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Aos 95 anos, Warren Buffett deu o passo que o mercado sabia inevitável, mas relutava em encarar. Em uma longa carta aos acionistas, Buffett, de 95 anos, confirmou que Abel assumirá o cargo de CEO da Berkshire no fim de 2025, enquanto ele permanecerá como presidente do conselho. “Greg Abel se tornará o chefe no fim do ano. Ele é um grande gestor, um trabalhador incansável e um comunicador honesto. Desejem a ele um mandato longo”, escreveu.
Buffett confirmou que deixará de redigir a tradicional carta anual aos acionistas, que será escrita por Abel, mas prometeu continuar se comunicando por meio de mensagens de Ação de Graças. “Como diriam os britânicos, estou ‘ficando quieto’. Mais ou menos”, afirmou.
O megainvestidor também anunciou a aceleração das doações de sua fortuna de US$ 149 bilhões, com a doação de 1,5 milhão de ações à Susan Thompson Buffett Foundation, enquanto Sherwood Foundation, Howard G. Buffett Foundation e NoVo Foundation receberam 400 mil cada. “Essas doações foram entregues hoje”, afirmou Buffett na carta.
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Buffett explicou que decidiu acelerar o ritmo das doações devido à idade avançada de seus filhos, de 67 a 72 anos, e à necessidade de garantir que eles consigam administrar o espólio antes que outros curadores assumam. “Para aumentar a probabilidade de que eles disponham do que será essencialmente todo o meu patrimônio antes que curadores alternativos os substituam, preciso acelerar o ritmo das doações em vida às fundações de meus filhos”, escreveu.
Buffett também destacou que pretende manter parte das ações da classe A enquanto os acionistas se adaptam ao novo comando. “Gostaria de manter uma quantidade significativa de ações ‘A’ até que os acionistas da Berkshire desenvolvam o conforto com Greg que Charlie e eu sempre tivemos. Esse nível de confiança não deve levar muito tempo”, disse.
“Greg superou as altas expectativas”
Na carta, ele reafirmou que a decisão “em nada reflete mudança em minhas visões sobre as perspectivas da Berkshire” e elogiou Abel: “Greg superou as altas expectativas que eu tinha quando pensei que ele deveria ser o próximo CEO. Ele entende muitos de nossos negócios e pessoas melhor do que eu agora e é um aprendiz rápido sobre questões que muitos executivos nem consideram. Não consigo pensar em um CEO, consultor, acadêmico ou político que eu escolheria em vez de Greg para cuidar da sua poupança e da minha.”
Buffett disse ainda que a Berkshire “tem menos chance de um desastre devastador do que qualquer empresa que eu conheça” e “será sempre administrada de modo a ser um ativo para os Estados Unidos”.
Fim de uma era
A carta encerra um ciclo de seis décadas à frente da holding, que transformou uma antiga tecelagem em um conglomerado de US$ 1 trilhão, com negócios em energia, seguros, ferrovias e consumo. A companhia encerrou o terceiro trimestre com US$ 381,6 bilhões em caixa e lucro operacional 34% maior no período, mesmo com a redução de posições em ações por 12 trimestres consecutivos.
No final do texto, Buffett refletiu sobre sua longevidade e trajetória. “Tive a sorte ridícula de nascer no centro dos Estados Unidos, num ótimo lugar para crescer, formar uma família e construir um negócio. A sorte tem limites, mas devo agradecer à Senhora Sorte por tudo o que me concedeu”, escreveu.
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Ele concluiu com um conselho: “Desejo a todos um feliz Dia de Ação de Graças. Sim, até aos idiotas; nunca é tarde demais para mudar. Escolham seus heróis com cuidado e imitem-nos. Você nunca será perfeito, mas pode sempre ser melhor.”

há 2 meses
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