Brava, PRIO, PetroRecôncavo: qual se dará melhor no 3T? XP prevê resultados desiguais

há 2 meses 17
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As petroleiras independentes brasileiras devem apresentar resultados com altos e baixos no terceiro trimestre deste ano (3T25), com melhoras operacionais em alguns casos e efeitos negativos de interrupções e ajustes de estoque em outros, segundo projeções da XP Investimentos.

A avaliação dos analistas indica um trimestre de desempenho desigual entre as companhias de exploração e produção (E&P), com a Brava Energia (BRAV3) na dianteira em geração de caixa, a PRIO (PRIO3) em fase de recuperação e a PetroRecôncavo (RECV3) ainda enfrentando pressões sobre lucro e investimentos.

No caso da PRIO, a XP avalia que o trimestre foi marcado por oscilações. Após um segundo trimestre (2T25) mais fraco por conta das paralisações no campo de Frade, o mercado esperava uma retomada mais firme. Mas os analistas lembram que a empresa enfrentou em setembro a interdição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em Peregrino, o que reduziu a produção para 88 mil barris por dia, queda de 12% em relação ao período anterior.

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O pulo do gato veio das vendas, que atingiram 8,8 milhões de barris, aumento de 8,2% frente ao trimestre passado, com ajuda da redução de estoques. O preço do barril de petróleo tipo Brent ficou praticamente estável, com alta de 1,5% no trimestre, segundo dados compilados pela corretora.

Pelas contas da XP, vem aí uma receita de US$ 554 milhões (alta de 16% em relação ao 2T25), lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 345 milhões (+25%) e lucro líquido de US$ 93 milhões. Segundo os analistas, o grande foco da companhia segue sendo o campo de Wahoo, que obteve licença de instalação em setembro e deve produzir seu primeiro óleo entre março e abril de 2026.

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A Brava, por sua vez, deve manter o ritmo positivo. A XP avalia que o trimestre foi uma extensão das boas surpresas vistas entre abril e junho, quando a geração de fluxo de caixa livre (FCFE) tornou-se positiva e a produção em Atlanta acelerou. A produção totalizou 91,8 mil barris equivalentes de petróleo por dia (kboed), avanço de 7% em relação ao trimestre anterior, puxada pelo gás natural, que cresceu 30%.

Já a produção de petróleo subiu 2,4%, para 73,4 mil barris diários (kbpd). Mesmo com a valorização do real e algum acúmulo de estoque reduzindo o faturamento, a XP prevê receitas líquidas de R$ 3,1 bilhões (-2% em relação ao trimestre anterior), Ebitda de R$ 1,3 bilhão (-1%) e lucro líquido de R$ 102 milhões. O fluxo de caixa livre deve somar R$ 260 milhões, o equivalente a um rendimento de 4%, o que, de acordo com a corretora, reforça a boa fase operacional da empresa.

Sem boas notícias, a PetroRecôncavo deve repetir as tendências do trimestre anterior, com leve queda na produção e margens apertadas. A XP estima produção média de 26,4 mil barris equivalentes de petróleo por dia (-3%), com redução de 5% no petróleo e estabilidade no gás. As vendas acompanharam o ritmo menor de extração.

A corretora projeta receita líquida de R$ 756 milhões (-6%), Ebitda de R$ 354 milhões (-5%) e lucro líquido de R$ 178 milhões (-25%). O fluxo de caixa livre deve permanecer negativo pelo segundo trimestre consecutivo, pressionado pelo aumento dos investimentos (capex), embora em um nível melhor que no 2T25.

Revisão do barril de Brent e ajustes nos preços-alvo das ações

Os analistas da XP também revisaram suas premissas para o preço do barril de Brent, agora em US$ 65 por barril (bbl), ante US$ 70. O movimento acompanha a queda recente das cotações e o temor de excesso de oferta global, embora a XP veja espaço para os preços permanecerem na faixa entre US$ 65 e US$ 70 por barril nos próximos meses.

Com essa revisão, os preços-alvo das ações do setor foram ajustados, mas as recomendações de compra foram mantidas. O novo preço-alvo da PRIO é de R$ 60 por ação (potencial de alta de 67%), o da Brava é de R$ 20 por ação (+36%) e o da PetroRecôncavo é de R$ 15 por ação (+21%). A XP também reduziu o preço-alvo da Petrobras (PETR4) para R$ 37 por ação, o que ainda representa um ganho estimado de 24%.

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Saiba mais:

Mesmo com ajustes, a XP segue positiva em relação ao setor de E&P. Os analistas afirmam que as companhias oferecem retornos atrativos em fluxo de caixa livre, com rendimentos estimados de 11% e 35% para a PRIO; 7% e 28% para a Brava e 11% e 20% para a PetroRecôncavo em 2026 e 2027, respectivamente.

Entre os riscos para o setor, a corretora cita uma eventual queda mais forte do petróleo abaixo dos US$ 65 por barril, possíveis atrasos na produção de Wahoo pela PRIO, e a execução dos planos de investimento das demais empresas.

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