Buffett se despede do mercado: quanto ele teria lucrado no Brasil? Veja simulação

há 2 meses 17
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Warren Buffett deve divulgar nesta segunda-feira (10) sua última carta como CEO da Berkshire Hathaway. Aos 95 anos, o investidor deixará o cargo no fim do ano, após mais de meio século à frente da companhia, e permanecerá como presidente do conselho. A partir de 2026, o vice-chairman Greg Abel assumirá a função de CEO e passará a assinar a tradicional carta anual aos acionistas.

A despedida do investidor que moldou gerações de acionistas inspirou a XP a testar uma hipótese: o que aconteceria se a filosofia de Buffett fosse aplicada à Bolsa brasileira?

O resultado, apresentado em um relatório divulgado na última semana, faz jus ao “oráculo de Omaha”: segundo a simulação, uma carteira de ações brasileiras que aplicasse os princípios de Buffett renderia mais de 1.200%, superando com folga no período analisado o CDI, o Ibovespa e o IDIV, o índice de dividendos da B3.

Adaptando a metodologia Buffett ao Brasil

O estudo sintetiza seis fundamentos centrais do investidor: qualidade, gestão confiável, preço justo, horizonte de longo prazo, disciplina e paciência.

Com base nesses conceitos, a XP estruturou uma triagem quantitativa de empresas, considerando quatro indicadores:

1. Lucros crescentes por pelo menos três anos consecutivos;
2. Margem líquida acima de 10%;
3. Retorno sobre o patrimônio (ROE) acima de 15%;
4. Baixo endividamento em relação ao patrimônio líquido.

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A aplicação dos critérios, ano a ano, resultou em 21 companhias que, em diferentes períodos entre 2005 e 2024, atenderam a todas as condições. Entre elas, Ambev (ABEV3), WEG (WEGE3), Odontoprev (ODPV3), Grendene (GRND3) e Itaúsa (ITSA4).

A simulação levando em conta uma seleção apenas quantitativa teria rendido 798% em 20 anos, o equivalente a 11,9% ao ano.

Carteira hipotética seguindo princípios de Warren Buffett – análise quantitativa (Fonte: Reprodução/XP)

Filtro qualitativo aumenta o retorno

Na segunda etapa, a XP aplicou um filtro qualitativo, retirando setores que Buffett costuma evitar: aviação, moda e lifestyle e produtos considerados controversos. Com isso, o retorno da carteira simulada subiu ainda mais.

Com esses parâmetros, a carteira simulada com base nos princípios de Buffett teria acumulado alta de 1.213% em 20 anos.

O desempenho seria equivalente a 14,18% ao ano, superando o CDI (574%), o Ibovespa (329%) e o IDIV (950%).

Carteira hipotética seguindo princípios de Warren Buffett – análise qualitativa (Fonte: Reprodução/XP)

“A remoção de empresas desalinhadas à sua filosofia reforça uma das regras mais conhecidas de Buffett: ‘Regra nº 1: nunca perca dinheiro. Regra nº 2: nunca esqueça a regra nº 1′”, diz o relatório.

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Como aplicar os princípios na prática

O estudo observa que o ambiente de negócios no Brasil, com juros historicamente elevados, instabilidade regulatória e menor previsibilidade em relação a mercados mais maduros, exige ainda mais disciplina e paciência. Essas condições, segundo a XP, tornam a seleção de empresas sólidas e o horizonte de longo prazo ainda mais relevantes.

A XP ressalta que o exercício é apenas ilustrativo e não constitui recomendação de investimento. Porém, aponta caminhos para quem deseja seguir a filosofia de Buffett, entre eles delegar a gestão a profissionais com governança sólida e histórico consistente e investir via ETFs ou fundos indexados que sigam fatores de valor e qualidade.

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