Com o tanque cheio no 3T25, Ultrapar divide mercado e vê ação despencar 6%

há 2 meses 13
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A Ultrapar (UGPA3) entrou na reta final deste ano com o tanque cheio e o mercado dividido. O grupo, dono da Ipiranga, Ultragaz, Ultracargo e Hidrovias do Brasil (HBSA3), apresentou resultados acima das expectativas no terceiro trimestre, graças ao avanço no combate à informalidade no setor de combustíveis. Apesar disso, as ações recuavam 6% por volta das 14h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (13), a R$ 21,47, em meio a avaliações mistas das casas de análise sobre o real potencial de valorização dos papéis.

No balanço divulgado na quarta-feira (12), a companhia reportou lucro líquido de R$ 772 milhões no 3T25, alta de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho veio acima da expectativa dos analistas.

A melhora foi sentida especialmente na Ipiranga, que começou a colher os frutos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto para combater distribuidoras irregulares. A rede de postos vendeu 6,17 milhões de metros cúbicos no trimestre, alta de 1% sobre o mesmo período de 2024, puxada pelo ciclo Otto, que abrange gasolina e etanol, e pela demanda de outros combustíveis.

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O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 1,95 bilhão, avanço de 27% em um ano, com resultado operacional recorrente de R$ 1,78 bilhão. O número superou as estimativas do mercado, que apontavam para R$ 1,7 bilhão, segundo dados do Ibes (sistema de informações financeiras da LSEG). A receita líquida ficou em R$ 37 bilhões, alta de 5% em relação a 2024.

Para o Itaú BBA, os números da Ultrapar ficaram em linha com as estimativas. O banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 28 por ação até o fim de 2026, o que representa potencial de valorização de 22,8%. Na ponta do lápis, os analistas calculam que a Ipiranga teve margem de Ebitda ajustado recorrente de R$ 145 por metro cúbico, ligeiramente abaixo da projeção de R$ 150, mas dentro do consenso. Os estrategistas veem espaço para melhora das margens no quarto trimestre deste ano (4T25) diante de um ambiente regulatório mais favorável.

Na Ultragaz, o Ebitda ajustado recorrente ficou em R$ 463 milhões, abaixo do previsto, em razão de volumes menores, ainda que a margem por tonelada tenha subido 2% no trimestre. A explicação para os números fracos é simples: a empresa de gás liquefeito de petróleo (GLP), segundo o BBA, enfrenta competição mais acirrada e demanda corporativa enfraquecida, especialmente no segmento industrial.

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A Ultracargo teve Ebitda ajustado de R$ 134 milhões, levemente abaixo da projeção de R$ 138 milhões, com menor procura por armazenamento de combustíveis importados, parcialmente compensada pelo aumento de movimentação em terminais como Opla e Rondonópolis.

O Bradesco BBI vê um quadro mais otimista. O banco elevou a recomendação da ação de neutra para outperform (desempenho acima da média) e aumentou o preço-alvo de R$ 24 para R$ 30, apontando potencial de valorização de 31%. A avaliação considera que a luta contra a informalidade deve acelerar a recuperação de participação de mercado e ampliar as margens da Ipiranga nos próximos 12 meses.

O banco também acredita que a estrutura mais diversificada da Ultrapar, com menor alavancagem e portfólio mais defensivo, pode suavizar os efeitos de oscilações macroeconômicas, especialmente ligadas às taxas de juros.

Em comparação com a concorrente Vibra Energia (VBBR3), o Bradesco BBI vê a Ultrapar negociando a múltiplos semelhantes, mas com prêmio justificado por um retorno sobre capital investido (Roic) mais alto, estimado em 18% para 2026, ante 17% da rival.

Entre os possíveis gatilhos de valorização do setor, o banco cita dados recentes que mostram aumento nos volumes das distribuidoras formais, o fim de liminares que beneficiam créditos de CBIOs (Certificados de Descarbonização) e a expectativa de resultados mais fortes no quarto trimestre.

O JPMorgan considera o desempenho neutro, avaliando que a recuperação da Ipiranga e da Ultragaz sustentou o Ebitda consolidado, embora a Ultracargo tenha ficado abaixo das projeções por conta de custos mais altos e um mix de vendas menos favorável.

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Já o Morgan Stanley mantém recomendação equal-weight (peso igual) e preço-alvo de R$ 23 por ação. O banco vê a Ultrapar bem posicionada para se beneficiar das mudanças no setor de combustíveis, com avanço gradual nas margens à medida que práticas ilegais perdem força. Mesmo assim, a instituição avalia que boa parte dessa melhora já está precificada e prefere se expor ao segmento por meio das ações da Vibra.

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