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Sanae Takaichi, conservadora pró-estímulo que se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão, é uma nacionalista enérgica com admiração pela política firme da “Dama de Ferro” Margaret Thatcher e pelo heavy metal da banda Iron Maiden.
Takaichi quebrou o teto de vidro ao se tornar líder do país após votação parlamentar nesta terça-feira.
Sua escolha como líder é, essencialmente, uma aposta do Partido Liberal Democrata (PLD) de que uma guinada à direita atrairá jovens eleitores que migraram para partidos populistas menores, incluindo o ultraconservador Sanseito.
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Mesmo antes de se tornar premiê, Takaichi demonstrou firmeza e capacidade de transformar adversidades em vantagem. Sua recusa em tomar medidas adicionais sobre um escândalo de financiamento partidário provocou uma ruptura inesperada na coalizão governista no início do mês.
Após mais de 25 anos de cooperação, o moderado partido Komeito deixou a aliança, enquanto Takaichi manteve sua posição. Isso aumentou as chances de a oposição tentar conquistar o cargo de premiê. Mas Takaichi rapidamente fechou acordo com o direitista Partido da Inovação do Japão (Ishin), ideologicamente mais próximo, para governar.
Ainda assim, a escolha de Takaichi pode sair pela culatra se o PLD for visto como mero retorno às políticas de dinheiro fácil e diplomacia agressiva de seu mentor, o ex-premiê Shinzo Abe, sem novas ideias.
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Sua ascensão enviará ondas por uma sociedade dominada por homens e mal posicionada nos rankings globais de igualdade de gênero. Mas, como Thatcher, sua inspiração, Takaichi está distante do feminismo progressista. Seu legado dependerá menos de avanços para as mulheres e mais da capacidade de restaurar a força de um partido em crise após décadas de domínio no pós-guerra.
“Do ponto de vista de uma mulher comum, ela é o que se poderia chamar de ídolo para ‘velhos’”, disse Mieko Nakabayashi, professora de política da Universidade Waseda. “Ela expressa opiniões de ‘velhos’ com a voz de uma mulher e isso os agrada.”
Sua permanência no cargo dependerá de como conseguirá unir o PLD, recuperar apoio popular e conquistar jovens eleitores. Sem maioria parlamentar, precisará construir consenso com partidos de oposição para aprovar leis. A nova coalizão com o Ishin tem mais assentos na câmara baixa que a aliança anterior com o Komeito, mas ainda está dois assentos abaixo da maioria.
Uma das primeiras tarefas será estreitar laços com Donald Trump, que planeja visitar o Japão na próxima semana. Takaichi foi a mais direta entre os cinco candidatos na disputa pela liderança do PLD sobre renegociar partes do acordo comercial com os EUA. Embora não haja renegociação imediata, ela disse que Tóquio fará valer seus interesses pelos canais adequados.
Em temas como aumento dos gastos e capacidades de defesa, contenção da influência chinesa e construção de cadeias de suprimento alinhadas aos EUA, Takaichi deve se alinhar bem às visões de Trump. O acordo com o Ishin dá ao PLD um parceiro mais próximo em defesa e política externa. Enquanto o Komeito buscava manter relações suaves com Pequim e era cauteloso com exportações de defesa, o Ishin compartilha a preocupação de Takaichi com a segurança frente à China e quer fortalecer o setor de defesa e aprofundar a aliança com os EUA.
O pacto prevê remover todas as restrições às exportações de defesa até o próximo ano, construir fábricas de armas operadas por empresas privadas e avançar com um programa plurianual de investimentos militares.
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Para investidores, a principal preocupação é sua inclinação por gastos para estimular o crescimento e uso de estímulos do banco central — combinação que pode manter o iene fraco e elevar os rendimentos da dívida de longo prazo. Um iene fraco pressiona famílias e empresas voltadas ao mercado interno, mas favorece exportadores e impulsiona ações. O índice Nikkei 225 bateu recorde na segunda-feira com a notícia da nova coalizão.
Na campanha, Takaichi suavizou críticas ao aumento de juros do Banco do Japão, que no ano passado chamou de “estúpido”. Em pesquisa recente, disse que as taxas devem permanecer inalteradas. Ela também sugeriu reduzir temporariamente a taxa de vendas sobre alimentos a zero e aumentar a faixa de isenção de imposto de renda.
Nascida em 3 de março de 1961, em Nara, estudou administração na Universidade de Kobe. Na juventude, andava de moto, tocava bateria em banda de heavy metal e é fã de Black Sabbath e Iron Maiden. Trabalhou como âncora de TV antes de ser eleita deputada em 1993. Ao longo da carreira, ganhou fama de estudiosa e detalhista, evitando vida social com colegas.
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Como protegida de Abe e figura conservadora, sua postura pode gerar cautela na China. Ela já defendeu visitas ao polêmico santuário Yasukuni, mas recentemente evitou fazê-lo para não criar atrito diplomático. Também critica aumento de presença estrangeira no Japão e defende políticas “Japão em primeiro lugar”.
Apesar de quebrar um teto de vidro, suas posições contrárias ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à adoção de sobrenomes diferentes por cônjuges indicam que sua liderança pode não significar avanços na igualdade de gênero.
© 2025 Bloomberg L.P.
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