a preparar o pé de meia para o futuro”, pontua o especialista.
Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!

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