CDI é tão seguro quanto parece? CIO da XP alerta para riscos escondidos

há 2 meses 16
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Com a Selic estacionada em 15% e o mercado à espera de um novo sinal do Copom na próxima semana, a renda fixa é ainda o centro das atenções dos investidores. Mas, para Artur Wichmann, CIO da XP e presidente do comitê de alocação da XP Advisory, a sensação de segurança que o CDI transmite pode ser uma armadilha.

Durante evento “Café alocação e fundos” da XP, o executivo fez um alerta: o CDI — referência para boa parte das aplicações em renda fixa — não é o ativo livre de risco que muitos imaginam. “Seria falsidade intelectual dizer que ele não é atraente. Mas o CDI não é o que o muitos pensam que ele é”, disse.

Segundo Wichmann, o investidor que acredita estar totalmente protegido pode estar ignorando o impacto da inflação sobre o poder de compra. “Você sabia que já levou um calote de 15% no CDI e nem percebeu?”, provocou.

O CIO da XP relembrou que, nas duas crises mais recentes, o CDI não cumpriu seu papel de proteção. Durante a pandemia, por exemplo, a taxa ficou em torno de 2%, enquanto a inflação chegou a 10%. “Foi um calote de oito pontos percentuais”, disse. No segundo ano da crise, a diferença foi de mais quatro.

Outro exemplo citado por ele foi o período de 2015 e 2016, quando o governo reduziu os juros para 7,25% mesmo com a inflação acima de 10%. “Nas duas maiores crises dos últimos dez anos, o CDI não protegeu”, pontuou Wichmann.

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“CDI tem que estar no portfólio, mas não sozinho”

Apesar disso, o CIO da XP reconhece a importância do CDI como parte da estratégia de investimento, mas defende que ele não deve dominar o portfólio.

“O CDI é atraente e deve estar na carteira, mas não pode ser 100% dela. Um ativo livre de risco é aquele que te protege no momento de risco — e o CDI, nos últimos grandes choques, não fez isso”, diz.

Desequilíbrio global entre ativos reais e financeiros

Enquanto governos ampliam déficits e bancos centrais seguem imprimindo dinheiro, para Wichmann, um novo risco começa a se desenhar no horizonte global, um desequilíbrio estrutural entre ativos reais e financeiros.

“O que estamos vendo talvez não seja um boom de valorização global, mas o reflexo de um processo de repressão financeira”, afirmou. Para ele, o excesso de dinheiro em circulação — sem a contrapartida de criação de riqueza real — distorce preços, reduz o poder de compra das moedas e eleva o valor relativo dos ativos tangíveis.

Segundo Wichmann, o fenômeno não é pontual nem restrito a economias emergentes. Até países tradicionalmente equilibrados, como a Alemanha, caminham para déficits fiscais crescentes. “Todo mundo expandiu fiscalmente na pandemia, mas ninguém conseguiu retrair na mesma magnitude”, disse.

Nesse cenário, Wichmann argumenta que a defesa dos investidores está nos ativos reais — aqueles que não podem ser “impressos” por bancos centrais. “Você se protege da destruição do valor do dinheiro com algo que não pode ser criado artificialmente: imóveis, ações de empresas, ouro”, afirmou.

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Segundo ele, essa relação entre valor real e dinheiro impresso será o eixo central das discussões econômicas nas próximas décadas. “Não é um tema de meses, é um tema de gerações”, concluiu.

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